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Como acabar com os picaretas
Há cerca de 1 ano, em uma interessante pesquisa feita pelo
IBOPE e encomendada pela Associação Nacional dos Membros
do Ministério Público, sobre a credibilidade das instituições
brasileiras, foi constatado o total descrédito dos nossos
governantes e políticos em geral. As instituições
governamentais (executivo e legislativo) foram as de pior desempenho
com relação à confiança e credibilidade
da população enquanto que a Igreja Católica
e o Corpo de Bombeiros ocuparam as primeiras colocações
nesta mesma pesquisa. O objetivo da nossa coluna neste mês
não é refletir sobre a grande credibilidade da Igreja
Católica ou do Corpo de Bombeiros, mas analisar o tamanho
descrédito dos nossos políticos e as conseqüências
desse sentimento sobre a nossa sociedade.
O primeiro aspecto que me chama atenção neste resultado
é que a mesma vontade popular que desqualifica e desacredita
os políticos é a mesma que os põe ou tira de
seus mandatos. O mesmo já não acontece com a Igreja
ou com o Corpo de Bombeiros, uma vez que os seus integrantes não
são escolhidos através do voto direto. Interessante,
não?
Não estou querendo aqui defender a atuação
dos nossos políticos. Muito pelo contrário. Esse sentimento
é fruto de atitudes nada éticas como as vendas de
votos em CPI, as práticas de nepotismo (nomeações
de parentes para cargos comissionados), as trocas de "favores"
através das famosas emendas parlamentares para aprovar os
orçamentos do Executivo (em todas as esferas: Estadual, Municipal
e Federal) entre outras falcatruas e deslizes que, infelizmente,
nos acostumamos a ver quase que diariamente no trato da coisa pública
por parte de alguns mandatários. E, por mais incrível
que possa parecer, isso é feito apenas por uma parte destes.
Sabemos até que esse número de maus políticos
é consideravelmente grande, mas é importante que se
diga que existem bons mandatários e que estes precisam ser
valorizados.
Também não quero defender aqui o perigoso argumento
da "Ditadura" como solução definitiva dos
nossos problemas de corrupção. Já tivemos essa
experiência em nossa história e ela foi terrível
sob o aspecto do respeito aos direitos humanos, à liberdade
de expressão, à liberdade de pensamentos e à
participação popular. O que eu quero realmente é
convidar o leitor a descobrir a "fórmula mágica"
para separar o "joio do trigo", ou seja, o bom do mau
mandatário.
Para início de conversa, não existe resposta certa
na urna. A indicação de votos é tão
ruim quanto a ditadura, pois impede que o eleitor possa refletir
e participar ativamente de todo o processo eleitoral (eleição
e acompanhamento de mandatos). O voto precisa ser refletido, discutido
e acompanhado em conjunto. Isso é mais do que um direito.
É a garantia de qualidade na atuação dos nossos
parlamentos.
É óbvio que o político "picareta"
não vai sair dizendo para todo mundo o seu real objetivo
para conseguir um mandato. Ele precisa (e a grande maioria faz isso
com uma perfeição incrível) disfarçar
utilizando até mesmo o discurso dos bons mandatários.
Isso torna cada vez mais difícil a nossa tarefa de separar
o "joio do trigo". Também existe aquela parcela
de mandatários que faz de tudo para que os políticos
tenham cada vez menos credibilidade. Isso facilita a sua eleição
e ajuda a tornar o eleitor cada vez mais "alienado" e
longe do que acontece nos parlamentos.
Triste cenário, não? É exatamente isso que
acontece hoje na nossa política. E a solução
do problema está bem na nossa frente: A Cidadania Ativa.
Não existe processo democrático que funcione bem sem
a efetiva participação popular não somente
na eleição, mas principalmente durante os andamentos
dos trabalhos parlamentares e executivos. Precisamos utilizar todos
os meios que possuímos (Internet, conselhos municipais, grupos
de fé e política, associação de moradores
e etc) para envolver o maior número possível de pessoas
nos trabalhos destes políticos. Isso inibe e dificulta a
atuação destes picaretas. Basta lembrar que o principal
objetivo do picareta é o seu enriquecimento frente ao interesse
do bem comum. E quando falamos de bem comum, é o bem de todos
e não de alguns pequenos grupos, condomínios, igrejas
ou agremiações. É preciso pensar no coletivo
e ficar de olho (de preferência bem de perto) na atuação
dos nossos mandatários nas comissões, votações
e atuações dentro do parlamento ou do executivo.
Somente assim é que poderemos transformar a nossa sociedade
e a sua importante relação com aqueles que a governam.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br
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