Para as Catequistas
O Advento é tempo de espera. Cada ano se repete, com os mesmos comentários, talvez cheios de convencionalismos.
Apesar de a liturgia ser rica em palavras, símbolos e significados... não parece servir muito quando não vai acompanhada de uma atitude que só podemos assumir pessoalmente. Isso porque é "só" preparação do verdadeiro tempo forte: o Natal. Advento é tempo de espera. E os adultos não sabem esperar; por isso, é um desafio pessoal.
O adulto faz da espera um tempo em branco. No mais, consegue continuar como se nada estivesse para acontecer; continua fazendo coisas, pensando em coisas nas quais já pensava antes da espera começar... e vai "matando o tempo". Porque o tempo de espera é aquele em que, do contrário, nada acontece; fica vago e só adquire sentido quando o esperado suceder. Os adultos, de modo geral, fazem da espera um mal inevitável. Às vezes, conseguimos não ficar ansiosos por essa espera que nos aborrece e até desespera. Como é possível que a espera desespere?... pois acontece! Por isso, pensamos que no Advento "não acontece nada". É verdade que a Igreja diz que é tempo para a conversão e para "preparar os caminhos", mas, na realidade, muitas vezes isso é meio diluído. Afinal, estamos trabalhando e com aquele monte de coisas para fazer. O que importa é o Natal mesmo; aí é que celebramos!
Essa é a experiência dos adultos, só dos adultos. As crianças têm outra maneira de esperar. Criança faz da espera não um tempo chato, inevitável, que há que viver com a menor intensidade possível, mas faz dela o melhor do acontecimento.
Enquanto a espera existe, tudo está para acontecer, tudo está por desfrutar ainda.
Durante a espera, tinha a certeza de que iria receber um abraço apertado e, talvez, alguma coisa mais. Durante a espera, a criança sabe que tem todo o tempo do mundo para gozar.
Durante a espera, alimentam-se as ilusões; a imaginação trabalha e cria mil momentos insuperavelmente felizes. Durante a espera, a criança vive tudo o que quer viver, traz para si a perfeição à sua medi-da e não há "realidade real" que possa desmanchar essa "realidade esperada".
Com olhar adulto, podemos chamar isso de ilusão e ingenuidade, mas, no evangelho, as crianças são levadas diretamente ao Reino dos Céus, à nossa frente. Não sabemos se é mais ingênuo viver previamente o que desejaríamos que acontecesse, como elas fazem, ou achar que o que podemos viver é só o que acontece verdadeiramente no tempo certo, como nós fazemos.
Se não somos capazes de esperar como as crianças, pelo menos não atrapalhemos. Nossa missão, neste momento, como educadores na fé, é explicar para meninos e meninas que o Advento é tempo precisamente para esperar, para sonhar, para viver nossos desejos de paz, fraternidade e amor.
Eloísa Maria Braceras Gago
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