PARA PAULO O CENTRO da sua fé é o Deus de Israel que, por Jesus, realiza a sua suprema revelação porque, este é a Imagem da sua Substância, a expressão do seu Ser, o Resplendor de sua Glória. É a Palavra criadora que, pela encarnação, nos faz a exegese de Deus. A bondade, o amor e a misericórdia, que Deus tinha manifestado ao povo de Israel, encontram em Jesus a sua última manifestação. A paternidade divina é aprofundada por Paulo através da revelação da Vida Trinitária. Deus é nosso Pai segundo a paternidade que o relaciona com o seu Filho. Jo 20 explicitará essa realidade com as palavras de Jesus à Madalena: “Subo ao meu Pai e vosso Pai, ao meu Deus e vosso Deus”.
Essas últimas palavras “Meus Deus e vosso Deus” indicam que existe uma identidade de natureza, participada pela humanidade de Jesus de forma gloriosa, a partir da ressurreição. Todavia, segundo essa humanidade, o Filho, enquanto é o homem Cristo Jesus, é “inferior” ao Pai e exerce a condição de mediador entre Deus e os homens. Inferior a Deus enquanto homem, nos faz participar da vida divina enquanto Deus: pela encarnação, na condição de Palavra de Deus, e pela imolação do homem Cristo Jesus. Nisso se revela quão sábio é o amor de Deus. Pela encarnação entrega o Filho ao mundo. Mas este Filho, Pessoa divina consubstancial ao Pai, enquanto Deus, vem por si mesmo e atua a nossa redenção por virtude própria. É na condição de homem, todavia sempre como Pessoa divina, que se oferece ao Pai como vítima de imolação, para que os homens sejam resgatados das suas culpas e, regenerados e vivificados pelo Espírito Santo, na condição de filhos adotivos, se tornem herdeiros da vida eterna. Pela sua morte estabelece a paz.
Jesus Cristo, atuada a redenção, exatamente porque alcança para nós a remissão dos pecados, se torna o Senhor da Igreja que usufrui da sua santificação, porque aprouve a Deus Pai que em Jesus habitasse corporalmente a Plenitude da divindade. A relação de Jesus como cabeça do seu Corpo que é a Igreja é ilustrada em Rm 5 pela alegoria do Adão no qual todos pecaram.
Onde abundou a culpa, superabundou a graça. Por ele os membros do Corpo são alimentados e crescem, solidamente alicerçados nele como um edifício bem estruturado.
O apóstolo é o mensageiro do Evangelho de Deus. Fala de Jesus Cristo, o Mistério de Deus, riqueza da Glória, pelo qual Deus revela toda a sabedoria do seu Plano de recapitulação da história, querendo nos tornar seus filhos no Amado (Ef 1,6). O ministro da Nova Aliança no Espírito tem a função de agir, em nome de Cristo Jesus para “apresentar todos os homens perfeitos em Cristo” (Cl 1,28); o qual, tendo realizado a redenção, quer, como Senhor da Igreja, nos “apresentar santos, imaculados e irrepreensíveis a Deus Pai” (v. 22). Na sua função, exercida com pureza de intenções e em pleno conhecimento, o apóstolo, pelos seus sofrimentos que o associam à Paixão de Cristo e que operam nele a morte enquanto brota nos fiéis a vida, “completa o que falta à Paixão de Cristo pelo seu Corpo que é a Igreja” (v.24).
A gloriosa vocação do apóstolo visa lhe merecer, segundo o seu específico serviço na Igreja, a herança dos santos. Mas, cada fiel é chamado à mesma herança, que deve ser por ele merecida segundo a sua específica vocação. Todos têm que chegar ao pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda sabedoria e discernimento espiritual (Cl 1,9). Todos devem desenvolver a fé, crescendo na compreensão do Mistério de Deus que é Cristo, na caridade e na esperança. Indistintamente, portanto, todo e cada membro deve tornar os membros do seu corpo armas de justiça e, como santo e amado, revestir-se dos sentimentos de Cristo.
O instrumento é a Palavra, meditada na Ação de graças, para que haja o ensino com toda sabedoria e a admoestação “para nos confortar pela fé” (Rm 1,12). Então reinará a Paz.
Pe. Fernando Capra - CRSP
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