Carta 7
Será que a firmeza de suas convicções internas não deveria sustentá-los sem precisar de ordens escritas? Se vocês forem generosos, aprenderão a se governar por si mesmos, sem leis exteriores, nas com elas nos corações. Desse modo, cumprirão não a palavra exterior, mas a própria intenção interior E assim que convem agir, se não quiserem obedecer como empregados e sim como filhos.
Sendo assim, tendo quem os governe, deixar-se-ão governar. Se for um anjo a governar vocês, não se preocuparão com quem os governa, seja este ou aquele e, quando não tiverem ninguem para os governar, a sua própria consciência os governará. E, tendo governo ou não, vocês conservarão sempre a união como os seus chefes e não provocarão mais tantas divisões.
No futuro, vocês não considerarão rigorosas as palavras e o comportamento dos seus superiores, mas em todas as ocasiões, saberão governar-se, ora mais, ora menos rigorosamente, mas sempre conforme as intenções deles.
E vão evitar também imitações bobas dos modos e das falas dos outros, porque se fica bem a uma criança dizer mãe ou mãezinha, papai ou papaizinho, isso já não seria próprio de um homem adulto.
O mesmo se diga para as coisas espirituais.
Então, se alguém faz uma tarefa que já é de outro, não fique com ciúmes. Afinal, o que estamos querendo? Por acaso querermos ser patrões ou senhores? Ou querermos ajudar-nos uns aos outros no caminho da perfeição e da humildade? E se é assim - como de fato é - por que um destrói o que o outro faz?
Pelo amor de Deus, que as palavras lisonjeiras não os amoleçam e os elogios não lhes subam a cabeça, mas nos conformemos todos com o Cristo.
Ninguém transgrida as ordens e, se alguém as transgredir, o outro as observe melhor ainda. Na falta de quem mande, cada um seja seu próprio mestre e se supere.
Comprometam-se com atitudes de humildade e de simplicidade e não procurem a própria vontade, mas a de Cristo em vocês, pois assim se sentirão mais facilmente pertencentes a Ele (Rm 13,14). Desse modo, vocês fugirão da rotina e satisfarão o desejo de Frei Batista (nosso santo pai) que, como vocês se lembram, queria que fôssemos plantas e colunas de renovação do fervor cristão (Ef.3,4 /4,23).
Se vocês soubessem quantas promessas de renovação foram feitas a tantos santos e santas! E todas elas vão acontecer nos filhos e filhas de nosso pai, a não ser que Cristo quisesse enganá-los, o que Ele nunca vai fazer, pois é fiel cumpridor de sua Palavra.
Ó querido pai, você suou e sofreu e nós recebermos os frutos, você carregou a cruz e nós descansamos demais! Por agora, nós faremos crescer os seus frutos e os nossos também, aceitando e carregando a cruz.
Filhos e plantas de Paulo, alarguem os seus corações (2Cor.6,13), pois quem os plantou e ainda planta, tem o corarão maior e mais aberto que o mar e não sejam inferiores a vocação para a qual foram chamados (Ef.4, 1). Se vocês quiserern, serão, desde já herdeiros e filhos legitimos do nosso santo pai e dos grandes santos e o Cristo Crucificado estenderá suas mãos sobre vocês.
Não minto para vocês e não há ninguém de nós que queira mentir, por isso, procurem dar-me grande satisfação e lembrem-se de que, estando aqui ou fora, vocês tem a obrigação de dar-me satisfação.
Chega! Que o próprio Cristo escreva a nossa saudação em seus corações.
Seus pais e guias em Cristo.
Padre Antonio Maria e Angélica Paula Antônia Negri
Para refletir:
1. Como encarar a obediência hoje?
2. Que experiências de descentralização já existem na Congregação, Província, paróquia, grupos?
3. O que você acha da co-responsabilidade na vida religiosa e paroquial? O que falta para implantá-la na sua realidade?
4. O que infantiliza nas nossas praticas e costumes de vida religiosa, paróquia, grupos,...?
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