O mês de fevereiro, liturgicamente, inicia-se com a festa do dia 2, quando lembramos a “Apresentação de Jesus no Templo e a Purificação de Maria”. De acordo com a tradição judaica, quando uma mulher dava à luz, devia permanecer quarenta dias de resguardo. Passados esses dias ela entrava novamente na normalidade de seus ciclos menstruais. Até mesmo hoje em dia, em algumas regiões do Brasil, se conserva o costume, a que se dá nome de "resguardo".
Se o filho era seu primeiro filho homem, então a lei judaica prescrevia que a criança devia ser apresentada no Templo para ser consagrada a Deus. Nesse caso, a mãe acompanhava a criança, fazia sua purificação, e se ofereciam presentes a Deus.
No caso de Jesus, filho de Maria, por serem pobres, os pais ofereceram dois pombinhos. A Apresentação de Jesus no Templo é uma das festas mais antigas do cristianismo (séc.IV), que foi instituída como substituição às festas romanas da primavera.
Relacionado com essa festa está o costume das procissões luminosas em honra de Maria. Nossa
Senhora da Luz, entre nós, é conhecida como Nossa Senhora da Candelária e Nossa Senhora das Candeias. Candeia é uma palavra portuguesa que quer dizer vela, e que era muito usada antigamente antes da luz elétrica. Faziam-se candeias de cera ou de pavio, embebido no azeite.
Na festa litúrgica do dia 2 de fevereiro, costuma-se benzer as candeias, círios e velas, que são levados em procissão antes da missa em memória do que disse Simeão, ao receber nos braços o Menino Deus, à porta do templo: "Este menino será luz para iluminação das gentes e glória do povo de lsrael"(Lc 2,22-32).
A festa de Nossa Senhora das Candeias é muito querida no Brasil, de modo especial nos lugares em que a colonização portuguesa foi mais marcante.
Mas, por que acender velas? Em parte Já tivemos a resposta quando associamos a vela à luz, e a luz a Cristo, luz do mundo. A vela acesa seria um símbolo de nossa fé em Jesus. Além disso, existem outros significados piedosos, como se a vela que eu acendo, de modo especial num Santuário, significasse o meu desejo de estar ali para sempre, brilhando diante de Deus, como uma verdadeira consagração, uma promessa, um voto de fidelidade. É por isso também, que muitas congregações escolhem essa data, 2 de fevereiro, para realizarem os votos religiosos de seus confrades. Irmãos e irmãs se consagram a Deus, com velas acesas na mão, fazendo os três votos: castidade, pobreza e obediência.
Sabemos que se acendem velas para Deus, como dissemos, e não para o diabo. Por trás do gesto e significado de se acender uma vela, está o desejo de alguma graça, está o interesse da pessoa que faz o voto e que acende a vela por alguma necessidade. É um direito seu, uma vez que sua fé leva até Deus, o Deus que é poderoso e que pode nos ajudar.
Conta o Pe. Queiroz, da Basílica de Aparecida que um caminhoneiro chegou correndo ao santuário com uma vela do seu tamanho e pediu que o padre acendesse a vela em seu lugar, porque estava com pressa. Ele gostaria de ficar ali rezando um tempão, como disse ele. Mas como não podia, que pelo menos a vela ficasse queimando no seu lugar.
Na maioria das igrejas não é permitido acender velas votivas no seu interior,por causa do risco de incêndios ou acidentes.
Acender velas do lado de fora das igrejas é o mesmo que acendê-las no seu interior. O que importa é a sua intenção e o seu voto.
Pe. Ronaldo Pelaquin,C. Ss.R
(Texto da Revista Aparecida)
|