Aproxima-se o Natal. As cidades estão cheias de luzes e presépios, pinheiros e guirlandas enfeitam casas e lojas. Também a figura do Papai Noel, com sua enorme barba branca, está por todo lado. É bonita a alegria desta data e o sentimento de solidariedade e compaixão que ela desperta em algumas pessoas.
Por outro lado, é triste constatar que o verdadeiro espírito do Natal quase não é lembrado. Em muitas famílias, a festa é transformada em mera troca de presentes, sem que o nome do aniversariante seja sequer mencionado.
Sorte é que essa regra não é geral. Há famílias que conseguem manter vivo o espírito natalino e os ensinamentos de Jesus, que são de paz, união, justiça, humildade, fraternidade e solidariedade.
Muitas famílias católicas, festejam o Natal com a alegria e o espírito de confraternização que a data merece, inclusive com troca de presentes, mas sem jamais se esquecer, e sem permitir que os outros se esquecessem, de Cristo, o motivo da alegria maior. A reunião da família é fundamental. Natal é a festa da família, amigos sem família, namorados dos filhos solteiros, parentes mais idosos que estão sós, todos em tomo da mesa, para celebrar o Natal e partilhar o significado especial desta festa. É um momento para o compartilhamento de alegrias e dores, de celebrarmos o sentido da pertença a uma família ainda maior, que é toda a humanidade.
Em muitas casas organiza-se um "amigo oculto", para que cada pessoa da família seja lembrada com um presente, mas sem aqueles exageros promovidos pelo comércio dos shopings.o O mais importante para todos deve ser é a partilha da mesma mesa, a celebração da comunhão, da presença de Jesus, da importância que ele tem nessa revelação de que somos todos irmãos e a consciência de que, enquanto uma família da humanidade, nós temos também um serviço.
Deve-se promover sempre uma celebração, com uma leitura bíblica ou uma bela mensagem de fraternidade.
O sentido da festa do Natal é de simplicidade pois o nascimento de Jesus, nas circunstâncias em que se deu, em um lugar simples, um estábulo, cercado por animais, visitado por pastores e reis, nascido em uma família constituída - José e Maria -indicado por uma estrela, nos aponta para uma realidade belíssima: o filho de Deus, assim como ocorre com cada um de nós, nasceu absolutamente integrado à natureza, à humanidade, ao cosmos. Também nossa celebração deve remeter a essa profunda integração com essas realidades.
O Natal desperta em algumas pessoas sentimentos de solidariedade e compaixão. Nesta época do ano surgem campanhas contra a fome e a miséria humana e brota nos corações certa generosidade Para muita gente, é como se o Natal fosse uma oportunidade de se redimir de algumas dívidas, de tentar ser uma pessoa melhor. Por isso, aumentam nessa época as esmolas e doações.
Principalmente nos 15 dias que antecedem o Natal, esse comportamento ganha força na sociedade. No entanto a população que está nas ruas, para os que estão privados de quase todos os direitos humanos, embora a alimentação e os presentes arrecadados no Natal sejam importantes, o que acaba ficando, na verdade é um grande vazio.
Isso acontece porque muitas vezes a doação é um gestos superficial, uma atitude que não cria uma relação nova entre aquele que doa e aquele que recebe. "O que a gente percebe é que a doação anônima, não cria nada de diferente e não resulta em uma mudança de comportamento.
O ideal seria o oposto disso, que, por trás de um gesto de doação, existisse um verdadeiro interesse pelo irmão que sofre, pois o Natal é justamente a festa da vida e do nascimento, que é o nascer novo para coisas novas, para novas relações, novas perspectivas. Isso em geral não acontece entre a sociedade e a população de rua.
Para quem está na rua, geralmente o Natal traz muita melancolia e dor, porque é uma festa da família e, quase sempre, essas pessoas não têm para onde ir, nem com quem estar.
Faça um Natal diferente com mais fraternidade e amor. Com certeza Jesus vai gostar!
Extraído do Jornal Opinião
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