Interrompemos a publicação da Carta nº3
de S.A.M.Z., para oferecer aos nossos leitores o excelente artigo de Pe. Luiz
Antônio que faz um comentário sobre a Carta 2.
Você
está indeciso? Não sabe o que fazer da vida? Não enxerga
"luzes no fim do túnel?" Tudo parece não ter sentido?
Deseja uma solução, quer uma sugestão? Jogue fora toda indecisão
"junto com a negligência e corramos juntos como loucos não só
para Deus, mas também para o próximo, pois é o próximo
que recebe tudo aquilo que não podemos dar a Deus, porque Ele não
precisa de nossos bens". (Santo Antônio Maria Zaccaria Carta 2).
A
Carta 2 de Santo Antônio Maria Zaccaria, destinada a seus dois companheiros
de "aventura" religiosa, revela aspectos muito interessantes para os
nossos tempos, marcados pela incerteza e indecisão, pelo "ficar em
cima do muro". Essas atitudes são reveladoras de um medo pavoroso
de compromissos mais exigentes. Como conseqüência dessa postura, as
pessoas procuram se defender a qualquer custo, buscando o isolamento e as saídas
que as salvem. O resto, ou seja, os outros, não interessam!
Santo
Antônio Maria conversa com os dois companheiros, falando exatamente da instabilidade
que castiga a pessoa humana. Ora, esta instabilidade é negativa, provoca
as incertezas e desemboca na passividade, na preguiça e na falta de compromisso.
Mas a instabilidade é, também, muito positiva, enquanto se manifesta
como inquietação do homem e da mulher, que buscam algo sempre melhor
para si e para o próximo.
Em meio a tantas denúncias de
corrupção, comprovadas ou não, temos visto mais e mais pessoas
e instituições se preocuparem com o resgate dos valores humanos
através de iniciativas e projetos concretos no campo do trabalho, das artes,
dos esportes e de outros setores da atividade humana. Várias paróquias,
Congregações Religiosas, grupos de fiéis leigos também
estão nessa linha.
Falando de grupos de Igreja, cabe aqui uma observação
de SAMZ: "Coitados de nós! A firmeza e a decisão que devemos
ter para fugir do mal, não as estamos usando para fazer o bem".
Hoje há uma tendência espiritual muito forte de evitar o mal.
Ótimo! Afinal, é preciso cuidar de si, do contrário não
se consegue progredir na vida! O problema de tanta gente está no que SAMZ
diz: temos coragem para evitar o mal, mas ficamos na defesa, pensando que basta
apenas uma religiosidade intimista, que resolva os nossos problemas pessoais.
E Deus tem que dar solução para tudo; se não der, nós
assumimos a passividade, cruzamos os braços e que "Deus se vire!"
Fiquem com esta frase de traseira de caminhão, vista outro dia
e tirem suas conclusões: "Deus faz o impossível, se você
fizer o possível".
Só mais um pouco: Já vimos,
no início da Carta 2, que homens e mulheres são instáveis
por natureza, não se contentam com o mal, e o trocam por um bem. E, assim
por diante, optam por bens cada vez maiores, até chegarem ao Bem maior,
que é Deus. Não chegamos a Deus de maneira súbita e repentina.
Chegar a Deus exige uma longa caminhada, "degrau por degrau", como diz
o nosso Santo. O Apóstolo Paulo, depois de muita experiência missionária,
afirmou: "Irmãos não acho que eu já tenha alcançado
o prêmio, mas uma coisa eu faço: esqueço-me do que fica para
trás e avanço para o que está na frente. Lanço-me
em direção à meta, em vista do prêmio do alto, que
Deus nos chama a receber em Jesus Cristo" (Fl.3,13-14).
Em vista disso,
perguntemos a nós mesmos: Para onde queremos ir? O que desejo para a minha
vida? Quero chegar até Deus? Quero mesmo? Só há um caminho:
ao fazer opção por uma vida em Deus e com Deus, faça opção
também por uma vida concreta de fraternidade. O resto é "conversa
pra boi dormir".Pe. Luiz Antônio do Nascimento Pereira
|