Carta aos Hebreus (1)
Introdução
A Epístola aos Hebreus é pelo seu conteúdo um dos escritos mais solenes e importantes do Novo Testamento. O título, apesar de não ser original, visto que data provavelmente do século II, responde com grande precisão à natureza e conteúdo do livro.
A Carta aos Hebreus não é precisamente um documento epistolar, é antes, um pequeno tratado catequético teológico.
Apresenta uma exposição doutrinal e exortativa correspondendo a um gênero intermediário entre o epistolar e o próprio de um discurso ou sermão escrito.
Hebreus é, na verdade, um sermão escrito, e é importante como um dos primeiros sermões cristãos de que se tem notícia.
Combina explicações teológicas, em grande parte baseadas na interpretação da Bíblia, do Antigo Testamento, com exortações à perseverança na esperança e na fé. As passagens de exortação estão espalhadas pelo sermão e fica claro ao leitor que, como em todo bom sermão, essas passagens são o principal foco da obra.
Pode-se dizer que esse escrito é uma homilia sobre o sacerdócio de Cristo e uma exortação de alento à comunidade em sua vida cristã. O autor, certamente, quis servir-se da forma epistolar para chegar assim a um público mais amplo.
A Epístola faz parte do cânon dos livros sagrados e, portanto, deve ser considerada como um escrito inspirado por Deus; assim o afirmaram alguns Concílios antigos, por exemplo, o de Cartago de 397, e todos os Padres da Igreja. Sua canonicidade foi ensinada de modo solene pelos Concílios de Florença (1442) e de Trento (1546).
Continua no próximo número
Jane do Térsio |