1 e 2 Carta aos Tessalonicenses (2)
Conteúdo e Mensagem
O estilo da Epístola aos Tessalonicenses é direto, simples e cordial ignorando a complexidade conceitual das epístolas maiores. O Apóstolo, tanto estilisticamente como teologicamente, encontra-se na primeira fase de sua atividade de escritor. Certamente são visíveis os acenos aos grandes temas (como a relação carregada de tensão entre hebreus e pagãos), que serão discutidos mais tarde, por exemplo na Carta aos Romanos. Mas ainda não se chega às grandes elaborações especulativas e à argumentação decidida e segura que caracterizam as epístolas posteriores de Paulo.
O que impressiona logo o leitor de 1 Ts é uma grande diferença de tom com relação às outras epístolas paulinas. O apóstolo não está preocupado com alguma grande questão doutrinal. Antes de tudo quer manifestar a intensidade dos sentimentos que o ligam a uma comunidade que acabara de fundar e deixara pouco antes. Depois de um momento de inquietude, Paulo se mostrara eufórico com as boas notícias que, enfim recebeu. A sua alegria por ver irradiar a fé nascente da jovem igreja se exprime numa longa ação de graças (dos vv. 2-10 do cap 1). Não precisa corrigir erros: sabe que os irmãos, de Tessalônica estão no bom caminho, que resistiram à provação. A única coisa a lhes recomendar é que perseverem nesse caminho e façam nele novos progressos.
Por certo Paulo esta impaciente por voltar a estar com os tessalonicenses para completar o que ainda falta à sua fé (3,10), mas ele não está preocupado: os seus correspondentes são fiéis, sabem como devem viver doravante; é preciso no máximo repetir-lhes o já dito (4,9; 5,1). Vivendo na esperança, várias vezes proclamada (1,10; 2,19; 4,16), da volta de Cristo glorioso, a Igreja de Ts é uma prova de que, não obstante todos os obstáculos, o Evangelho prossegue a sua obra.
Esta alegria, esta confiança, este fervor são expressos em uma linguagem simples e direta, e 1 Ts é como a mensagem atenta e afetuosa de um pai a seus filhos (cf. 2,11-12), que sabe das dificuldades que eles precisam vencer. Na aurora da história da Igreja, revive-se com esta epístola o ardor dos primeiros combates e o entusiasmo das primeiras vitórias; nela encontramos a generosidade que marca os grandes começos.
Continua no próximo número
Jane do Tércio
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