Cristologia - O adão verdadeiro
Jesus
Cristo está no centro de toda a história. Ele une em si a condição
humana e a condição divina. É Deus, como pessoa: a segunda
Pessoa da Ssma. Trindade. É homem, também, porque o Filho do Pai
eterno assume a natureza humana a partir do momento em que é concebido
no seio de Maria por obra do Espírito Santo. Logo aparece uma observação
importante a ser feita. É verdade que, segundo a natureza humana, Jesus
é fruto da ação do Espírito de Deus. Contudo, é,
também, verdade que, como Pessoa divina realiza, com o Pai e o Espírito,
essa obra; enfim, é verdade que quem se encarna é somente a segunda
Pessoa da Ssma. Trindade, Aquele que ao entrar no mundo diz ao Pai: "Não
te foram aceitos os sacrifícios e os holocaustos, eis-me aqui está
escrito no Livro- para fazer a tua vontade." (Hb 10,5). Aparece, dessa
forma, de maneira clara, que Jesus é consubstancial ao Pai, mas que, na
condição de homem em que se tornou, lhe foi inferior, mas só
por um pouco, até que levasse a sua humanidade à perfeição,
pela obediência até a morte de Cruz (Fl 2,6-11). Então, Deus,
isto é o Deus Trinitário, o exalta: o homem Cristo Jesus recebe
o Nome de Senhor. Jesus é, então, a Glória de Iahweh, aquela
Glória que começou a se manifestar a partir do seu nascimento e
que teve a sua suprema manifestação no momento da sua ressurreição,
de forma que o seu lugar último é o trono do Pai (Ap 3,21). O Homem
Cristo Jesus, elevado ao céu, participa, a pleno título, da Glória
da Divindade. Acontece o indizível, o homem se torna Deus e, àqueles
que, em virtude da Encarnação, se tornaram seus irmãos, é
dado de se tornarem filhos adotivos do mesmo Pai, pela fé nele e na sua
redenção. A forma com que se dá a nossa divinização
ilustra toda a riqueza da divindade que Cristo possui e nos comunica. Ele é
o Adão verdadeiro, aquele no qual Deus pensou quando falou: "Façamos
o homem a nossa imagem e semelhança". Jesus, que se tornou em tudo
igual a nós, exceto o pecado, é o único homem que, pela perfeita
obediência e pela imolação, sinal supremo do reconhecimento
do homem da sua dependência do Criador, conduziu a sua humanidade à
perfeição, por virtude própria. Por isso, o Santo, isto é
Deus, não podia conhecer a corrupção, na humanidade assumida.
O Adão novo se torna, então, princípio de santificação
para os seus irmãos, que se santificarão enquanto fizerem do Modelo
que ele lhes deixou, o seu Caminho. Contudo, Jesus, não é só
Modelo de vida, é, também, Princípio de vida, porque, em
virtude da sua imolação, se torna fonte do Espírito que purifica
e renova. Jesus Crucificado é o Caminho vivo, o autor e realizador da fé.
Na condição de Palavra que se fez carne, Jesus, como diz São
João, se torna a Luz, capaz de comunicar a Vida (Jo 1). É Aquele
que o Pai, no momento da ressurreição constitui Dia, a primeira
das criaturas: "Tu és meu Filho, eu a ti constituo Dia, Luz"
(Sl 2,7). Por causa disso está nele "toda a primazia" (Cl 1,18).
Com a sua Vinda ao mundo, o mistério anunciado mediante a promessa de um
Redentor (Gn 3,15) é desvendado. Como poderia um descendente da estirpe
humana estar em condições de remir, quando todos estão debaixo
da desobediência?. Isto acontece porque o Novo Adão é Deus.
Perguntas
para uma reflexão:
1ª) Quais são as prerrogativas de
Cristo Jesus, o Adão verdadeiro?
2ª) De que forma é
possível, em Cristo novo Adão, a nossa divinização?
3ª)
De que forma se realiza em Jesus a profecia de Gn 3,15?
Pe. Fernando
Capra/CRSP |