A Igreja instituiu um período de quarenta dias, chamada Quaresma, como uma época de intensa preparação para a participação total e proveitosa no mistério pascal de Cristo.
Durante esse período, os catecúmenos são preparados para o batismo e os pecadores fazem penitência, sendo a liturgia dominada por esses dois temas. A Páscoa, para todo cristão, é a festa do seu batismo, que ele celebra renovando as promessas que o ligam a Cristo, e, se quiser aprofundar-se ainda mais no mistério da ressurreição de Cristo, ele deve matar, pela penitência, toda ligação com o mal que ainda exista em seus membros.
Portanto, no começo da Quaresma, na Quarta-feira de cinzas, todos recebem cinzas sobre a fronte, o que outrora era a marca de um penitente público. Durante os quarenta dias que se seguem, os cristãos redescobrem o significado e as inferências do seu batismo, tentando, com redobrada força, tomar todo o dia a sua cruz e seguir a Cristo. Eles aprofundam seu ódio ao pecado e aprendem como as ações más afetam todo o corpo da Igreja e como são ajudados em seus esforços pelas orações em comum dos seus companheiros cristãos.
A penitência da Igreja tampouco é apenas interior e individual.
Uma vida mais intensa da existência cristã nos leva a prosseguir sem os prazeres dispendiosos, não só para o bem das nossas almas, senão, também, para que possamos ter algo a dar àqueles que sofrem necessidades.
Em cada dia da Quaresma, a liturgia ajuda e orienta nossos esforços por intermédio de leituras cuidadosamente escolhidas, instruções, orações, salmos, hinos e, acima de tudo, pela celebração do sacrifício eucarístico. Todos os que sinceramente desejam preparar-se para a Páscoa deveriam empenhar-se em assistir a essas assembléias, para a instrução da sua fé e para aumentar a sua caridade.
A Quaresma é tão importante para o bem-estar espiritual da Igreja que, durante as três semanas que precedem o seu início, somos avisados de que devemos preparar-nos pela cor penitencial (roxa) dos paramentos e pela ausência do alegre "Aleluia!”.
Os exercícios da prática quaresmal ajudam os fiéis a viverem o verdadeiro espírito da Quaresma num processo de conversão contínua que não consiste apenas na preparação ritual da morte e ressurreição de Jesus Cristo, mas numa experiência profunda de inserção no Mistério Pascal de Cristo. Mistério que atua no presente da vida humana, até completar-se na maturidade dos tempos.
Fonte: Nova Enciclopédia Católica
|