Cristologia (14) - O Ensinamento de Jesus em Mateus
O Senhor da Igreja, na condição de Novo Moisés, do Monte da Santidade, ao qual subiu para se encontrar com Deus, e do qual desce para nos trazer a Lei levada à perfeição, nos ensina, para que sejamos grandes no seu Reino, o verdadeiro espírito da mesma (Mt 5-7). Os que não põem em prática a sua palavra serão como os escribas e fariseus hipócritas que amam a casuística, são guias cegos, sepulcros caiados, cheios de ódio e rapina e que chegam a perpetrar a morte do Justo (Mt 23). Se tornarão a Jerusalém que o Filho do Homem destruirá porque não a reconhecerá, merecedora do fogo eterno. A indignação dele será provocada pela displicência qual demonstrada pelas cinco virgens estultas, pelo servo infiel que não fez frutificar o talento recebido, e pelas arbitrariedades perpetradas enquanto o dono da casa demorava em chegar. Enquanto Jesus dita as Bem-aventuranças, se apresenta como Modelo, e, enquanto leva à perfeição a Lei, mostra a qual grandeza pode chegar o seu discípulo. Por isso, embora seja compassivo e longânime conosco, não deixa de ser extremamente exigente porque o seu seguimento é condição de realização. No discurso da Missão (Mt 10), chega até a nos advertir que não nos reconhecerá diante do seu Pai se não tivermos dado testemunho dele diante dos homens. O Reino deve ser conquistado abdicando a tudo para conquistar a Cristo. No discurso à Igreja (Mt 18), Jesus completa o seu ensinamento nos exortando, depois a por em prática o seu ensinamento moral, a viver o serviço, à semelhança dele que veio "não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos". O ensinamento se torna ainda mais vigoroso no discurso escatológico (Mt 24-25), momento em que aparece toda a gravidade de uma Jerusalém que desprezou todas as visitas do seu Deus, sistematicamente eliminando os profetas que lhe eram enviados. Os mestres da Lei mostram em si toda a perversão de quem, por não se determinar em por em prática os mandamentos de Deus, vão sempre mais degenerando até o ponto de se tornar os algozes do Justo. O discípulo deve viver, portanto, na vigilância para não ser surpreendido pelo dia do Senhor que, para os maus, virá como o dilúvio nos tempos de Noé. O Filho do Homem que, para os justos será a Porta do céu, consagrada pela imolação de Cruz, que se dará aos seus com a Água cristalina do Espírito, virá sobre as nuvens dos céus, com todo poder e glória.
Ele é o Filho que os servos e as virgens devem esperar com suas lâmpadas acesas para entrar com ele na sala do banquete das núpcias. Pela humilhação da sua Paixão e Morte, resgatou o homem da sua condição de miséria. Por isso os discípulos devem procurá-lo segundo a sua nova condição de ressuscitado e anunciar a salvação no mundo inteiro.
No fim do Discurso da Montanha, Jesus nos exorta a sermos discípulos que constroem a sua casa sobre a rocha para que não desabe. Somente quem ouve as suas palavras e as põe em prática superará a provação e será, então, reconhecido por ele.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é a importância do Discurso da Montanha?
2ª) O que, de forma peculiar, Jesus exige dos seus discípulos no discurso da missão?
3ª) A qual vigilância nos chama o discurso escatológico?
Pe. Fernando Capra/CRSP |