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Vamos conhecer a Bíblia|FEVEREIRO


Carta aos Gálatas (2)

A Problemática dos Gálatas

Não muito depois que Paulo partiu, cristãos judaizantes vieram argumentar que, a fim de ser um bom cristão, era preciso primeiro ser um bom judeu, sendo circuncidado e observando outros preceitos da Torá.

Para compreender a Epístola aos Gálatas, é necessário conhecer a situação histórica das Igrejas às quais Paulo escreve. A crise que obriga o Apóstolo a intervir não é um incidente de alcance local; é uma fase determinante na evolução da Igreja nascente. Esta faz então uma opção decisiva, que deve efetuar para ser fiel à verdade do Evangelho e renovar em todas as épocas da sua história, em nome desta fidelidade.

Através dos Atos dos Apóstolos, tomamos conhecimento do papel representado por Paulo na expansão da Igreja. Ele é o Apóstolo das nações, enviado de maneira especial aos pagãos (At 9,15; 22,21; 26,17), mas a sua missão esbarra na oposição constante de um meio de origem judaica, cuja tese é resumida por Lucas: "Se não vos fizerdes circuncidar segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos" (At 15,1) Esses judaizantes querem, portanto, impor aos fiéis de origem pagã o jugo da lei mosaica.

Os judaizantes seguem vivendo no mundo antigo e querem a ele reconduzir os gálatas; assim eles pervertem o Evangelho, baseando-se no Antigo Testamento, Paulo, ao invés, mostra que o Antigo Testamento só alcança o seu sentido autêntico quando Cristo cumpre o que Ele promete.

Imediatamente ao aperceber-se do perigo dos judaizantes escreve-lhes uma carta enérgica, definida como um grito de amor e de dor, com a dureza e a ternura de quem ama e sofre: "insensatos" (3,1) "meus filhos" (4,19) "irmãos" (4,12.28.39; 5,11).

Ao receber as notícias da Galácia, Paulo se alarma e se indigna, porque isso vai frontalmente contra a essência da sua mensagem e da sua missão. Os judaizantes não pretendiam que os judeus convertidos continuassem observando a lei, e sim que os pagãos convertidos a adotassem como requisito de salvação. Com outras palavras, os pagãos tinham que passar pelo judaísmo para incorporar-se ao cristianismo.

Tratava-se de escolher entre um cristianismo reduzido a seita judaica e um cristianismo desligado de condiciona-mento histórico-culturais, verdadeiramente aberto a toda a humanidade. As implicações cristológicas e eclesioló-gicas eram tão radicais que as duas posições apresentavam visões profundamente diferentes de Cristo e da Igreja.

Os judaizantes ensinavam argumentando que no Evangelho de Paulo era uma heresia perigosa: a lei não foi suprimida por Cristo: a salvação só é proveitosa aos gentios se primeiro se tornarem judeus e se submeterem a circuncisão e à lei.

Os judaizantes atreveram-se até a diminuir o prestígio de Paulo dizendo que ele não era um verdadeiro Apóstolo, não pertencia ao colégio dos Doze, não viu Jesus, nem esteve com Ele, se converteu depois da Ressurreição, somente os Doze eram apóstolos reais. Chegam até a lançar suspeitas sobre o seu caráter: ele seria somente um agente dos verdadeiros Apóstolos e dos quais aprendeu e dos quais dependerá.

Nenhuma de suas Epístolas está tão inflamada de cólera e de paixão como esta. Nesta Epístola. Paulo luta contra aguerridos e astutos inimigos da pregação cristã, isto é, contra o rabinismo e o legalismo judeu-cristão habilmente mascarado. Por último, Paulo se defende contra as tentativas de solapar a cristologia e soteriologia do Novo Testamento.

Como aluno da escola rabínica, Paulo manejava com domínio perfeito o instrumental teológico-científico do judaísmo contemporâneo, sendo sem dúvida alguma o interlocutor e o polemista ideal para combater os judaizantes exatamente com as armas e os argumentos dialéticos que estes procuravam usar contra ele. A perícope de Gl 4,21-31 constitui um exemplo clássico em que Paulo evidencia a sua formação teológico-judaica, que lhe permite argumentar com alegorias (4,24).

Paulo frisa dois pontos: a origem divina do seu apostolado e o poder salvífico do sacrifício de Cristo. A indignação do Apóstolo explica o fato de que esta é a única das suas epístolas que não contém agradecimento inicial.

A agressividade de Paulo é perceptível desde o início. A brusca afirmação de autoridade (1,1) e a ausência de qualquer palavra de elogio são muito insólitas no seu estilo. Entra logo no assunto (1,6) e o faz com extrema franqueza. A questão é séria e põe em perigo todo o edifício do evangelho cristão.

A agressividade e as doutrinas daqueles judaizantes levaram o Apóstolo, movido pelo Espírito Santo, a deixar claramente plasmado o ensino sobre a justificação pela fé
e sobre a liberdade cristã.

Conteúdo

A carta aos Gálatas é o único documento que registra a crise que abalou os cristãos da Galácia. Ela é um documento autobiográfico de Paulo, além de ser um documento de alta espiritualidade.

A finalidade da Carta é claramente definida: refutar os erros dos judaizantes que tinham ido perturbar a fé dos gálatas, ensinando a necessidade da observância da Lei de Moisés.

Os gálatas devem fazer uma opção decisiva entre a servidão e a liberdade, isto é, entre Cristo e a Lei (5,9-12) e, no plano moral, entre a carne e o Espírito (5,13-25). Esta Carta ficou sendo a grande carta da liberdade cristã.

Nenhuma epístola paulina é mais carta, nenhuma é mais pessoal e reveladora da alma de Paulo. Não se pense, porém, num escrito autobiográfico, privatista. Claro, sua pessoa está no primeiro plano, mas somente enquanto Apóstolo, enviado do Senhor Jesus e do Pai (1,1), anunciador da "verdade do evangelho" (2,5.14) e "escravo de Cristo" (1,10). No centro da carta está o evangelho que lhe foi revelado por Deus (1,11-12.16), e que deve ser defendido dos ataques frontais feitos pelos sublevadores da Galácia. Neste sentido podemos aceitar a definição de carta defensiva. Está claro, enfim, que se trata de uma carta circular, tendo sido endereçada a várias comunidades cristãs (1,2)
Pelo conteúdo principal, não pela situação pressuposta nem pelo tom, esta carta se aparenta estreitamente com a carta aos Romanos, que é uma carta equilibrada, Gálatas é mais polemica.
O fato é que existe uma grande afinidade entre Gl e Rm, visto que as duas cartas tratam do mesmo tema, ainda que a partir de perspectivas ligeiramente diferentes. Ambas, pois, versam sobre a graça, isto é, a justificação outorgada pela fé em Cristo, em oposição às obras da Lei. As duas cartas, na realidade, se completam e se explicam mutuamente.

Divisão

+1 parte: Biográfica- 1,1-2,21. Apologia pessoal. Paulo justifica o seu ministério de Apóstolo e o seu evangelho:

1,1-10 Saudação e apresentação do tema. Evangelho disvirtuado.

1,11-24- Formação e vocação de Paulo.

2,1-10- Paulo e os outros Apóstolos: Pedro, João e Tiago.

2,11-21- Incidente de Paulo em Antioquia. Evangelho de Paulo.

+ 2 parte: Doutrinal 3,1- 4,31

3,1-5 - O retrocesso dos Gálatas.

3,6-14- A fé e a Lei.

3,15-22- Lei e promessa.

3,23- 4,31- Escravidão filiação e liberdade.

4,12-20- Paulo e os Gálatas.

4,21-31- As duas alianças Agar e Sara.

+3 parte: Parênese - 5,13- 6,10. A parte Moral.

5,1-12- Liberdade cristã.

5,13- 6,10 O verdadeiro significado da liberdade cristã. A verdadeira liberdade. Os frutos do Espírito.

6,1-10- Ajuda mútua.

6,11-18- Conclusão e despedida escrita do próprio punho por Paulo.

Continua no próximo número

Jane do Térsio

 
 
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      Convites

 
cf2008

Cabe a nós fazer uma mudança no mundo para colocar a lógica do suficiente no lugar da lógica do esbanja-mento. Seja sincero:
Usa seus bens somente o necessário?
Usa mais do que o necessário, isto é esbanja?
Usa menos que o neccesário, guardando algo para amanhã?

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