- Carta aos Romanos (20)
A culpa dos judeus (Rm 10)
Diante do fracasso dos judeus, Paulo reza pela salvação deles.
Cometeram o seguinte pecado: foram zelosos nas coisas de Deus, mas não segundo a devida compreensão da Lei. De fato, guiados por um zelo não esclarecido, ignorando a justiça que Deus oferece e procurando estabelecer a própria, não quiseram se submeter à justiça de Deus.
Nos vv. 2-4 Paulo sintetiza tudo o que disse dos judeus em Rm 2-4: em relação a Deus (termo repetido 3 vezes) bom, paciente e longânime, os judeus são cegos, obstinados e rebeldes (2,4).
Alcança a justiça aquele que crê em Cristo (3,22), porque ele é o termo da Lei. De fato, quando é que se realiza o que Moisés diz a respeito da vida pela prática da justiça? É quando se realiza a justiça pela fé. É quando, ao ouvir o anúncio dos apóstolos, daqueles que falam de autoridade e cuja palavra é eficaz em promover a fé, o ouvinte confessa com a sua boca que Jesus é o Senhor, Aquele que Deus o ressuscitou dos mortos, movido pela fé que está no seu coração. Trata-se de uma condição que é oferecida a todos, judeus e gregos.
A partir de 10,17, Paulo detalha os motivos da culpa dos judeus.
1º) Embora o evangelho de Cristo tivesse sido anunciado no mundo inteiro, os judeus não lhe deram ouvido; 2º) não chegaram a compreendê-lo, por própria culpa. De fato, estão enciumados diante da conversão dos gentios.
A culpa dos judeus deixa Paulo angustiado e inconformado a ponto de expressar por meio de uma hipérbole, o seu profundo desejo para que se convertam. “Desejo ser anátema...”. Diz estas palavras aquele que no fim de Rm 8 declarou que nada poderá separá-lo do amor de Cristo. Ao revelar que, se fosse possível, aceitaria até esta condição, nos mostra quanto ele apreciava o que os judeus estavam perdendo. Grande foi o privilégio que Deus concedeu aos judeus quando os tornou o seu povo de escolha através da vocação de Abraão. Como povo de escolha é a descendência dos patriarcas, está na condição de prestar o seu culto ao Deus verdadeiro que a eles manifestou a sua Glória, deu a Lei e enviou os profetas. As Escrituras, portanto, deveriam ser a condição para acolher Cristo Jesus porque o pré-anunciaram (1,2) e o testemunharam (3,22). Por que este enrijecimento do coração e da alma, não querendo entender que a Glória manifestada sobre o rosto de Moisés ao apresentar a Lei aos hebreus era transitória? É agora que ela se manifesta de forma permanente no rosto dos Apóstolos que anunciam o Cristo. Este é o Senhor! Pelo seu Espírito somos santificados e passamos sempre mais de uma condição de fé para outra melhor (2Cor 3,18).
Paulo tem consciência que a sua pregação e a dos outros Apóstolos é uma manifestação do Espírito. A sua palavra tem força capaz de converter os corações. Ela tem o seu ponto de partida no testemunho que está nos Apóstolos em virtude do carisma profético e da unção sapiencial que receberam do Espírito. Os judeus estão repetindo o pecado que já cometeram no tempo de Isaias que exclamava: “Senhor, quem acreditou em nossa pregação”?
Paulo detalha os aspectos da culpa dos judeus com uma seqüência de citações das Escrituras: 1ª) a pregação chegou até os confins da terra; 2ª) um povo sem a inteligência que Israel possui a acolheu; 3ª) os judeus, com isto, ficaram irados.
Pelas argumentações de Paulo em Rm 9-10, entendemos, agora, claramente porque fundamentou a exposição do seu evangelho sobre um contraditório com os judeus, que vemos presente ao longo de toda a sua carta. Por ele aflora e se torna visível às nossas mentes toda a riqueza da graça que Deus nos concedeu, toda a grandiosidade do Plano dele que se iniciou com a vocação de Abraão, para ser recapitulado em Jesus, o Cristo, realizador de todos os anseios dos que o esperaram e que doa o Espírito ao povo da sua conquista, como penhor da herança eterna (Ef 1, 11-14).
Nós, agora, temos o Evangelho, reflexão sapiencial da Igreja apostólica que, em Cristo, reconhecido Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição, vê o realizador da Profecia. Por ele somos confortados na nossa fé enquanto colhemos algum fruto espiritual, no dia do Senhor, ao guardarmos no nosso coração a palavra proclamada (Ap 1,3), que nos permite aprofundar sempre mais a compreensão do Mistério de Deus, que Cristo Jesus recapitula (Ef 1,10).
Perguntas para uma reflexão
1ª) Qual é, para Paulo, a culpa dos judeus?
2ª) Qual é a grandeza do povo hebreu que os tornaria os mais aptos a receber o Evangelho de Deus?
3ª) Por que Paulo insiste, ao longo da sua carta, em dialogar com os judeus?
Pe. Fernando Capra/CRSP http://comentariosbiblicospadrefernandocapra.blogspot.com Visite o blog! |