Cristologia (16) - O Cristo do Evangelho de São João
À luz do Senhor ressuscitado, sob inspiração do Espírito Santo, a Igreja apostólica deu início a uma longa reflexão sobre o Jesus com o qual os Apóstolos tinham convivido e que conheceram ressuscitado. João nos dá a reflexão, a mais aprimorada entre todos os evangelistas, exatamente porque escrita já no fim do 1º século. Cronologicamente, dizemos que, em primeiro lugar, a luz do ressuscitado possibilitou a correta interpretação da própria Paixão e morte, vista como algo que fazia parte do Plano de Deus para a redenção dos homens e que redundava em glorificação do próprio Jesus. Ele não era só o Messias, era, também, o Filho de Deus que, atuando em si os ideais do verdadeiro adão, pela sua obediência até a morte e morte de Cruz, elevava a humanidade, assumida no tempo, à Glória da divindade. A Igreja tinha, agora, nele, o seu Cabeça e Guia, no qual todo o poder do Pai era manifestado. Em segundo lugar, foi possível entender o sentido pleno da vida messiânica de Jesus: pelos sinais, se revelava cumpridor das figuras messiânicas e antecipava o que realizaria com a sua imolação.
Com o prólogo, portanto, João apresenta o Cristo Senhor, que a Igreja adora ressuscitado, por aquele que realmente é: a Palavra desde sempre voltada para o Pai, que conhece o Pai, que é criadora de tudo, e que, ao assumir a condição humana quer dar testemunho de tudo o que sempre vê e conhece, para que, por ele, Luz do mundo, os homens tenham a vida, saindo das trevas em que precipitaram por causa dos seus pecados.
Através de João Batista, reconhecido em Israel como profeta, toda a profecia pode ser aplicada a Jesus, com segurança, reconhecendo nele o Cordeiro que tira o pecado do mundo, Aquele que vem com o Espírito, e que existe desde sempre, que batiza no Espírito e que é o Filho de Deus. Tudo está profeticamente contido nas Escrituras. Enquanto Jesus as cumpre, delas revela o sentido e o sentido último da sua pessoa, nos abrindo os horizontes para uma revelação definitiva da sua condição divina, que implica um conhecimento da própria natureza trinitária de Deus.
A condição divina de Jesus terá a sua plena manifestação na glorificação do Filho do Homem, mediante a atuação da figura do Servo de Iahweh que oferece a sua vida em sacrifício, enquanto carrega sobre si as nossas culpas. Pela sua imolação a humanidade será desposada pela divindade e receberá a comunicação plena do Espírito Santo, tornada, sobre Cristo Jesus pedra angular, o templo de Deus.
Enquanto a igreja vive na terra a expectativa da manifestação gloriosa dos filhos de Deus, ela reconhece, no seu Mestre, o seu Guia que a instrui pelo Espírito, lhe ensina as Escrituras, a guia, como Moisés, no deserto enquanto a nutre com o alimento-sacramento do seu sacrifício. Jesus é fonte para ela do Espírito, a água cristalina que comunica a vida divina, é para ela a Luz do mundo, o Pastor, a Ressurreição e a Vida.
Um lugar já nos foi preparado. Para quem vive segundo os mandamentos de Cristo já é dado de ter em si a vida da Trindade santa, por meio do Espírito que faz dele um ramo da videira, que é Cristo Jesus. Quando se manifestar o que somos, participaremos da mesma glória que Cristo obteve, do Pai, com a sua imolação.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que forma João aprimora a apresentação de Jesus em relação aos outros Evangelistas?
2ª) Qual é o sentido da Morte de Jesus, para João?
3ª) Quais são os sinais na vida de Jesus que ilustram a graça alcançada pela sua Morte de Cruz?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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