Meus queridos irmãos, mais uma vez estamos aqui com as nossas notícias paroquiais e com as reflexões que nosso jornal, O Mensageiro, nos traz, com tanta precisão.
Neste mês meditaremos sobre o Carnaval. A palavra “carnaval” significa adeus à carne e sua origem remonta aos tempos antigos em que os cristãos tinham a necessidade de acabar, antes do início da Quaresma, com todos os produtos que não podiam consumir durante esse período (não somente carne, mas também leite, ovos,).
Com o passar dos tempos, muitos logo começaram a deturpar o sentido do carnaval, convertendo-o em um pretexto para organizar grandes comilanças e praticarem muitos atos dos quais se “arrependeriam” durante a Quaresma, marcados, por uma série de festejos e desfiles nos quais se exaltavam os prazeres da carne. Em algumas cidades, como a do Rio de Janeiro, Salvador ou Nova Orleans, os carnavais são famosos.
Infelizmente, hoje, carnaval para muitos é sinônimo de morte: orgias, bebedeiras, desrespeito no trânsito, violências e enfermidades. Muitos jovens ficam enfermos por toda vida no carnaval, o que deveria ser somente um momento de alegria e do folclore brasileiro tornou-se carnaval da “morte” da imoralidade, da falta de dignidade humana. Os dias de carnaval, lamentavelmente, são de sofrimento para muitas famílias...
O que quer dizer Quaresma? A palavra que vem do latim quadragésima é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem à festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa, data comemorada desde o século IV.
A Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quarta-feira da Semana Santa , é o em que nós, católicos, nos preparamos para a Páscoa. É um momento reservado para a reflexão e conversão espiritual. A imposição das cinzas nos recorda que nossa vida na terra é passageira e que nossa vida definitiva se encontra no céu, portanto, o cristão deve se aproximar de Deus visando ao crescimento humano e espiritual.
Nós, fiéis, somos convidados a fazer uma comparação entre nossas vidas e a mensagem cristã dos evangelhos. Comparação que significa um renascer para as questões espirituais e de crescimento pessoal.
O cristão deve intensificar a prática dos princípios fundamentais da sua fé... A nossa Igreja nos propõe, por meio do Evangelho, proclamado na Quarta-Feira de Cinzas, tomar consciência da nossa mortalidade, da nossa fragilidade, do inevitável fim da existência terrestre, o que nos ajuda a avaliar melhor os rumos da nossa vida. “ Você é pó e ao pó voltará” Gn3,13; Hb 9,13; como sinal de transitoriedade, Gn 18,27; Jó 30,19, como sinal de luto; 2Sm15,19; Sl 102,10; Ap 19,19; como sinal de penitência, Dn 9,3; Mt 11,2.
As cinzas têm três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias da vida, o Cristão deve buscar o Reino de Deus, lutar para que exista justiça, paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então se recolher para reflexão e se aproximar de Deus. Essa busca inclui a oração, a penitência, a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.
O jejum, assim como a penitência, é visto pela Igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e revertê-lo em serviços de amor e práticas de caridade. Os sacrifícios, como por exemplo: deixar de beber, fumar, comer doces, consumir demasiadamente aquilo que não é essencial, podem ser escolhidos livremente. Ao final dos quarenta dias, oferecemo-los à Igreja e aos necessitados.
Parar de fofocar, mentir, caluniar, brigar com familiares, etc... e no final oferecer, isso em prol da nossa salvação e de todos os homens que labutam pela construção do Reino de Deus e também pela conversão dos pecadores, incluindo a nossa, é o sentido do jejum.
Também neste mês meditaremos sobre a Campanha da Fraternidade, que. neste ano tem como tema: “A Defesa da Vida”.
Nos momentos em que vivemos a cultura da morte a Igreja nos convida a meditar sobre a importância da vida; por isto a nossa Igreja nos convida a lutar pela vida. Há uma escolha para nós, escolhemos a vida ou a morte. O Livro do Deuteronômio nos mostra duas realidades, ou seja, duas escolhas: Dt 30,1-20, ”Deus põe diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição, escolhe pois, a vida, para que viva com a tua posteridade.”
Eis aí o que vamos meditar nesta campanha tão rica de significados e de exortação para nós cristãos: defender, escolher, viver dignamente a nossa vida em prol dos irmãos.
A Campanha da Fraternidade é um instrumento para nos ajudar no espírito quaresmal de conversão, renovação interior a partir da realização da ação comunitária, esta é a verdadeira penitência que Deus quer na preparação da Páscoa, portanto, a Campanha da Fraternidade dá, aos tempos quaresmais uma dimensão histórica, humana encarnada e principalmente, comprometida com as questões específicas do nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.
Somos convidados mais do que nunca nesta Campanha, a meditar sobre a vida. Desde o cartaz que nos apresenta um idoso e uma criança; um negro e um branco; início da vida com a criança, final da vida com o idoso, mostra que somos todos filhos de Deus e juntos formamos o seu povo que irá defender a vida...!
“Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente...” esta é a missão da Igreja mundial e especificamente nossa em nossas comunidades eclesiais de base cristã, pertinho de Cristo Jesus.
Boa quaresma, com a minha bênção e meu abraço fraterno.
Pe. Francisco de Assis Maria Leite - CRSP |