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Fé e Política | FEVEREIRO


“Como acabar com os picaretas”

Há cerca de 1 ano, em uma interessante pesquisa feita pelo IBOPE e encomendada pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, sobre a credibilidade das instituições brasileiras, foi constatado o total descrédito dos nossos governantes e políticos em geral. As instituições governamentais (executivo e legislativo) foram as de pior desempenho com relação à confiança e credibilidade da população enquanto que a Igreja Católica e o Corpo de Bombeiros ocuparam as primeiras colocações nesta mesma pesquisa. O objetivo da nossa coluna neste mês não é refletir sobre a grande credibilidade da Igreja Católica ou do Corpo de Bombeiros, mas analisar o tamanho descrédito dos nossos políticos e as conseqüências desse sentimento sobre a nossa sociedade.

O primeiro aspecto que me chama atenção neste resultado é que a mesma vontade popular que desqualifica e desacredita os políticos é a mesma que os põe ou tira de seus mandatos. O mesmo já não acontece com a Igreja ou com o Corpo de Bombeiros, uma vez que os seus integrantes não são escolhidos através do voto direto. Interessante, não?

Não estou querendo aqui defender a atuação dos nossos políticos. Muito pelo contrário. Esse sentimento é fruto de atitudes nada éticas como as vendas de votos em CPI, as práticas de nepotismo (nomeações de parentes para cargos comissionados), as trocas de "favores" através das famosas emendas parlamentares para aprovar os orçamentos do Executivo (em todas as esferas: Estadual, Municipal e Federal) entre outras falcatruas e deslizes que, infelizmente, nos acostumamos a ver quase que diariamente no trato da coisa pública por parte de alguns mandatários. E, por mais incrível que possa parecer, isso é feito apenas por uma parte destes. Sabemos até que esse número de maus políticos é consideravelmente grande, mas é importante que se diga que existem bons mandatários e que estes precisam ser valorizados.

Também não quero defender aqui o perigoso argumento da "Ditadura" como solução definitiva dos nossos problemas de corrupção. Já tivemos essa experiência em nossa história e ela foi terrível sob o aspecto do respeito aos direitos humanos, à liberdade de expressão, à liberdade de pensamentos e à participação popular. O que eu quero realmente é convidar o leitor a descobrir a "fórmula mágica" para separar o "joio do trigo", ou seja, o bom do mau mandatário.

Para início de conversa, não existe resposta certa na urna. A indicação de votos é tão ruim quanto a ditadura, pois impede que o eleitor possa refletir e participar ativamente de todo o processo eleitoral (eleição e acompanhamento de mandatos). O voto precisa ser refletido, discutido e acompanhado em conjunto. Isso é mais do que um direito. É a garantia de qualidade na atuação dos nossos parlamentos.

É óbvio que o político "picareta" não vai sair dizendo para todo mundo o seu real objetivo para conseguir um mandato. Ele precisa (e a grande maioria faz isso com uma perfeição incrível) disfarçar utilizando até mesmo o discurso dos bons mandatários. Isso torna cada vez mais difícil a nossa tarefa de separar o "joio do trigo". Também existe aquela parcela de mandatários que faz de tudo para que os políticos tenham cada vez menos credibilidade. Isso facilita a sua eleição e ajuda a tornar o eleitor cada vez mais "alienado" e longe do que acontece nos parlamentos.

Triste cenário, não? É exatamente isso que acontece hoje na nossa política. E a solução do problema está bem na nossa frente: A Cidadania Ativa. Não existe processo democrático que funcione bem sem a efetiva participação popular não somente na eleição, mas principalmente durante os andamentos dos trabalhos parlamentares e executivos. Precisamos utilizar todos os meios que possuímos (Internet, conselhos municipais, grupos de fé e política, associação de moradores e etc) para envolver o maior número possível de pessoas nos trabalhos destes políticos. Isso inibe e dificulta a atuação destes picaretas. Basta lembrar que o principal objetivo do picareta é o seu enriquecimento frente ao interesse do bem comum. E quando falamos de bem comum, é o bem de todos e não de alguns pequenos grupos, condomínios, igrejas ou agremiações. É preciso pensar no coletivo e ficar de olho (de preferência bem de perto) na atuação dos nossos mandatários nas comissões, votações e atuações dentro do parlamento ou do executivo.

Somente assim é que poderemos transformar a nossa sociedade e a sua importante relação com aqueles que a governam.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br

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