Prólogo (1,1-3)
Tradução - Revelação de Jesus Cristo, que Deus concedeu a ele para mostrar aos seus servos “o que deve acontecer em breve” e, tendo-o enviado, manifestou por sinais, pelo seu anjo, ao seu servo João, aquele que deu testemunho da Palavra de Deus e testemunhou Jesus Cristo, tudo o que viu. Feliz o leitor e os ouvintes das palavras da Profecia e os que guardam as coisas nela escritas. De fato o tempo está perto.
Paráfrase - Deus quer revelar aos seus servos, por meio de João, o que, em breve, será manifestado. No seu livro profético, João, aquele que deu testemunho da Palavra e de Jesus Cristo, relata fielmente tudo o que viu e que pôde entender em espírito de sabedoria e revelação (19,10) e que Jesus Cristo lhe apresentou por quadros. Serão reconhecidos por Jesus diante do Pai e herdarão a vida eterna os ouvintes que meditarem no seu coração e porem em prática as palavras da Profecia, proclamada pelo leitor na Liturgia dominical. De fato, o Dia do Senhor está perto.
Comentário - O prólogo quer apresentar o livro profético que João escreveu em espírito de revelação (22,7). O mesmo fenômeno, que já tinha acontecido ao profeta Ezequiel, às margens do rio Cobar, no exílio de Babilônia, aconteceu a João: “os céus se abriram e tive visões de Deus” (Ez 1,1). Quem falou a João foi o próprio Jesus Cristo que se apresentou na condição de Senhor da Igreja, na figura do Filho do Homem (Ez 1). Jesus é a encarnação da Glória de Iahweh, que já veio para julgar a Cidade de Jerusalém e condená-la por causa dos seus crimes (Ez 10) e que julgará a Cidade terrena, as cidades das nações, em virtude da sua Morte (Ap 16,19). João relata que se prostrou diante dele. Mas o Senhor o levantou dizendo: “Não temas! Eu sou o Vivente” (1,17s) e mandou que escrevesse o que tinha visto na visão para que os servos de Deus soubessem o porquê das coisas inaudíveis (Dn 8,13) e qual é o seu destino no céu (Ap1,19), após breve provação. Movido pelo espírito da profecia (19,10), João relata fielmente “tudo o que viu” (1,2; 22,6). Neste momento o prólogo lembra que João foi chamado ao profetismo na condição de quem já deu testemunho da Palavra e de Jesus Cristo (1,2.9; 6,9). Uma condição que o tornou particularmente apto para confortar os que sofrem tribulações por causa de Jesus. A Profecia torna bem-aventurado aquele que a guarda, “porque grande será a sua recompensa nos céus” (Mt 5,12), que logo o Senhor lhe dará. Aconteceu a João o que São Paulo deseja para todo cristão: recebeu um espírito de sabedoria e revelação que o levou a entender qual é “a riqueza da glória da sua herança entre os santos, e qual é a extraordinária grandeza do seu poder para nós,... que Deus fez operar em Jesus Cristo” (Ef 1,17). As igrejas chamadas ao testemunho de Jesus Cristo podem experimentar uma grande consolação ao saber que Jesus, que se apresenta no esplendor da Glória de Iaweh, como Filho do Homem de condição divina, e que, no céu, está sentado à direita da Majestade e recebe a mesma adoração, é o “Eu sou”, isto é, Deus enquanto age e manifesta o seu Nome. É o próprio Poder soberano d´Aquele que é o Alfa e o Ômega, o Senhor Deus, Aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso, que se revela em Jesus Cristo, “Aquele que nos ama” (1,5). O conceito que João tem de Deus implica uma relação de dependência quando se fala de Jesus Cristo. Todavia, ela se limita à forma pela qual Cristo revela o Pai, qual é a da Encarnação. De fato, ele participa da mesma dignidade e recebe, com o Pai, a mesma adoração. O homem Cristo Jesus, nessa condição, é o nosso Mediador, único, devido à sua excelência, e que opera a nossa redenção enquanto fez da sua vida uma oferta de resgate em nosso favor (Is 53,10). Quando, portanto, no Dia do Senhor, as igrejas celebram Jesus Cristo ressuscitado, pelo Memorial da sua Morte, enquanto aprofundam seu conhecimento pelas Escrituras, estão altamente motivadas a perseverar no testemunho. O que os torna sempre vigilantes, na espera do seu Senhor.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Em que sentido o Apocalipse é uma profecia?
2ª) Qual é a revelação que Jesus pretende fazer a João?
3ª) De que maneira aprofundamos a revelação que João nos relata?
Pe. Fernando Capra/CRSP |