Fé, música e rock’n roll

 

No último mês, acompanhamos mais uma vez a realização de um evento que bienalmente rouba a atenção da cidade: o Rock In Rio. Um festival de música que a cada edição amplia sua capacidade para promover shows de diversos estilos musicais, para jovens, idosos e famílias que lá comparecem para se divirtir, dançar e cantar.

Nesses momentos, alguns cristãos podem ficar com algumas dúvidas. Por exemplo, é lícito a um católico participar de um festival de rock? Que tipo de música podemos ouvir? Qualquer um, ou existe um estilo que agradaria mais a Deus?

Calma, sem precipitação. Antes de mais nada, o assunto é importante, pois a unidade de vida de um cristão impõe que não se separe os gostos e hobbies pessoais da amizade com Cristo. Isso não significa que não podemos ouvir as músicas que gostamos, mas que devemos prestar atenção caso uma letra contenha aspectos imorais, ou até anti reliosas. Se estamos comprometidos a amar a Deus sobre todas as coisas, porque iríamos abandonar por alguns instantes esse desejo para nos divirtir um pouquinho? Não dá para escolher amar a Deus só de vez em quando, ou pegamos a escadaria pro Céu, ou viramos pro caminho da estrada do inferno. É contraditório estar em dois lugares ao mesmo tempo.

As perguntas a respeito da diversão sadia à vezes não possuem uma resposta clara e assertiva, mas existe uma lógica que passa pelo entendimento (que todo cristão deve desenvolver) sobre a finalidade de nossos atos. Nesse sentido, vale a pena também investigarmos sobre para o que serve a música em nossas vidas.

Primeiramente, é bom ressaltar que a música é, dentre as artes, a que tem a maior capacidade de influenciar o estado da nossa alma. Uma boa música, harmonizada e com uma bela melodia, é capaz de fazer com que admiremos mais a beleza da criação, contempando o que é belo e bom nos presentes que ganhamos do Divino. Assim, ao invés de simplesmente apontar o dedo para qual música é boa ou ruim, o melhor a ser feito é convidar a todos para um exame de consciência sobre o que temos ouvido. As músicas que gostamos de ouvir nos aproximam de Deus, ou nos prendem nos nossos gostos e prazeres, num egoísmo que não nos ajuda a estar próximos de Deus? As letras que cantamos respeitam a dignidade da criação, louvando a vida, ou fazem parte de uma cultura de morte, onde tudo é cinza e os seres humanos são reduzidos a uma máquina de buscar prazer?

Por aí podemos diferenciar até músicas de um mesmo estilo musical. Um rock com uma letra profunda, encaixada numa bela melodia, pode nos tocar sobre a beleza da vida, ou até mesmo sobre melhores atitudes em nosso caminho. Entretanto, todos sabemos que há músicas que passam longe desse tipo de reflexão e servem mais para emitir barulhos dissonantes, que não levam o ouvinte a contemplar as verdades em sua alma. Às vezes escutamos esse tipo de música apenas porque gostamos da “batida”, esquecendo de raciocinar sobre o que está por traz daqueles sons aparentemente divertidos.

Nesse sentido, a música, como as outras artes, possui um rosto e uma identidade própria, convidando o ouvinte a uma reflexão para um lado e para o outro, e por isso devemos ter o cuidado para não sermos influenciados negativamente. Outrossim, não cabe aqui dizer se é bom ou ruim ir a um festival ou à um show. Irá variar de acordo com o que a pessoa está procurando na situação: satisfazer seus desejos com o prazer egoísta que estimula seu ouvido, ou participar de uma demonstação de arte que a ajudará a elevar seu espírito? O centro da sua vida e das atitudes, também com respeito a música que se ouve, é Cristo, ou é você mesmo?

Reforça-se o convite a visitar sua consciência sobre a música. O que estou buscando com ela em minha vida? Se a resposta não passar por amar a Deus sobre todas as coisas, seria bom repensar nossas atitudes.

Sobre outro aspecto, o tema da Música também afeta a vida da Igreja, pois, como falamos, a música é uma forma de arte, e, como toda arte, tem por fim elevar os homens à contemplação da beleza da criação, tocando suas almas para estarem mais próximas do Belo e do Bom, que é o próprio Deus.

Por isso, a Igreja utiliza da música na celebração dos sacramentos, principalmente na Santa Missa, pois na própria escritura a encontramos como uma forma de louvor ao Criador. Por exemplo, os salmos em vários momentos convidam-nos a louvar a Deus através da música:

 

1.Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. 2.Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. 3.Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. 4.Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. 5.Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor!” 
Salmos, 150.

 

Ou seja, o convite musical é para colocar Deus no centro do louvor, cantando com o corpo e alma para Ele, e não para nós. Isso deve ser lembrado para não confundir a questão principal da música na Igreja: ela serve para louvar a Deus, e não apenas para satisfazer nossos gostos pessoais ou da “moda”.

Da mesma forma, no capítulo em que nos exorta a buscar as coisas do alto, e não as terrenas, São Paulo nos faz o mesmo convite de louvor no Novo Testamento:

 

“A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais.” 
Colossenses, 3 – 16.

 

Inúmeras outras passagens ilustram que a música é agradável a Deus como forma de louvor, ainda mais quando inspirada pela graça e feita com todo o coração voltado a Ele. Nessa perspectiva, também o sacramento da Santa Missa comporta a música como maneira de preencher a liturgia de beleza e adoração.

Nesse mesmo sentido, o Concílio Vaticano II, na constituição conciliar Sacrosancto Concilium sobre a sagrada liturgia, se pronunciou em seu capítulo VI a respeito da importância da música sacra para a vida da Igreja e da celebração dos sacramentos. Cabe aqui destacar um trecho desse belíssimo documento do Concílio:

 

“112. A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene.

Não cessam de a enaltecer, quer a Sagrada Escritura, quer os Santos Padres e os Romanos Pontífices, que ainda recentemente, a começar em S. Pio X, vincaram com mais insistência a função ministerial da música sacra no culto divino.

A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas.

O sagrado Concílio, fiel às normas e determinações da tradição e disciplina da Igreja, e não perdendo de vista o fim da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, estabelece o seguinte:

113. A acção litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada de modo solene com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação activa do povo.”

 

A música litúrgica na missa é muito importante, mas devemos saber separar o que é canto litúrgico e o que é canto religioso. Uma música religiosa, por mais bela que seja, nem sempre cabe numa celebração litúrgica. Existem músicas religiosas para vários momentos: adorações, encontros, pregações, onde ela tem seu valor de acordo com a situação, mas não podemos cair no erro de colocar uma música na missa apenas por ela ser bonita e “tocar” o povo e esquecermos de que ela precisa estar em sintonia coma liturgia.

Deve-se respeitar sempre as regras litúrgicas e os cantos nela propostos. Na Santa missa temos os cantos que acompanham o rito e os cantos que são o próprio rito. Os que acompanham são os que começam com ele e terminam com ele, como a procissão de entrada, o canto das ofertas, o canto de comunhão, etc. Já os cantos que são o próprio rito requerem mais atenção dos ministérios de música, pois têm regras bem específicas definidas nos documentos da Igreja, como o Glória, o Santo e o Cordeiro de Deus, quando são cantados.

Para facilitar os leigos a observar os ensinamentos da Igreja a respeito dos cantos em cada momento da missa, elaboramos o qudro-resumo abaixo:

 

 

Colaboraram: Pedro Araujo e Thiago Coelho

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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