Caríssimos irmãos, "bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu Nele, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis aos seus, diante de seus olhos. No seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre Vontade, para resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por Ele no Bem Amado. Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência. Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua Vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos, desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra. Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio Daquele que tudo realiza por um ato deliberado de Sua Vontade, para servirmos à celebração de sua glória, nós, que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo. Nele também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo, que é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória" (Ef 1, 3-14).
Amados, paremos e saboreemos a promessa do Senhor que nos é apresentada. É de ficar extasiado! Sim, suspiremos profundamente e deixemos que esta verdade caia no nosso coração. Ela é para mim, para você, para nós. Assim tudo se realiza, não por nossos méritos, mas pelo misterioso desígnio da Vontade do Pai, que nos amou e nos escolheu antes de todas as coisas, para em Jesus, sermos santos, felizes e eternos. Que maravilha, que alegria, que razão especial para louvarmos a Deus, celebrando o Santo Natal, com a certeza de que mais cedo ou mais tarde essa promessa se cumprirá na nossa vida. Entretanto, muitos de nós procurando as novidades da época, vamos tão distraídos dar um passeio no shopping e descobrimos que as lojas estão enfeitadas para o natal. Paramos e ficamos deslumbrados, perplexos com este mundo de magia, encantamento e de luzes artificiais e aí num piscar de olhos adentramos no universo mundano do consumismo e esquecemos tudo aquilo que o Senhor tem preparado, paulatinamente para cada um de nós. E vemos os "cristãos" se misturando aos consumistas em potencial preocupando-se com os estoques que podem terminar, com as promoções, com as ofertas tentadoras, enfim, fazendo dívidas enormes ao longo de um ano que ainda não chegou, tudo isso para se confraternizar e ter um natal digno. Irmãos, o que é isso? Acordemos queridos! Que consumo maluco é este? Podemos ser festeiros, favoráveis a este período, gostarmos do clima do natal, mas precisa ser esclarecido que isso é natal pagão. É natal de comilança, bebedeira, troca de presentes, brilho de luzes, músicas natalinas em especial aquela que a cantora Simone faz ecoar nos ouvidos de todos, mas Jesus onde está? Não é Ele o aniversariante? Não é Ele o centro da celebração? Não é Ele o motivo e a razão de tudo? Não foi Ele que entregou a sua vida para que nós fossemos redimidos, resgatados, de todo pecado? Ora irmãos, não compreendamos mal o que está colocado. Nenhum de nós está proibido de celebrar o Natal com festa, mas que seja uma festa com a presença da Palavra de Deus, com a presença da oração e do louvor, com a presença do perdão e do amor, com a presença do silêncio de José, da entronização de Jesus como Rei, Centro e Senhor de nossa vida, assim agradaremos ao aniversariante e será Natal de Verdade, e brindaremos e comeremos em glória e louvor Daquele que é o centro de nossas esperanças.

Irmãos, é no silêncio do nosso coração que Deus fala. Falamos muito, talvez estejamos orando demais, mas precisamos silenciar para escutar o que o Senhor quer nos dizer, portanto meditemos nas atitudes daqueles que agradaram a Deus, como por exemplo, José, em alguns momentos de silêncio: Num primeiro momento, durante a gravidez de Maria "Assim nasceu Jesus: Maria, sua mãe, estava despojada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, que era homem de bem, não querendo difamá-la rejeitou-a secretamente. Enquanto pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo de seus pecados.
Despertando, José fez como o anjo do Senhor o havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa". (Mt 1, 18-21.24). Vemos ainda José, silencioso perante a manjedoura. São Lucas, no capítulo 2 nos fala de todos os acontecimentos ao redor do nascimento de Jesus. O coro dos anjos, o testemunho dos pastores a Ele. O seu coração silencioso guardava, como o da esposa todas as coisas referentes aos acontecimentos. Em outro momento podemos perceber o silêncio de José na proteção do Menino Jesus - A chegada dos Magos, à procura de Jesus, acendeu a fúria de Herodes que procurou matar o menino Jesus.
Sob as ordens de Deus, José deixa o conforto de Belém e de sua terra, a Judéia, e foge com Maria e a criança para o Egito onde permanecem até a morte do rei, voltando depois para viver numa terra simples, chamada Nazaré. José, silenciosamente, se torna um instrumento ativo e obediente nas mãos de Deus dando todo amor, carinho e proteção do Eterno Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo. (Mt 2, 13-15; 19-23). Podemos, ainda, observar o silêncio de José nos Evangelhos e o seu grande privilégio - A narrativa dos Evangelhos nos mostram de forma maravilhosamente silenciosa a vida de José. Ele surge no cenário da vida de Maria e Jesus. Oferece todo o respaldo necessário de proteção, abrigo, alimento para o Senhor Jesus. Permanece silencioso, falando alto apenas as suas atitudes e, misteriosamente, desaparece no cenário da História da Redenção. No entanto, ninguém teve maior privilégio do que ele.
Protegeu e amparou o menino Jesus e teve o deleite de ensinar a Jesus, o Salvador do mundo, como manusear um martelo. É esse tipo de pessoa que Deus procura para o Seu Reino. Que trabalhe sem estardalhaço, sem preocupação com fama, sucesso ou poder. Que trabalhem e dêem tudo, como fez o homem que achou o tesouro no campo ou o que encontrou a pérola de grande valor e dão tudo pelo Reino de Jesus Cristo.
Amados, termino esta reflexão enfatizando que grande e maravilhoso Natal poderá ser para nós, como o de José, no silêncio das palavras para a escuta do Senhor e nas grandes atitudes que tomarmos diante dos fatos, para que despojados de tudo aquilo que é falso, passageiro e que não traz alegria e felicidade, possamos abraçar e confiar na promessa do Deus imenso que nos adquiriu para o louvor de sua glória.
Um Santo e Feliz Natal com Jesus Vivo e Presente no coração!!!!
Ricardo da Liturgia das 10h
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