A noite santa do Natal nos traz vida e paz em abundância. Na claridade das luzes que brilham na escuridão noturna, sentimos a presença de Deus que nos ilumina seja para as coisas importantes, seja para as realidades mais simples da vida. A cada ano, na Missa do Galo, experimentamos outra vez o realismo da profecia de Isaías: “O povo viu uma grande luz; para os que habitavam as sombras da morte uma luz resplandeceu” ( Is. 9, 1).
O livro do Apocalipse ensina que “Ele é a luz que ilumina a Jerusalém celeste.”(At.21,23)
Natal é a celebração do intercâmbio entre o céu e a terra, de forma que o que é do alto se une ao que é da terra e esta é elevada às claridades celestes. O Messias vem “reconciliar em si todas as coisas, as da terra e as do céu.” (Ef. 1,3-10)
O nascimento do Salvador é a festa da alegria para o povo que crê, como reza Isaías na profecia da gratidão: “Multiplicaste a alegria do teu povo, redobraste sua felicidade. Adiante de Ti vão felizes, como na alegria da colheita, alegres como se repartissem conquistas de guerra.” (Is. 9,2)
O Natal é festa de libertação para o povo, pois “a canga que lhe pesava ao pescoço, a vara que lhes batia nos ombros, o chicote dos capatazes, tudo quebraste como naquele dia de Madiã” (Is.9,3).
Natal é festa da vitória sobre o mal, sobre injustiças, desavenças e guerras, uma vez que “Toda bota que marchava com barulho e a farda que se suja de sangue vão para a fogueira, alimento das chamas ” (Is. 9,4)
O nascimento de Jesus é benefício para todos, fiéis ou os ainda incrédulos, como os anjos cantaram aos Pastores: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa-vontade. ”
O Natal é festa que traz emoção para os que têm o dom da fé ou a sensibilidade de um coração verdadeiramente humano.
Quem não se emociona ao ouvir as narrativas bíblicas do nascimento de um Deus que se fez Homem? Em literaturas diversas, nos encantamos com a narrativa quase jornalística de Lucas, a descrição cheia de símbolos de Mateus e o enunciado quase magistral de João.
Quem não se vê naturalmente impulsionado à oração, diante de um presépio, ao contemplar o Deus-Menino reclinado numa manjedoura , sob o olhar terno de Maria e o dorso reclinado de José a olhar o pequenino?
Dom Gil Antônio Moreira
Bispo de Juiz de Fora |