O advento é o tempo mariano litúrgico por excelência. Neste período litúrgico a Igreja celebra a presença de Maria no mistério de Cristo em atitude de espera pelo Salvador que vem a nós, na pessoa de uma criança necessitada de tudo, de modo especial dos cuidados de sua Mãe. Se o mês de maio é o tempo de manifestar a nossa devoção e culto a Virgem, o advento é a época litúrgica de manifestar nossa participação na história salvífica que Jesus trouxe ao encarnar-se no seio de Maria de Nazaré. Através das atitudes de Maria pode-se conhecer três modos de viver, santificar e celebrar bem o tempo mariano litúrgico da Igreja.
Primeiro, deslanchar um processo e purificação interior, isto é, voltar o nosso coração a Deus, pai das misericórdias: abrir-nos a graça trazida pelo Salvador na pessoa de uma criança; deixar-nos interpelar como Maria foi interpelada e dar nossa resposta ao Plano do Pai. Pois foi um tempo no qual fazer-se humano do Divino significou interpelar uma mulher e dar a ela a liberdade de escolha. À Maria foi dada esta liberdade. Interpelada diretamente, diretamente responde: Eis-me aqui! (Lc 1,38).
Segundo, aproximar-nos mais de Jesus Cristo, o Menino do Natal, que armou tenda entre nós no seio de Maria de Nazaré. Tomar consciência de que Ele está presente cada vez mais na nossa vida e por Ele temos a graça salvadora que nos torna dignos de recebê-lo de modo especial no outro com quem entramos em relação. Pois foi um tempo o qual o fazer-se finito do Infinito se tornou realidade no corpo de uma mulher: Deus se fez carne na Pessoa de Jesus Cristo, o Menino do Natal. Este Mistério foi acolhido no silencio do corpo de Maria e ela entrou em relação com Ele com toda a sua vida.
Terceiro, abrir nossa mente e coração e toda a nossa corporeidade ao Espírito Santo, que é força criadora e consoladora de todas as pessoas que se abrem ao mesmo espírito que desceu em Maria. Pois um tempo no qual a comunicação com o Infinito usou como primeira modalidade de comunicar aquela humana, do contato físico, de um corpo contido no corpo. À Maria foi reservada fazer a experiência e da completude da comunicação com o Filho de Deus em todo o seu ser, como pessoa e como mulher.
Estamos, assim, diante do grande mistério da nossa fé, o Mistério da Encarnação. Maria é o lugar em que se dá a revelação desse grande Mistério. Qual a interpelação que o Mistério acolhido e trazido por Maria nos faz neste tempo de Natal? Qual a nossa resposta diante de uma realidade tão conturbada pela violência, pela miséria material e espiritual e pela exclusão dos nossos empobrecidos?
Aprendamos, então, de Maria a estar com as mãos estendidas para os mais necessitados, os olhos abertos para realidade sofrida que nos cerca e os ouvidos atentos ao grito dos excluídos, grito-clamor que se faz súplica dirigida ao messias Libertador que nos vem pelo Menino do Santo Natal! Boas festas para todos!
Lina Boff
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