Fé e Política – Dez 2018

 

“Educação para a paz”

 

Todos nós ficamos sempre muito chocados quando vemos alguns crimes bárbaros de assassinato frequentemente noticiados pela grande imprensa. E esses crimes, quando praticados por jovens e adolescentes, despertam sempre o debate sobre a redução da maioridade penal como solução para o problema da violência. Não quero restringir a minha análise a essa questão específica, mas trazer alguns outros elementos como, por exemplo, o papel do estado na solução efetiva da questão da violência.

Para melhor ilustrar essa análise, gostaria de relatar uma interessante história que aconteceu há uns 15 anos com um ex-aluno de um dos núcleos de pré-vestibular comunitário onde sou professor. Nascido em uma favela marcada pela violência, aos 16 anos ele se envolveu com um grupo criminoso que dominava a favela onde vivia. Tinha acabado de concluir, com muita dificuldade, o segundo grau que hoje chamamos de ensino médio. Andava armado e, conforme recentemente me confidenciou, fazia isso simplesmente pela sensação de poder que a arma trazia. Foi flagrado pela polícia cometendo um furto e levado, por determinação judicial, para uma unidade de aplicação de medidas socioeducativas para jovens e adolescentes. Lá, depois de ficar alguns meses interno e com sua liberdade cerceada, ele sai e, após muito relutar, mas percebendo os graves riscos que corria com aquele estilo de vida que levava, mesmo meio desconfiado e sem-jeito, aceita o convite de alguns amigos de infância e ingressa em um curso de pré-vestibular comunitário que funciona até hoje próximo de sua casa. Depois de um ano de aulas ele experimenta um início de mudança. Larga de vez a antiga vida que levava e começa a se dedicar às aulas e ao projeto. Faz por três anos o pré-vestibular e, finalmente, alcança o sucesso nas provas e ingressa em uma universidade. Hoje, formado e com um emprego, ele diz que não foram apenas as aulas de física e matemática que mudaram a sua vida, mas, sobretudo as aulas de “cultura e cidadania”, onde ele aprendeu a enxergar o mundo de forma diferente. Passou a perguntar o que ele podia fazer em prol da sociedade com a mesma intensidade que cobrava do Estado um papel de maior presença e atuação junto às comunidades pobres.

Uma história muito bonita que faço questão de trazer aqui para ilustrar um pouco a nossa reflexão sobre as soluções que vemos surgir nos debates realizados sobre os caminhos para a superação da violência. A pena de morte e a redução da maioridade penal ganharam uma importância enorme nessas discussões. Entretanto, os principais problemas que causam a violência quase sempre ficam de fora dessas análises: uma educação pública completamente falida e a total ausência do Estado nas comunidades de baixa renda.

Não preciso me aprofundar muito sobre os motivos que me levam a questionar a redução da maioridade penal como solução para a escalada da violência em que estamos mergulhando a cada dia. Digo isso em função da história que cito acima. Será que o meu ex-aluno teria conseguido ingressar em uma universidade e ter a vida que leva hoje se tivesse sido condenado e jogado em uma penitenciária de adultos aos 16 anos, onde a taxa de reincidência criminal, segundo o Ministério da Justiça, é três vezes superior a taxa de reincidência das unidades de aplicações de medidas socioeducativas para jovens e adolescentes? Provavelmente teríamos mais um criminoso em nossa sociedade formado pelas grandes universidades do crime: as Penitenciárias.

É verdade que alguma coisa precisa ser mudada em nosso código penal. Entretanto, enquanto não priorizarmos efetivamente a educação pública e não entendermos que muito antes da polícia entrar nas favelas, outras frentes de ação do estado – como a educação, a cultura, o urbanismo, as creches, o saneamento, os postos de saúde e os programas profissionalizantes de geração de emprego e renda – precisam estar presentes. Caso contrário, dificilmente deixaremos de sair da terrível situação em que nos encontramos hoje. Outro aspecto fundamental é refletir sobre o que leva um jovem a ingressar no crime. Será que esse jovem fez uma escolha consciente dialogando com os pais? Será que algum dia ele foi à escola? Essa escola remunera bem os professores? Possui infraestrutura para os professores trabalharem? Fica mais fácil compreender a origem do problema quando refletimos mais a fundo. Matar também não é e jamais será a solução. Pelo contrário: quem comete crime para combater o crime torna-se criminoso e aumenta ainda mais o número de homicídios e de crimes. O caminho é outro completamente diferente.

Ou deixamos de pensar as questões de exclusão social como apenas um problema de polícia ou vamos, infelizmente, assistir inertes e passivos ao sepultamento da nossa sociedade que está cada vez mais distante do Reino de Deus que conclamamos quase que diariamente na oração do Pai Nosso.

 

Robson Leite é professor, escritor, membro da nossa paróquia, Ex-Superintendente Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no RJ e foi Deputado Estadual de 2011 a Janeiro de 2014.

Site: www.robsonleite.com.br

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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