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O encanto do Natal |DEZEMBRO


NATAL: festa de luz, de flores, hinos, incenso e louvores. Época em que aqueles que estão longe, retornam ao lar paterno, como os descendentes de Davi, reuniram-se em Belém. Festejamos o nascimento de Jesus, o Redentor. Felizes somos nós a quem Jesus se referiu dizendo:

"Bem-aventurados aqueles que não viram e creram". E o povo de Belém, sabendo pelos profetas, que a chegada do Messias estava próxima, não percebeu que aquela era um noite de glória e que em sua terra, nasceria um Deus.

Em minha casa também preparo o ambiente para os festejos natalinos e meu coração cheio de saudades, vibra de alegria com a chegada de meus entes queridos.

Há o presépio que faço com todo carinho, a árvore de Natal, os presentes e a ceia precedida de uma linda oração em verso.
Respeito e gosto da tradição, mas no mais íntimo de minha alma, há um Natal diferente. Eu volto no tempo e faço a viagem de Nazaré a Belém acompanhando José e Maria que, cumprindo o decreto romano, deviam voltar à terra de origem e sendo ambos da tribo de Davi, seu destino era Belém onde seriam recenseados.

Eu vejo José preocupado pensando em Maria e Maria pensando em Jesus. E assim, sem nenhum egoísmo, com a fé firme em Deus que tudo provê, lá seguiam eles, sem queixas ou lamentações.
Nas paradas, conversavam e riam, pois de sua convivência, nascera um santo amor. Chegando a Belém ao anoitecer, procurando pousada entre os parentes e conhecidos, mas ninguém podia recebê-los. Eu não consigo pensar mal da gente de Belém. Penso se nossa cidade recebesse todos os que daqui se originaram, como ficaria? Lotada, faltando alimentos e pouso.
Só os mais ricos encontraram lugar em Belém nas hospedarias raras e pequenas.

Também é humanamente compreensível que Belém pequena e pobre aproveitasse a oportunidade única de ganhar muitos denários. E assim, da cidade para os arredores e depois aos campos, lá se foram José e Maria.

José não se desesperava e também tinha uma esposa que não o atormentava com reclamações e assim lembrou-se que junto ao túmulo de Raquel existiam inúmeras grutas, onde os pastores se recolhiam e aos seus rebanhos quando nevava. Aquela era uma noite fria, mas não havia neve e os pastores dormiam nas colinas; José escolheu uma gruta limpa e forrada de feno e lá acomodou a sua preciosa carga. Hoje, quando dizemos: “ fulana deu à luz” é uma lembrança do Natal, pois na gruta, Maria deu a luz, verdadeiramente luz que iluminaria o mundo. E junto com o choro do recém-nascido, cantavam os anjos "Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade".
E José, feliz e encantado, contemplava Maria e Jesus agradecendo a Deus a graça do dever cumprido. Volto ainda mais no tempo e vejo Maria usando o fuso, a roda e o tear e tecendo linho e lã para as roupinhas do filho amado. Vejo-a à sombra de sua casinha de Nazaré, que cheirava a alecrim e resedá, costurando, rindo e cantando. Mulher habilidosa e previdente Maria daria a Jesus um lindo enxovalzinho. Por tudo isso, não consigo sentir um Jesus nascendo já sofredor. Mais do que um exemplo aos pobres, eu vejo ali o amor familiar e o ensinamento que São Paulo nos dá "Aprenda a viver feliz em toda e qualquer situação". E a Jesus, menino dulcíssimo, que não tinha frio porque a natureza dera a Ele o feno, cama e cobertor quentinho, que não tinha fome pois nos seios de Maria, abundava o leite para nutrir a natureza humana do Deus-Menino, que era velado e protegido pelo carinho e amor dos pais, a Ele eu peço pelas crianças que sofrem e por cada criança do mundo:


Ó Senhor, esta tão meiga criança
É um poema, poema da esperança,
Que tua luz ilumine os caminhos
Afasta dela o mal, todo o mal.
Afasta-a dos espinhos.
Sê tu a lâmpada para seus pés
Ela é só esperança...
Lembrai Senhor, que fostes um Deus-Criança,
Amém.

Heloisa Maria Villas-Boas Szundy

Publicado originalmente no mês de dezembro de 1992.
Gentilmente escrito pela autora para O Mensageiro.

 
 
 

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