Entrevista Pastoral: Dízimo

Na edição desse mês de O Mensageiro, viemos falar de um compromisso de todo cristão, com a Igreja e com Deus. O dízimo já foi um tema bastante polêmico entre os católicos, que por algum motivo, que não entendemos, se achava isento dessa obrigação. No entanto, na medida em que a sua importância para a manutenção da igreja, das suas obras e principalmente para a evangelização, foi ficando clara entre os fiéis, a postura até dos mais resistentes à generosidade da partilha, foi se modificando.

Por isso, que nós cristãos, que frequentamos a paróquia, que participamos das missas, pastorais e movimentos, precisamos ter a consciência de o dízimo é, na verdade, para todos nós, que adentramos felizes na casa do Pai e nos ajoelhamos aos seus pés em oração. É preciso perceber que a nossa riqueza não está só nos bens materiais que possuímos, mas dentro da alma de cada um de nós, que tenta se tornar um ser humano melhor a cada dia, preocupando-se com o que fazer para somar. Inúmeras vezes pagamos caro por um bem material, gastamos dinheiro com bobagens e nem percebemos como gastamos tanto, mas contamos moedas na hora de partilhar, nos esquecendo de que a nossa paróquia é viva, ativa, movimenta diversas frentes e, portanto, precisa se manter dignamente.

Através do dízimo estamos ofertando com o coração, praticando a partilha em comunidade, exercendo a nossa alegria divina em viver na caridade, importantes virtudes cristãs. Existe uma maior e mais valiosa resposta para tudo isso, e ela vem de dentro de nós, da nossa fé em Deus. Um sentimento que não se mede com palavras, que transpõe qualquer matéria e simboliza a nossa GRATIDÃO sincera, por todas as bênçãos a nós honradas, mas, principalmente, pelo dom da nossa vida!

Nessa edição, portanto, entrevistamos a Pastoral do Dízimo, que atualmente possui três coordenadores: Toninho Penido e Jorge Amaral, há quatro anos na pastoral, e Carlos Augusto, há dois anos. Eles nos contaram um pouco da forma como a pastoral vem atuando na comunidade, os seus maiores desafios e adversidades, bem como, a importância da arrecadação do dízimo para a sobrevivência da paróquia.

E como escreve o Apóstolo Paulo, inquiete o seu coração e reflita: “Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor 9,7).”

Falem um pouco da pastoral do dízimo e de que forma ela atua na comunidade?

No Antigo Testamento, o Dízimo era tratado meio que como um imposto, onde ao que se produzia, pagava-se 10%. As pessoas pagavam o dízimo com 10% das colheitas, ou do que tivessem, como uma forma de prevenção para elas mesmas. Após a crucificação de cristo começaram a se formar as primeiras comunidades cristãs, e a partir daí o dízimo começou a se fazer presente, com as pessoas doando para difundir e ampliar a obra de Deus. Muitos eram mutilados das guerras, doentes de epidemias, viúvas, órfãos, enfim, naquela época a igreja custeava tudo isso e os 10% eram muito necessários. O Cristianismo muda tudo isso para a Partilha, conforme vemos em Atos 4, 32-35 que não havia dizimo, pois tudo era comum a todos e não se considerava nada exclusivo seu. Dízimo é a oferta do Coração, partilhado com a comunidade que você frequenta e usufrui. Onde, há quase 400 anos, são realizados batizados, comunhão, casamentos e etc. O que pedimos sempre, é que as pessoas exercitem a sua corresponsabilidade, que tenham comprometimento com a nossa casa de oração. Um momento de consciência, de que o que temos, nos é dado por Deus, e, portanto, devemos Partilhar. Deus não precisa de dinheiro, mas o sentimento da Partilha gera o Amor e a Caridade. Por mais que trabalhemos, quem cria e cuida é Deus. Se entendermos assim o Dízimo, sendo uma oferta do Coração, uma Partilha e uma Corresponsabilidade, pensamos que ele deve ser individual. Existem famílias que contribuem como “família”. Assim, por exemplo, uma família de três pessoas que doa R$ 150,00, deveria cada um dos seus membros doar R$ 50,00 ou mais, quando puderem doar mais. O importante é que seja uma atitude, uma iniciativa pessoal.            

Quantas pessoas tem hoje na equipe? E por que três coordenadores?

São 25 missas mensais, e hoje nós contamos com 35 duplas. Dessa forma, conseguimos montar os plantões com tranquilidade, inclusive, se houver algum imprevisto, como feriados prolongados, movimentos da paróquia, ou algum outro motivo pelo qual a dupla não possa estar presente, nós temos um casal coringa para cobrir essas ausências. Foi-nos proposto a ideia de mais de um coordenador, como um colegiado. Entre outras coisas, para facilitar quando um de nós precisar se ausentar por algum motivo. E, geralmente, dividimos algumas funções para uma melhor organização, mas, qualquer problema que surgir, podem se reportar a qualquer um de nós.

Quais são hoje os maiores desafios da pastoral do dízimo?

A consciência de que esse dinheiro é usado para evangelização, uma forma de AGRADECER A DEUS O QUE TEMOS. Outro desafio seria a conscientização dos jovens. O Amaral criou uma sigla chamada DJ, em analogia aos operadores de som, que dentro da paróquia são os dizimistas jovens. Essa ideia tem como objetivo despertar neles o sentimento de solidariedade, abordando a questão do desprendimento, para a visão de que existe um lugar, uma necessidade, ou seja, plantar uma sementinha neles. O valor pode ser 3,00 ou 5,00 reais, que seja, pois na verdade a intenção maior é abrir o seu coração para a partilha, para a doação e corresponsabilidade. Seria muito importante esse incentivo jovem, e gostaríamos de unir ainda mais jovens ao movimento.

A minha filha faz o EAC, e de vez em quando eu a trago para esse ambiente, para que seja inserida e veja pessoas contribuindo, podendo com isso atrair outros jovens, e dessa forma despertar neles o desejo de ajudar.   Tivemos uma reunião uma vez e colocamos a possibilidade de tentar deixar ao menos um jovem no plantão, seja da crisma ou outro movimento qualquer, juntamente com uma dupla de adultos. De repente, alguém que seja mais engajado, que se destaque mais nos movimentos, como uma forma de tentar voltar os olhos deles para a pastoral. E quem sabe, no futuro não teremos um plantão somente com os jovens, na missa de sábado, por exemplo, que é referência para eles, onde há uma concentração maior dos seus.

 

Estamos vivendo um momento em que o País passa por uma crise econômica. Vocês acham que isso está afetado a pastoral de alguma forma?

Desde quando assumimos para cá, não notamos isso, ao contrário, houve um crescimento gradativo, e com a entrada dos cartões de crédito e débito, o resultado tem sido muito positivo. Temos a nossa reunião, toda segunda terça-feira de cada mês após a missa, onde refletimos passagens da bíblia e debatemos novas ideias.

E as dificuldades? Elas existem?

Não enxergamos como dificuldades, mas caminhos que devemos encontrar e trilhar, e novos desafios a conquistar. Hoje, nós já aceitamos cartões de débito e crédito, e no futuro, quem sabe novas possibilidades surjam para organizar melhor e modernizar todo o processo. Há quatro anos, nós tínhamos apenas uma mesinha que ficava no final da assembleia, dentro do Loretão, mas nós pedimos ao padre e hoje temos a nossa salinha. Então, fazemos questão de cuidar muito bem dela, mantendo-a sempre limpa e cheirosa, enfeitando-a, colocando balinhas; um capricho especial para receber as pessoas que vem até nós, para que se sintam aconchegadas.

Vocês acham que poderia haver uma divulgação maior da pastoral?

Sim. A revista é um excelente veículo, os Padres podem falar um pouco mais e não somente nos avisos finais, pois muitos não prestam atenção. Devemos criar um material que possa ser entregue à comunidade e também algo para apresentar nas demais Pastorais e Movimentos. É muito importante que as pessoas conheçam e entendam acerca das pastorais, e inclusive, seria importante haver um rodízio das pessoas que participam, para que pudessem conhecer um pouco de cada uma delas, e sua forma de atuação junto à comunidade. A divulgação nunca é demais e é sempre bem-vinda!

Qual a importância do dízimo para a manutenção do Loreto?

É total, sem ele tudo viraria uma ruína. Igual ao lar de muitas famílias, que se tivessem seus salários suprimidos, teriam dificuldades para a sobrevivência. Aqui na igreja não é diferente, temos muitos movimentos, pastorais, festivas e etc. E neste exato momento, por exemplo, as luzes do Cepar estão todas acesas por conta do EAC, tem também a crisma, a catequese, as missas e etc. Quando a comunidade chega, todas as luzes estão acesas, os microfones funcionando, os televisores ligados, banheiros limpos, boa iluminação nas missas, manutenção em dia e etc.   E para que ela possa estar assim bem cuidada, e termos uma santa missa com aconchego, conforto e qualidade, como todos desejam e merecem, precisamos desse comprometimento. Nós, o povo de Deus, precisamos entender que isso é uma rua de mão dupla, para termos a paróquia a nossa disposição para tudo, para o momento que quisermos, precisamos ter essa responsabilidade, para que a obra de Deus possa permanecer. O dízimo e as demais ofertas deveriam ser capazes de custear as despesas totais da Igreja. Aqui não pensamos com fins lucrativos, pois não é uma empresa. Ninguém compra nada para vender nada. Mas, precisamos pensar em um custo, abrir frente de recursos para conseguirmos sempre dar um conforto mais adequado para a comunidade que frequenta a Paróquia. E para isso, precisamos aumentar o número de Dizimistas (que hoje não chega a 30% do Número de pessoas somando todas as idades e separando os Casais) que participam das Missas, e aumentar o valor de contribuição (quando a pessoa pode, pois, a melhor ajuda é aquela que a gente PODE dar, e deve vir do coração!).

Existe algum tipo de divulgação dos resultados? Algum painel de crescimento das doações?

Por questões de segurança nossa e da Igreja, nosso Pároco pede para não colocar e nem mencionar valores, mas é passado que com o Dizimo pagamos as despesas de luz, água, funcionários, e também realizamos algumas obras de manutenção. Quem quiser saber mais detalhes podem procurar o padre. Não importa quanto à pessoa dê, mas sim o desejo dela de ajudar sua paróquia de alguma forma. Existe um quadro na sala do dízimo que mostra mensalmente o crescimento em termos percentuais.

Qual a orientação para quem deseja ajudar?

Que procure a Pastoral na Sala do Dízimo, nos horários das missas e se sintam à vontade para ofertar com o coração. Existem duas frentes de ajuda. Uma, fazendo parte da equipe e a outra contribuindo com o dízimo. No momento, estamos com uma equipe de trabalho muito grande, portanto, a ajuda fundamental seria no dízimo. O cadastro é feito na hora, sempre temos em todas as missas uma dupla de plantão, que pode disponibilizar fichas para serem preenchidas. Outra informação importante é para aqueles que contribuíram e por algum motivo pararam de contribuir. Vocês são muito bem-vindos, podendo, caso seja necessário, reduzir sua contribuição e começar de novo sua Partilha. Não é necessário 10% do que ganha. Dar com o coração!

 

Podem deixar aqui uma mensagem final para a comunidade?

Gratidão, palavra que define melhor o sentimento que devemos ter em Deus, pois ele nos ama e cuida sem cobrar nada, somente por sua Misericórdia. Somos de verdade uma Paróquia muito grande e muito unida pelas diversas Pastorais e Movimentos. Temos uma multidão de Jovens espalhados pelo EAC, EJC, MEJ, MAC, Catequese e o Setor Juventude, e eles precisam da nossa Partilha para continuar encontrando em Cristo sua única opção de Vida. Sejamos um só povo, o Povo de Deus. A assiduidade no dízimo é muito importante também, pois dá tranquilidade para que possamos contar com ela. Aqui não pagamos impostos, pagamos de coração. E mesmo quem não pode ajudar que não deixe de vir à casa de Deus. Plantamos aqui também uma sementinha para o dizimista jovem, que ele deixe, ao menos um dia, de comprar o cachorro quente da tia, que ele só por um dia guarde os 15,00 reais e venha contribuir, para vivenciar o quanto é bom o sentimento da partilha.

 

Luciana Magalhães

Pascom Loreto

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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