Fé e Política – “Redução da maioridade penal… Será esse o caminho para acabar com a violência?”

* Robson Leite

Todos nós estamos profundamente chocados e preocupados com a onda de violência que vem acontecendo sistematicamente em nossa sociedade. Pessoas morrendo por motivos fúteis em crimes sem lógica ou explicação. Inclusive, quando cometidos por jovens e adolescentes menores de 18 anos, esses crimes ganham uma repercussão ainda maior em face do debate acerca da redução da maioridade penal. E é exatamente sobre isso que eu gostaria de refletir.

Para melhor ilustrar essa análise, gostaria de relatar uma interessante história que aconteceu há uns 15 anos com um ex-aluno de um dos núcleos de Pré-Vestibular Comunitário em que fui professor aqui no Rio de Janeiro durante muito tempo.

Nascido em uma favela marcada pela violência, aos 16 anos esse meu aluno se envolveu com um grupo criminoso que dominava a comunidade onde vivia. Tinha acabado de concluir, com muita dificuldade, o ensino médio. Andava armado e, conforme me confidenciou certa vez, fazia isso simplesmente pela sensação de poder que a arma trazia. Foi flagrado armado pela polícia e levado para um instituto de recuperação de jovens e adolescentes infratores de onde fugiu em função da violência e da falta de estrutura daquela unidade. Isso aconteceu duas ou três vezes até que, desesperado e começando a perceber os riscos daquela vida, ele, mesmo meio desconfiado e “sem jeito”, aceita o convite de alguns amigos de infância e ingressa em um curso de pré-vestibular comunitário. Depois de um ano de aulas ele começa a mudar: larga a vida que levava e começa a se dedicar às aulas e ao projeto. Faz por três anos o pré-vestibular e, finalmente, alcança o sucesso nas provas e ingressa em uma universidade. Hoje, formado e com um bom emprego, ele diz que não foram apenas as aulas de física e matemática que mudaram a sua vida, mas, sobretudo as aulas de “cultura e cidadania”, onde ele aprendeu a enxergar o mundo de forma diferente. Passou a perguntar o que ele podia fazer em prol da sociedade com a mesma intensidade que cobrava do Estado um papel de maior presença e atuação junto às comunidades carentes para muito além da simples presença da polícia.

Uma história muito bonita que faço questão de trazer aqui para ilustrar um pouco a nossa reflexão sobre as soluções que vemos surgir nos debates realizados sobre a violência. A pena de morte e a redução da maioridade penal ganharam uma grande – e ao mesmo tempo lamentável – importância nestes debates. Entretanto, os principais problemas que causam a violência quase sempre ficam de fora dessas análises e discussões: uma educação pública completamente falida e a total ausência do Estado em promover e garantir cultura, educação e geração de oportunidades para os jovens principalmente nas áreas dominadas pelo tráfico.

Não preciso me aprofundar muito sobre os motivos que me levam a questionar a redução da maioridade penal como solução para o fim da escalada da violência em que estamos mergulhando a cada dia. Digo isso em função da história que cito acima. Será que o meu ex-aluno teria conseguido ingressar em uma Universidade e ter a vida que leva hoje se tivesse sido condenado e jogado em uma penitenciária aos 16 anos? Provavelmente teríamos mais um criminoso em nossa sociedade formado pelas grandes universidades do crime: As Penitenciárias e Casas de Detenção. Vale lembrar que a reincidência criminal de quem regressa dessas casas é de 85% enquanto que a reincidência criminal dos jovens que saem das casas de recuperação de jovens infratores não chega a 30%. Apenas com a análise numérica, fica óbvio que a redução da maioridade penal irá piorar imensamente a violência em nossa sociedade.

Para concluir, deixo aqui uma reflexão para todos nós inspirada em uma frase do Profeta Isaías que diz que a “Paz é fruto da Justiça”: Será que aquele jovem que está com um fuzil na mão em uma comunidade dominada pelo tráfico é o centro do nosso problema ou ele é a consequência do problema em que estamos inseridos? Será que ele algum dia foi à escola? Será que ele tem família? Será que se ele passar a ser valorizado dentro de sua comunidade pelas suas habilidades culturais, esportivas, educacionais e sociais através de iniciativas do Estado não estaremos, nesse momento, disputando essa juventude? Se quisermos Paz, precisamos, conforme afirmou o Profeta Isaías sete séculos antes de Cristo, construir uma estrutura social de justiça e oportunidades, principalmente para os mais jovens.

 

(*) Robson Leite é professor, escritor, membro da nossa paróquia, funcionário concursado da Petrobras e foi Deputado Estadual de 2011 a Janeiro de 2014.

Site: www.robsonleite.com.br

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quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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