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Vamos conhecer a Bíblia | FEVEREIRO


CARTAS DE PAULO 5

Teologia Paulina
Na Bíblia Sagrada, editada pela Universidade de Navarra, há uma introdução à Teologia de São Paulo muito detalhada e importante. A seguir a apresento resumidamente.
As Epístolas paulinas podem apresentar ao cristão médio algumas dificuldades de compreensão. A Segunda Epístola de São Pedro (2 Pd 3,15-16) adverte acerca de tal dificuldade " ... Nelas há algumas coisas difíceis de entender, que as pessoas sem instrução e sem firmeza deturpam, como fazem também às outras Escrituras, para a sua própria perdição". As cartas de Paulo já supõem a primeira instrução evangélica, falam-nos, em muitíssimas ocasiões, numa linguagem muito mais difícil que a de Jesus.
Serão apresentadas noções básicas que estão subjacentes na doutrina revelada de Paulo e podem constituir certa chave para uma melhor compreensão das suas Epístolas. Essas noções estão divididas em cinco temas: I- A existência humana sem Cristo; II- A salvação em Cristo; III- A conversão do homem; IV- A existência cristã em Cristo e V- A Igreja.

I - A Existência humana sem Cristo
Deus fez ver a Paulo com especial clareza a tragédia do homem que vive à margem de Cristo.

1- O pecado = um ponto de partida fundamental no legado de Paulo é que a obra de Cristo, o cristianismo, é redenção do pecado. Para Paulo o pecado é uma realidade patente e que consiste, sobretudo, em desobediência, em rebelião contra a majestade divina, contra a Sua vontade, contra a Sua Lei moral; rebelião que produziu o estado de inimizade com Deus, de desgraça do homem, de destino à morte eterna.
A consideração da situação do mundo, da história humana, e a contemplação da Sagrada Escritura (o Antigo Testamento), põem em evidência que, tanto gentios como judeus,"todos pecaram e carecem da glória de Deus" ( Rm 3,23). O pecado é uma força que tiraniza o homem e está por cima dele desde o pecado de Adão, (Rm 5,12.21) levando-o a uma situação irremediável para o próprio homem, na qual é impotente e se encontra escravizado, e de cujas malhas não pode sair, mesmo contando com o livre arbítrio, com a inteligência e a vontade ( RM 7,7-25) .

2- A carne = Paulo faz uso do termo carne com o mesmo significado do Antigo Testamento que se refere geralmente a todo o corpo e mesmo todo o ser inferior do homem, compreendidos os sentidos, os instintos, os sentimentos, as paixões, tudo o que é material e que contrasta com as faculdades superiores do espírito humano.( Rm 8,3s ; Gl 5,16-21.24)

3- A morte = o pecado, com a cumplicidade da carne, arrasta todo o homem para a inimizade com Deus, para a desgraça, para a doença, em última analise para a morte: "Da mesma maneira que um só homem (Adão) entrou no mundo e pelo pecado a morte, e assim a morte penetrou em todos os homens, por isso que todos pecaram" (Rm 5,12) A morte é o castigo do pecado (Rm 6,23). Em suma, o homem sem Cristo é um escravo do pecado, atraiçoado pela carne, e destinado inexoravelmente à morte, pois "quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Lei atuavam em nossos membros, a fim de produzirem frutos para a morte" (Rm 7,5).

4- A Lei = A Lei torna-se aliada do pecado, excitando o homem a ações pecaminosas mesmo sendo boa e santa em si. Isto ocorre porque embora indique o bem, não contém a graça para evitar o mal, deixando o homem na sua situação carnal. A Lei dá o conhecimento do pecado, mas nada mais.
Os judeus vangloriavam-se de cumprir a Lei, mas só cumpriam com atos externos e rituais, enquanto o seu coração permanecia alheio à caridade e à misericórdia. Pensavam que Deus, relegado para o papel de um mero árbitro, estava obrigado a reconhecer e retribuir as ações justas que eles realizavam pelos próprios meios: eles, e não Deus, eram os seus próprios libertadores, julgando que era a Lei mosaica o que os salvava, queriam impor tal concepção a outros procedentes do paganismo. Paulo viu que isto não era correto, pois segundo essa concepção era o homem que se tornava bom e justo a si mesmo, de tal modo que a obra redentora de Cristo ficava esvaziada de todo o valor e realidade; não tinham compreendido o fundamental da fé cristã. Não podemos esquecer que somos salvos não pelas nossas próprias forças, mas pela graça que Cristo nos mereceu, à qual aderimos pela fé; só depois desta Redenção de Cristo podemos dar frutos para a vida eterna.

5- A humanidade não redimida = o homem por si só, sem Cristo, está radicalmente incapacitado para se libertar do estado miserável em que caiu depois do pecado original. Este, aumentado pelos pecados pessoais, tem o homem subjugado. Paulo não nega a liberdade humana, nem as faculdades da inteligência e da vontade, mas adverte sem rodeios a situação real do homem, inclusivamente depois de receber os frutos da Redenção: "Pois não é o que eu quero que pratico, mas aquilo que odeio é que faço" (Rm 7,15-19).

(Continua no próximo número)

Jane do Térsio

 
 
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