Fé e Política – outubro 2017

 

“Movimentos Sociais: seria tão bom se não existissem” 

 

Recentemente, durante uma palestra em uma universidade, um participante perguntou a minha opinião acerca dos Movimentos Sociais e os impactos que eles “causam” em nossa sociedade. Respondi a pergunta do jovem contando uma experiência pessoal que vivenciei há cerca de quinze anos, quando me dirigia para o trabalho e enfrentava um incomum engarrafamento no centro da cidade em função de uma passeata de estudantes da rede estadual de ensino. Essa experiência foi tão marcante em minha vida, que eu faço questão de também compartilhá-la com os amigos leitores.

Estava eu, juntamente com a minha esposa, indo para o trabalho em uma segunda-feira pela manhã quando, na altura do Maracanã, eu percebo um trânsito extremamente confuso. Apesar de quase sempre beirar o caos, o trânsito da nossa cidade naquele dia sugeria que algo incomum estava acontecendo. Algum acidente ou imprevisto fazia com que a viagem cotidiana de uma hora se projetasse para cerca de duas horas ou até mais à frente do volante. Logo o repórter da rádio que ouvíamos no carro diagnosticava: uma passeata de estudantes na Av. Presidente Vargas era o grande vilão do nosso atraso. Dali a poucos minutos, a mesma radio que antes diagnosticava o motivo do engarrafamento, trazia agora a razão da passeata: os estudantes da rede pública protestavam contra o fim da gratuidade no transporte público. Realmente, era um motivo muito sério. Entretanto, algo dentro de mim, certamente movido pelo aborrecimento de um atraso em um engarrafamento somado a natural indisposição característica de uma segunda-feira pela manhã, questionava se não existia nenhuma outra forma dos estudantes realizarem o seu protesto. A velha e terrível tentação do egoísmo falava cada vez mais alto ao meu ouvido: “ – O que eu tenho a ver com isso?”, eu perguntava a minha esposa que, pacientemente, pedia calma ao meu lado enquanto lia um livro durante a viagem.  Para a minha surpresa, a rádio inicia uma entrevista com um dos responsáveis pela manifestação e, logo depois da explicação do aluno sobre os motivos da passeata, o âncora do programa faz a pergunta que martelava a minha cabeça: – “Você acha que, por mais digna e justa que seja a reivindicação de vocês, realmente era necessário atrapalhar o cotidiano do cidadão que segue agora para o seu trabalho e que não tem nada a ver com isso?” – A pergunta soou como música para os meus ouvidos encharcados de egoísmo, entretanto, a resposta do aluno me deu uma extraordinária lição que eu nunca mais esqueci. Ele disse o seguinte: “– Em primeiro lugar, eu gostaria de aproveitar o espaço do seu programa para pedir desculpas a quem está indo para o trabalho e está preso no engarrafamento. Entretanto, se não tivéssemos feito isso, certamente não teríamos o espaço que tivemos nessa rádio para falar sobre esse grave problema do fim da gratuidade dos ônibus. Neste exato momento, enquanto conversamos, alunos pobres estão deixando de ir à aula ficando, em função disso, a mercê do tráfico de drogas em algumas favelas do Rio simplesmente porque os seus pais não têm dinheiro para custear o transporte de seus filhos para a escola”.

Na mesma hora, eu virei para a minha esposa – que há cerca de dez minutos, mesmo também estando atrasada como eu, defendia os alunos e me pedia para ser razoável – e pedi desculpas. Logo em seguida, agradeci a Deus pela oportunidade de ter um aprendizado sobre o quanto egoístas nós somos.

Essa história me marcou tanto, que sempre que posso, utilizo-a em minhas aulas e palestras para justificar a importância dos Movimentos Sociais. Sem estes, algumas das conquistas conseguidas pelos trabalhadores, estudantes pobres e excluídos de uma forma geral, não existiriam. Os Movimentos Sociais, assim como as Campanhas da Fraternidade, só existem porque não existe Justiça Social em nosso País. Afinal, nunca é demais lembrar o que dizia o Profeta Isaías sete séculos antes de Jesus Cristo: “não há paz sem justiça”.

Para terminar, eu peço desculpas ao leitor pelo erro, que foi proposital, do título acima. O correto deveria ser: “Movimentos Sociais: seria tão bom se não precisassem existir”.

 

 

Robson Leite é professor, escritor, membro da nossa paróquia, Ex-Superintendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no RJ e foi Deputado Estadual de 2011 a Janeiro de 2014.

Site: www.robsonleite.com.br

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quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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