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Orar ou Rezar |FEVEREIRO


Se formos ao dicionário não encontraremos qualquer diferença entre os dois verbos: se equivalem. Um é citado como sinônimo do outro, no famoso "Aurélio". Nossos irmãos evangélicos não concordam com isso. Muitos deles afirmam que não é a mesma coisa. Usam sempre o verbo orar... Talvez para ficar diferente de nós, que usamos, quase sempre, rezar, e orar, de forma substantiva: fazer oração, ou seja, orar ou rezar, o que dá no mesmo.

Entretanto, se prestarmos atenção, vamos perceber alguma sutil diferença que o dinamismo da língua sugere, podendo vir a ser, algum dia, consignada nos dicionários. Por exemplo, nunca dizemos "fazer a oração do Pai-Nosso" ou "da Ave-Maria". Parece que, na tradição católica, ficou de alguma forma implícito que rezar está um tanto ligado a recitar. Ora, recitar é muito mais interpretar do que orar. E é aí que mora o perigo... As orações que aprendemos a recitar desde criança, de tanto repeti-las, a partir da "decoreba" infantil, deixamos de pronunciá-las em espírito de oração, de compromisso com o que se está dizendo.

Falamos, mas não refletimos sobre o que falamos nem nos comprometemos com aquilo que nós mesmos estamos prometendo na própria oração.

Em uma reunião dos ministros da Eucaristia da minha paróquia, alguém comentava que muitos de nós somos mentirosos, porque chamamos Deus de Pai Nosso, mas não nos consideramos irmãos uns dos outros; pedimos perdão pelas nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido, quando efetivamente não conseguimos perdoar sequer a menor das faltas do próximo; pedimos que venha a nós o reino de Deus, mas não abrimos espaço para que este reino aconteça; ao contrário, abrimos todo o espaço para o mal, pedindo que sejamos livrados dele!
Colocamo-nos à disposição da tentação... e pedimos que não caiamos nela... E assim por diante... Haja incoerência!

Nada há de errado em recitarmos nossas orações, belíssimas por sinal, em especial aquela citada acima, ensinada pelo próprio Jesus Cristo. No entanto, é preciso, pelo menos de vez em quando, refletirmos sobre cada frase de cada oração que habitualmente pronunciamos e procuramos mergulhar nela de forma que, ao rezar, estejamos em oração tão profunda quanto possível, evitando, assim, o dispersar da atenção. Fechar os olhos é a melhor maneira de olhar para dentro de si mesmo, único "lugar" onde é possível "ver" o infinito. Feche os olhos. Pense... E aquilo mesmo que você quer dizer a Deus? E aquilo mesmo que você quer pedir a Deus? É aquilo mesmo que você quer pedir a Deus? Você tem feito a sua parte nesse processo de dar e receber? Você tem sido sal da terra e luz do mundo? Você já pensou nas palavras do credo cristão, a nossa profissão de fé?
Há sinceridade ao dizê-las?

Marcos Pimenta

 
 
 

VEJA NO MÊS DE FEVEREIRO/2007:


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