NA MANJEDOURA TU ESTÁS
Hoje queremos
contemplar o teu Nascimento, Senhor. Tudo foi preparado com muito amor, desde
o início, para que este momento pudesse acontecer... Tudo estava sendo
organizado para te acolher, Senhor! Tudo o que Ele fez era bonito e bom! Até
o homem e a mulher eram bons! "E Deus viu que tudo o que tinha feito era
muito bom" (Gn 1,31) e ficou muito contente!
Mais tarde, a liberdade
do homem começou a trilhar outros caminhos que não eram os do Criador.
A humanidade, afastando-se do projeto do Pai, atingiu toda a criação
com a sua rebeldia... As conseqüências foram catastróficas...
Os irmãos até se matavam (Gn 4,8) e os homens tiveram medo de si
mesmos, dos outros e até de Ti, Senhor! (Gn 3,10). Os efeitos foram terríveis.
Houve uma ruptura total contigo, nosso Criador e com todas as criaturas. A
morte se apoderou de todos nós! Era noite, Senhor, e fazia excessivo frio!
Vendo
nosso desespero, olhaste com mais amor para essa bela obra de tuas mãos.
"Façamos redenção!" dissestes, e não brotou
outra idéia melhor do que mergulhar na nossa treva e Te fazer um de nós.
Bendita aquela noite, Senhor!
"E o Verbo se fez carne!" (Jo 1,14)
Para que nenhum de nós se pudesse sentir eternamente afastado de Ti, Te
fizeste um de nós.
Maria, tua serva fiel de Nazaré, desde
cedo, ficou cheia de graça por Ti. Nela Tu nos escolhestes para acolher
o Teu Filho muito amado. Realmente todos estávamos perdidos no meio de
um mundo tenebroso. Ela foi a primeira a ver a luz... Foi a primeira a Te ver,
amar e acolher.
E Tu vieste ao meio de nós! Assumiste carne humana,
como a nossa! E a partir desse momento toda a humanidade ficou iluminada... Teu
Nascimento foi a nossa salvação!
Mas, teu Nascimento também
nos ensina outras coisas. Nasceste na periferia do poder político para
que entendêssemos que não é a força do poder, seja
ele qual for, que nos salva.
Apareceste na periferia do poder intelectual
para que compreendêssemos que, a sabedoria que nos salva, não consiste
no muito saber mas no entender e acolher, como pobres e pequenos, a Ti, Jesus.
Também ficaste na periferia do poder religioso, para que todos aqueles
que se encontram às margens de tudo pudessem Te receber como algo próprio.
Teu Nascimento, Senhor, rompeu todos os nossos esquemas... Temos de aprender a
Te acolher como Tu és e não como queremos que Tu sejas. Tu és,
realmente, um Deus diferente...
Jesus, teu Nascimento Te situou dentro
da nossa história, pobre história... Nasceste nos limites do tempo
e do espaço, como um de nós. Não tiveste medo de entrar nessa
realidade transtornada da história de um povo oprimido e indesejável,
membro de uma família empobrecida, cidadão de um país marginalizado.
Na
manjedoura Tu estás como um de nós! Vejo-Te com as mãos e
os pés enfaixados! Embrulhadinho, totalmente dependente de nós!
Realmente Te colocaste nas nossas mãos, confiaste imensamente no acolhimento
que podíamos Te dar!
Jesus, ao Te ver tão pequenino e limitado,
quero me colocar a tua disposição. Quero que minhas mãos
sejam agora tuas mãos. Age por meio de mim, Senhor, e que meus pés
possam levar até lá, onde Tu queres chegar. Tua Palavra, Verbo de
Deus, forte e poderosa, agora é balbuciada e calada. Que a minha pobre
palavra seja, agora Senhor, a Tua Palavra.
Teu Nascimento, Senhor, tão
pobre e pequeno, me desconcerta. Lembro-me de tantos nascimentos ... Na vida
que surge estás Tu, plenitude da Vida! Ensina-me a Te ver na vida que nasce!
Que eu não fique cego diante do pobre e do pequeno!... Que eu
não fique surdo diante de tanta palavra balbuciada por aqueles que, neste
mundo, se parecem contigo, Senhor!
A vida é frágil e pequena
e precisa de todos nós para poder desabro-char na sua plenitude. Que a
minha vida, Senhor, esteja a serviço da vida! Quero assumir, com alegria,
atitudes diferentes. Não quero fazer a minha história a partir do
poder, do prestígio e do prazer. Teu Nascimento me compromete com a vida
e vida em plenitude (Jo 10,10).
Faz-me nascer de novo, Senhor, para este
novo modo de viver!
Fonte: Loyola
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