A solenidade da Imaculada Conceição de Maria, celebrada a 8 de dezembro, é como a alvorada do sol do Natal. Nos dias do Advento, quando o cristão é situado no clima de expectativa pela nova vinda de Jesus, a aparição da criatura sem mancha vem aumentar a esperança.
Durante o Advento, há mais de mil anos, a Igreja levanta aos céus esta belíssima prece de louvor à Mãe de Jesus: "Santa Mãe do Redentor, tu que és a porta aberta do céu e a estrela do mar.
Vem ajudar a este teu povo que cai e estende tua mão para que se levante. Tu que, com assombro da Natureza, Virgem antes e depois do parto, deste à luz o teu Criador, recebendo a saudação da boca de Gabriel, tem piedade dos pecadores". Esta comovente oração retraía a triste situação do homem que se rebela contra Deus, mas que vislumbra a misericórdia divina a lhe chegar através de Jesus, nascido desta Senhora singular. As entradas da Jerusalém celeste, fechadas pela rebelião edêmica, graças a Maria e seu divino Filho, deixam contemplar novamente as claridades eternas. O céu ilumina-se com o brilho de uma estrela prodigiosa e os homens deparam, com segurança, a direção do porto da salvação. E que, ao mesmo tempo, se aguarda a chegada do Redentor, o qual. reabilitou o ser racional de sua miséria, e se voltam os olhares para sua santa Mãe e tudo isto repleta os corações de júbilo. Ela, concebida sem a mancha do pecado original, se apresenta toda bela, inteiramente pura. ideal de perfeição.
Em vão, poeticamente, o homem pede a claridade à lua, as tintas à aurora, a majestade aos céus, os encantos às fontes e à natureza inteira suas graças, sua pulcritude, pois ela é mais formosa que tudo isto. As imagens mais inspiradas dos vates bíblicos fluem dos lábios dos seguidores de Jesus para louvá-la, mas eles percebem que isto não é suficiente. Multiplicam-se as boas: "Teu vestido é alvo como a neve e teu rosto brilhante como o astro rei... Es o revérbero da eterna luz, és um espelho sem mácula... Resplandeces mais que o sol e, comparada com a luz, te encontramos mais límpida ". Assim a louva a Igreja e, deste modo, a engrandecem os crentes.
A admiração sobe num crescendo de entusiasmo à medida que vão surgindo os privilégios desta Madona, as grandezas da mariologia. E Maria a predestinada, a escolhida, a imaculada criada na Santidade e na justiça. No Antigo Testamento aparece ela nas figuras, nas profecias e nos seus protótipos longínquos: "Eva, a mãe dos viventes; Ester a graciosa; Débora, a invencível; Judite, a libertadora do povo escolhido; a arca da salvação que flutua sobre as águas do Dilúvio; o branco velocino que, entre a aridez da terra, se humidece com o rocio milagroso; a chama que as torrentes não podem extinguir; o lírio que floresce entre os espinhos; a fonte cujos cristais não se enturvam nunca; a mística cidade sobre a qual se narraram tantas maravilhas; a Esposa do Cântico, que vem do Líbano, adornada de jóias preciosas". Alça-se a voz do profeta Isaías: "Eis que uma Virgem conceberá... Seu filho será chamado Deus conosco". Com razão então se colocam nos lábios de Maria estas palavras: "Com toda a alegria me alegrarei no Senhor, porque me vestiu com o manto da sua graça e me adornou com os ornamentos da santidade, como uma esposa no esplendor de suas galas e gemas preciosas ".
A tudo isto se acrescente a homenagem que tanto Maria aprecia: a imitação de suas virtudes celestiais por parte de milhares de seus devotos através dos séculos. Quantos, de fato, se apartam dos vícios e da lama do pecado para fazerem resplandecer nas suas vidas um pouco de magnitude desta Mãe extraordinária! Estes é que podem, na sinceridade de uma prece bíblica, a ela saudar plenamente: "Deus te salve, Maria, cheia és de graça "!
Com. Geraldo Vidigal de Carvalho |