Uma
proposta de inclusão fraterna
Na sua reunião de agosto
passado, o Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (CONSEP) definiu o tema da Campanha
da Fraternidade de 2006, "Fraternidade e pessoas com deficiência",
e o lema, "Levanta-te, vem para o meio" (Mc 3,3).
Na verdade,
o tema já tinha sido escolhido numa reunião anterior do CONSEP,
mas havia dúvidas sobre a maneira mais adequada de propor o enunciado:
"Pessoas especiais"? "Pessoas portadoras de deficiência"?
Ao longo da história recente foram diversas as maneiras de denominar esses
irmãos, que são freqüentemente vítimas de exclusão
social e de discriminação. Levando em conta diversas observações
de grupos organizados de pessoas com deficiência e de especialistas no trato
com elas, preferiu-se a denominação "pessoas com deficiência".
Esta é a nomenclatura geralmente usada no presente.
Quem são
as pessoas com deficiência? São tantas: Cegos, surdos, mudos, os
que têm algum tipo de lesão ou invalidez física, ou deficiência
mental; os que dependem de condições especiais para viverem. E tantos
outros. Esses grupos preferem ser reconhecidos como tais, e que a sociedade os
leve a sério, como são, sem tentar camuflar sua deficiência,
nem pretender que devam ser em tudo iguais aos outros.
O lema, por sua
vez, é tomado da passagem do evangelho de São Marcos, onde Jesus
cura um homem da mão atrofiada, que estava na sinagoga. Tudo leva a pensar
que aquele pobre homem era desprezado e deixado lá num canto, por causa
da sua condição. Os fariseus observam, para ver se Jesus o curava,
embora fosse sábado: Precisavam de um argumento para acusá-lo. Jesus
chamou o homem: "Levanta-te, vem para o meio!" E o curou, na frente
de todos.
A palavra de Jesus restitui dignidade àquela pessoa com
deficiência; é um convite para que tome coragem e venha para o meio
dos outros, venha ocupar o seu espaço social e eclesial, e não tenha
medo nem sinta baixa auto-estima; aquele pobre homem deve saber que é gente
e tem valor; sua deficiência não lhe impede de viver. Ao mesmo tempo,
a palavra e atitude de Jesus são uma mensagem para os outros, os saudáveis
e válidos, os que têm a capacidade de raciocinar e até para
tramar coisas ruins: Nada de deixar de lado os que têm alguma deficiência,
nada de desprezá-los e abandoná-los a si próprios; todos
devem acolhê-los e valorizá-los, ajudando-os a se tornarem livres,
apoiando-os fraternalmente em vista da sua inclusão social.
O exemplo
e a palavra de Jesus continuam a nos desafiar para fazermos o mesmo que ele fez.
Em nossos dias, a cultura dominante vai afirmando a tendência a valorizar
apenas os fortes, os belos, os que têm um corpo perfeito, os que são
capazes de competir e se afirmar, quem pode mais... E com isso, tantas pessoas
que não se enquadram nos padrões impostos pelo mercado, a moda e
os preconceitos sociais, vão ficando de lado, abandonadas a si próprias,
lá num cantinho.
Com certeza, a Campanha da Fraternidade de 2006
será ocasião para uma grande tomada de consciência sobre a
realidade geralmente não fácil enfrentada pelas pessoas com deficiência.
Será objetivo da Campanha promover em relação a elas atitudes
fraternas e ações voltadas para uma verdadeira cultura da solidariedade
humana e da fraternidade cristã, que se traduza em leis justas e políticas
públicas adequadas para favorecer o reconhecimento de sua dignidade e seus
direitos. Deus nos ajude!
Dom Odilo Pedro Scherer Bispo Auxiliar
de São Paulo- Região Episcopal Sant'Ana
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