Fé e Política – Julho 2016

 

“Será que realmente queremos fazer distribuição de renda?”

 

Engraçado, mas como a dimensão muda quando personificamos e identificamos as pessoas envolvidas nos contextos da violência e nos verdadeiros problemas sociais de uma cidade. Porém, infelizmente, a grande mídia não aborda dessa forma, pois ela está a serviço de outros interesses. Ela é tão perversa que chega ao ponto de fazer com que você acredite que 450 kg de cocaína encontrado em um helicóptero não é nada e, pior ainda, que o seu verdadeiro inimigo é o jovem pobre e negro morador de uma favela no Rio…Encerro recorrendo a um texto do Profeta Isaías que disse, sete séculos antes de Cristo, “que não há paz sem justiça”. Bom, se queremos paz – e como precisamos de paz – é fundamental, antes de tudo, construir uma estrutura de justiça, sobretudo nas oportunidades promovidas pelo Estado aos nossos jovens… Boa semana a tod@s…

Recentemente, ao ler as mensagens eletrônicas da minha caixa postal, eu me deparei com um e-mail que tinha uma pergunta bastante interessante em seu cabeçalho: “Você acha justo que a escola pública seja pior que a particular mesmo com a enorme quantidade de tributos que nós pagamos?”. Curioso com esta indagação, eu decidi ler mais sobre o assunto visitando o link existente na mensagem em questão, pois se tratava de uma ONG bastante conhecida e que alguns amigos já haviam me relatado sobre a grande quantidade de pessoas que estavam aderindo a esta organização em função das propostas lá existentes. Pois bem, ao ler todo o conteúdo deste link, uma imensa sensação de frustração e tristeza me invadiu: a tal organização, para minha surpresa, sugeria a redução drástica da carga tributária como solução da pergunta que encabeçava o e-mail justificando a ineficiência do estado em gerir os recursos públicos na melhora de questões básicas como a Educação e a Saúde.

Naquele exato instante eu me recordei de um episódio que aconteceu no início da década de 80 em uma importante universidade pública brasileira: “existia no campus desta universidade uma árvore muito rara, quase em extinção, que era fruto de estudos por diversas instituições de biologia e botânica do Brasil. A sua raridade e, principalmente a sua antiguidade, chegaram a trazer diversos pesquisadores internacionais ao nosso País para estudar os aspectos de sua conservação, idade e outras características científicas. Afinal de contas, aquela árvore era, sem sombra de dúvidas, uma ótima oportunidade de estudos e pesquisas em nosso país. Entretanto, ela tinha uma peculiaridade que causava diversos transtornos ao Reitor daquela universidade: Ela ficava localizada bem ao lado de um dos muros e, desta forma, era utilizada como escada por alguns ladrões que ingressavam nos finais de semana ao campus para roubarem diversos equipamentos e materiais de laboratório da universidade. Sem tempo para avaliar com calma o problema e tentar resolvê-lo da melhor forma possível o Reitor toma uma atitude drástica: manda cortar a árvore!”.

Situação bastante semelhante é a que vivemos no nosso país, conforme a proposta constante do e-mail que me refiro na abertura deste artigo. A grande concentração de renda que ainda existe no Brasil, apesar de uma tímida redução nos últimos anos, é o principal fator causador da miséria, da fome e da falta de oportunidades. Isso é evidente e todos sabem disso. Aliás, é bastante comum cobrarmos dos nossos governantes, políticas claras para promover uma maior distribuição de renda, entretanto, qual a renda que pretendemos distribuir? A do pobre ou a do rico? Será que a nossa elite detentora de boa parte da renda e da riqueza nacional está realmente disposta a abrir mão de alguns “privilégios” para que os mais pobres possam viver com um pouco mais de dignidade? Vide, por exemplo, a falta de regulamentação do artigo da constituição que fala do imposto sobre grandes fortunas. Por falta de uma lei complementar, desde 1988 este imposto ainda não entrou em vigor. Será que ele existirá algum dia? E por que a renda recebida de “lucros e dividendos” é isenta de imposto de renda desde 1999 enquanto o trabalhador assalariado paga seu imposto normalmente?

É inaceitável, sob o ponto de vista ético e cristão, o contraste entre a situação de miséria e degradação do povo sofrido, refugiado nos cortiços, favelas e periferias das cidades e o luxo e sofisticação de condomínios fechados, construções suntuosas e desperdício de riquezas, sem consideração pela miséria ao redor. O mais triste disso tudo é que essa desigualdade acontece pela falta de testemunho e vivência evangélica, criando friezas, “cegueiras” e alienação diante do sofrimento humano. Enquanto a violência aumenta nas grandes cidades, aumenta também a indiferença e o descaso pelos graves problemas sociais do nosso país. Nestes momentos, é urgente relembrar, conforme vemos em diversas passagens do Evangelho como Mateus 25, 31-46, a opção preferencial do Cristo pelo excluído, definido por Ele como o menor dos irmãos. “Estive nu e me vestistes, estive preso e fostes me visitar. Cada vez que fizesses isso ao menor dos meus irmãos, foste a mim que o fizeste”. Não reconhecer o rosto do Cristo no rosto do excluído é aceitar o grande pecado social que corrói a nossa sociedade “moderna”.

É urgente, ético e cristão também nos posicionarmos firmemente contra quaisquer tentativas de execução de políticas públicas que retirem direitos dos mais pobres e excluídos. Qualquer iniciativa nesse sentido é uma agressão que ofende a Deus. Inclusive, a defesa incondicional dos investimentos públicos, garantidos pela Constituição, em saúde e educação é dever do Cristão por ser um compromisso com a dignidade da pessoa humana. Se quisermos realmente ter um país mais digno, humano e menos desigual precisamos urgentemente agir em prol da promoção do bem comum e da melhoria de vida dos mais pobres.

Ou direcionamos a nossa atitude neste sentido ou, infelizmente, assistiremos passivos e inertes o sepultamente da nossa sociedade que não tem a coragem de abrir mão do individualismo em prol da coletividade, da partilha e do Bem Comum.

Robson Leite é professor, escritor, membro da nossa paróquia, Ex-Superintendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no RJ e foi Deputado Estadual de 2011 a Janeiro de 2014.

Site: www.robsonleite.com.br

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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