1 e 2 Carta aos Tessalonicenses (4)
Conteúdo e Mensagem (continuação)
Completando o nosso estudo e reflexão temos o texto da Bíblia Sagrada da Universidade de Navarra:
Nestas cartas encontram-se mencionados as principais verdades da fé e os fundamentos da moral cristã. Os principais artigos da fé, que a Tradição cristã formula no Símbolo dos Apóstolos, aparecem já nestas epístolas, escritas apenas uns vinte anos depois da morte de Cristo e do nascimento da Igreja em Pentecostes
Paulo ensina que Deus é Pai (1 Ts 1,3; 2 Ts 1,1), e nEle tem o seu princípio a salvação ( 2 Ts 2,14). Jesus é Filho (Cf. 1 Ts 5,9-10). A salvação realiza-se "por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós" (1 Ts 5,9-10) e ressuscitou " (1 Ts 4,14; Cf. 1 Ts 1,10). Ele há de vir de novo (Cf. 1 Ts 2,19; 3,13; 1,10), com todo o Seu poder e majestade (Cf. 1Ts 4,16), para julgar (Cf. 2 Ts1,5; 1 Ts 4,6) os vivos e os mortos ( Cf. 1 Ts 4,16-17) , retribuindo a cada um segundo as suas obras: os ímpios serão condenados (Cf. 2 Ts1,8-9) e os que fazem o bem gozarão do Seu Reino ;(Cf. 2 Ts 1,5) por toda a eternidade (Cf. 1 Ts 4,17). Deus Pai envia o Espírito Santo (Cf . 1 Ts 4,8), a Quem se atribui a nossa santificação (Cf. 2 Ts 2,13), movendo-nos a acolher com gozo a pregação da palavra de Deus ( Cf. 1 Ts 1,6).
A doutrina moral destas cartas está enraizada no chamamento de todos os cristãos à santidade: "porque esta é a vontade de Deus: a vossa santificação"( 1 Ts 4,3; Cf. 4,7-8; 5,9). Para alcançar esse fim é necessário que participemos da própria vida de Cristo ( Cf. 1 Ts 5,10), apoiando-nos nas virtudes teologais: temos de estar "revestidos com a couraça da fé e da caridade, com o elmo da esperança" (Cf. 1 Ts 5,8).
As relações entre os homens hão de fundar-se na caridade fraterna (Cf. 1 Ts 4,9); daí que nós os cristãos devamos dar bom exemplo (Cf. 1 Ts 5,11) , corrigir os que vivem em desordem, alentar os pusilânimes, suster os enfermos e ter paciência com todos ( Cf. 1 Ts 5,14)
Torna-se necessário estar vigilantes (Cf. 1 Ts 5,6), sem nos deixarmos dominar pela concupiscência ( Cf. 1 Ts 4,5), vivendo em tudo a sobriedade (Cf. 1 Ts 5,6). Há que estar sempre alegres, orar sem cessar, dar graças por tudo (Cf. 1 Ts 5,16-18) e trabalhar com seriedade (Cf. 1 Ts 4,11-12).
Escatologia: A doutrina exposta com maior extensão nas cartas aos Ts é a relativa aos últimos tempos. Distinguem-se dois níveis: o que acontece a cada pessoa depois da morte (escatologia individual), e o que sucederá no fim dos tempos, quando for público o triunfo final da Igreja, a glória dos que se salvam e a confusão dos condenados (escatologia geral).
A vida dos homens não termina com a morte, já que a alma continua viva, por ser imortal. Os fiéis não devem entristecer-se diante da morte, como acontece àqueles que não têm esperança ( 1Ts 4,13). Imediatamente depois da separação do corpo, a alma goza da visão de Deus (Cf. Fl 1,23 e 2 Cor 5,8), enquanto o corpo aguarda o dia da ressurreição. A razão última desta verdade de fé esta em que, se Cristo ressuscitou, também nós ressuscitaremos com Ele (Cf. 1 Ts 4,14).
Portando, esperamos, no fim dos tempos, a ressurreição dos corpos, depois da vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, que o Apóstolo descreve com solenidade: "Porque quando a voz do Arcanjo e a trombeta de Deus derem o sinal, o próprio Senhor descerá do céu" (1 Ts 4,16) . A linguagem apocalíptica empregada para narrar a segunda vinda do Senhor manifesta o mistério e o poder de Deus. Depois da parusia produzir-se-á a ressurreição dos mortos. Os corpos voltarão a ser vivificados pelas suas próprias almas, e aqueles que tiverem vivido até esse dia sairão junto com seus irmãos defuntos ao encontro do Senhor (1 Ts 4,16-17); não obstante, também os corpos daqueles que vivam serão transformados gloriosamente (Cf. 1 Cor 15,51).
Portanto, os que tenham morrido antes da parusia não estarão em condição inferior em relação com os que ainda vivam nesse momento.
Paulo não concretiza o tempo da parusia, pois "acerca do tempo e das circunstâncias, irmãos não necessitais que vos escreva" (1 Ts 5,1). Limita-se a exortá-los (1 Ts 5,2), mas algumas de suas frases: " Nós os que vivamos, os que fiquemos até a vinda do Senhor " (1 Ts 4,15) "Nós , os que vivamos, os que fiquemos" (1 Ts 4,17) foram mal interpretadas por uns quantos, que pensaram que a segunda vinda do Senhor seria breve, e tais idéias inquietaram e fizeram perder o bom senso a não poucos em Tessalonica. (Cf. 2 Ts 2,2). Não obstante, não tinha pretendido afirmar que a parusia seria iminente, nem ele viveria até esse momento.
Paulo escreve a segunda carta precisamente para esclarecer que não está iminente o dia do Senhor (Cf. 2 Ts 2,2), e recorda-lhes alguns dos sinais que a precederão: a apostasia(Cf. 2 Ts 2,3) e a manifestação do " homem da iniqüidade" (Cf. ibid).
Finalmente chegará o momento, tão esperado, da vinda gloriosa do Senhor com todo o Seu poder e majestade. Então acontecerá "o justo juízo de Deus" (2 Ts 1,5) em que tomará "vingança dos que não conhecem a Deus nem obedecem ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus. Estes serão castigados com uma pena eterna, afastados da presença do Senhor e da glória do Seu poder" (2 Ts 1,8-9). E também então, os que padeceram por ser fiéis à doutrina de Jesus Cristo serão tidos por "dignos do reino de Deus" (2 Ts 1,5), e estarão para sempre com o Senhor.(Cf. 1 Ts 4,17).
As Epístolas aos tessalonicenses são ambas testemunhas fundamentais sobre a Igreja antiga e sua esperança. A ausência de longos desenvolvimentos dogmáticos não faz delas escritos de menor monta, pois, na sua relativa simplicidade, elas mencionam tudo o que constitui a fé comum dos primeiros cristãos e a experiência dos primeiros missionários: o amor de Deus que chama: o senhorio de Cristo, cuja volta se espera ardentemente, a ação transbordante do Espírito na palavra do anúncio e na vida das comunidades, a certeza da ressurreição, a perseverança em meio à perseguição, o amor fraterno que torna solidários os cristãos e as comunidades.
Ao retornar a leitura dessas fontes os cristãos encontram um convite a viver com a mesma esperança e o mesmo ardor dos primeiros cristãos.
Textos seletos
1 Ts 1,2-10 Obra do Espírito Santo
1 Ts 2,1-13 A pureza de intenção de Paulo na pregação.
1 Ts 3,1-13 a missão de Timóteo. V 9 agradecimento a Deus pela alegria que eles deram.
1 Ts 4,3- a vontade de Deus é a santificação
1 Ts 5,8 - a importância da fé, da esperança e da caridade.
1 Ts 5,15- que ninguém retribua o mal com o mal, procurai sempre o bem uns dos outros e de todos.
1 Ts 5,16 a alegria, a oração e a ação de graças.
2 Ts 2,2 não perder a serenidade de espírito.
2 Ts 2,13 Deus nos escolheu desde o principio para sermos salvos mediante a santificação do Espírito e a fé na verdade.
2 Ts 3,10 quem não quer trabalhar também não há de comer.
2 Ts 2,13 não nos cansemos de fazer o bem.
Peçamos a Deus que sigamos as recomendações de São Paulo: estejamos sempre alegres, oremos sem cessar, demos graças a Deus por tudo, nunca nos cansemos de fazer o bem e não nos esqueçamos que Deus nos escolheu desde o princípio.
Jane do Térsio
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