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CRISTO REDENTOR (8)
NOÉ
A primeira forma pela qual Noé é lembrado (Gn 5,29)
trata da etimologia do seu nome. Resulta que Noé é
a conclusão da Descendência e se caracteriza como lavrador
da terra. Por meio dele, não obstante a maldição
da terra pronunciada contra Adão por causa da sua rebeldia,
a terra dará uma consolação ao homens, o vinho,
do qual ... temos um amplo elogio. Com isto, Noé já
começa a ser figura de Cristo que dá o vinho da alegria
à humanidade: é o que as Bodas de Caná nos
ensinam. Também, a terra, por ele, é resgatada da
sua maldição e o que, por Cristo, os homens oferecem
dos frutos da terra, se torna uma oferta aceita pelo Senhor.
Noé é, por uma razão ainda maior, figura de
Cristo porque é aquele que dá origem a uma nova humanidade
(Gn 10,1.32), pelos filhos que gerou (5,32) e que salvou da destruição
(7,1) da qual toda a humanidade se tornou merecedora por causa da
sua total degeneração. Noé é o justo
que Deus suscita. É a realização da promessa
da Descendência salvadora (Gn 3,15). A ele Deus manda construir
a Arca que é símbolo do batismo (1Pd 3,21) e de toda
a economia da salvação, em Cristo. Por três
vezes é dito de Noé que "tudo o que Deus lhe
ordenara, ele o fez" (6,22;7,5.16). Pela figura de Noé
que "encontra graça diante dos olhos de Deus" (6,8),
que é "o único justo" (7,1) e que faz "tudo
o que Deus lhe ordenara", entendemos melhor de que forma o
nosso Redentor realizou a nossa salvação, tendo assumido
a nossa condição humana, atuando dessa forma, de maneira
surpreendente, o que tinha sido anunciado pela promessa da Descendência.
A simbologia se torna completa com o quadro do sacrifício
que Noé oferece no momento em que sai da Arca. Deus se agrada
com o sacrifício de Noé e, por causa disso, jura que
nunca mais amaldiçoará a terra, tornando Noé
o novo Adão que dá origem a uma estirpe humana de
redimidos. A figura de Noé que não está só
e sim, acompanhada pelos filhos e noras, ilustra perfeitamente a
condição de Cristo Redentor que, quando atua a salvação,
já não está só como o Adão da
criação. Ele está
plenamente inserido na humanidade embora ele seja o único
que salva, enquanto chamado por Deus Pai para atuar o Plano da salvação.
Não há dúvida que se trata de uma nova criação
porque os termos são iguais aos que encontramos em Gn 1,28s.
Vemos, dessa forma que de figura em figura as Escrituras ilustram
a nossa salvação. Tudo isso Jesus tentou explicar
aos discípulos de Emaús. Ao se revelar aos discípulos
reunidos no Cenáculo mostrou como aquilo que ele atuou de
forma extraordinária, ao longo do caminho com os dois discípulos,
pode ser repedido pela sua Igreja de forma sacramental: pelo seu
Espírito que fala às igrejas pelas Escrituras (Moisés,
Profetas e Salmos). Podemos inflamar os nossos corações
e reconhecê-lo na "fração do pão"
que ele mandou "fazer em sua memória" (Lc 22,19).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são as prerrogativas de Noé que o tornam
preclara figura de Cristo?
2ª) Qual é o sentido profético do sacrifício
que Noé oferece a Deus após o Dilúvio?
3ª) Por que as Escrituras são o sacramento do Espírito
Pe. Fernando Capra/CRSP
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