2ª Carta aos Coríntios (2)
Temas
de Doutrina (continuação)
Uma só Igreja - Tratado
sobre a esmola
Os capítulos 8 e 9 contêm um tratado completo
sobre a esmola: descrevem-se as suas qualidades, objetivos, o espírito
que deve animá-la, e até a correta administração.
Tudo deve ser feito conforme o exemplo de Cristo, o qual por nós se fez
pobre, embora fosse rico (8,9). Para o Apóstolo Paulo, os tempos messiânicos
já começaram (cf, Is 60-62); por isso ele propõe uma coleta
que alguns qualificaram de "ecumênica", visto destinar-se a valorizar
o vínculo entre todas as Igrejas nascidas da missão e os santos
de Jerusalém provados pela fome. Os coríntios se entusiasmam por
essa coleta. São os primeiros a propor uma organização que
se estenda às outras Igrejas. Para Paulo, o auxílio mútuo
torna-se sinal de comunhão profunda: uma Igreja de Deus, que está
em Corinto, como também em outros lugares. A coleta deve manifestar a comunhão
através das diferenças e sublinhar a unidade do povo novo, constituído
tanto de judeus como de gregos.
O ministério apostólico
Esta é uma das cartas em que Paulo se mostra mais eloqüente
e emotivo, onde melhor nos revela a sua rica personalidade. Dadas as circunstâncias
que a motivaram, o fio condutor de toda ela excetuando os capítulos 8 e
9 sobre a coleta- constitui a defesa do seu ministério apostólico,
e junto com ele, o ensino talvez mais completo, no Novo Testamento, do que é
o ofício de Apóstolo. Como em todas as cartas, começam logo
na primeira linha por expressar a sua profunda convicção de ser
"por vontade de Deus, Apóstolo de Cristo Jesus" (1,1), sabendo
que esta escolha divina não é conseqüência de méritos
precedentes, mas que foi pela misericórdia de Deus que recebeu este ministério
(4,1). Deus, que o chamou, apesar da sua própria fraqueza, capacita-o também
para levar a cabo esta tarefa (3,5-6). O apostolado cristão apresenta-se
como participação na obra redentora de Cristo: o apóstolo
é cooperador de Deus (6,1), embaixador de Cristo (5,20), ministro da reconciliação
que Deus levou a cabo em Cristo (5,18-19). Por conseguinte, tem de pregar fielmente
Cristo, em Quem se cumpriram as promessas de Deus (1,18-20) e difundir por toda
a parte o bom odor de Cristo (2,14). Assim como a obra redentora de Cristo atingiu
o cume com a Sua Paixão e Morte, assim também o apóstolo
cristão participa de maneira especial nos sofrimentos de Cristo (1,5).
Esta era a convicção profunda de Paulo e a força motriz da
sua vida. Daí que em várias ocasiões nos fale da sua própria
experiência. Primeiro trata deste tema em termos gerais (cf. 4,7-12), pondo
em destaque que Deus permite as tribulações dos Seus apóstolos
"para que se reconheça que tão excelso poder vem de Deus e
não de nós." Paulo soube encontrar a expressão exata
para descrever a grandeza e a fragilidade do seu ministério: "carregar
um tesouro em vasos de argila" (4,7). Um pouco mais adiante e falando já
mais em concreto, enumera uma série de tribulações que sofreu
para se mostrar em tudo como ministro de Deus (cf. 6,3-10). Finalmente, aduz uma
lista longa e pormenorizada, embora seguramente não exaustiva, dos seus
próprios trabalhos e sofrimentos por Cristo (cf 11,23-33). Tudo isso se
pode condensar numa só frase: "A caridade de Cristo nos compele"
(5,14s). No campo da teologia pastoral e ascética podemos definir a presente
epístola como um verdadeiro tratado sobre o ministério apostólico
e sobre a pratica da mais absoluta confiança em Deus malgrado a própria
fraqueza. A doutrina do paradoxo da Cruz, mistério de fraqueza e força
arrasadora, impregna toda a carta do princípio ao fim (1,3-11; 2,14ss;
4,7-15; 6,3-10; 11,30-33; 12,7-12; 13,3ss). Justamente por isto aí encontramos
maiores referências, que em outras, à oração, tanto
de ação de graças como de intercessão, como indispensável
instrumento de força e de consolidação no amor (1,3-11; 2,14;
8,16; 9,15; 12,7ss; 13,7ss etc). Dificilmente se poderia exprimir de forma mais
incisiva e sintética a incapacidade da natureza humana para realizar a
salvação própria ou dos outros e a onipotência da Graça
do que nessas frases flamejantes: pois a força se aperfeiçoa na
fraqueza. Em suma, a mensagem da 2 Cor se compendia nas palavras de 12,9s: "É
na fraqueza (do homem) que a força (de Deus) manifesta todo o seu poder...Por
isto eu me comprazo nas fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas
perseguições, nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando
sou fraco, então é que sou forte" Textos seletos 1,3-11
Hino de benção 3,4-18 Os Apóstolos, ministros idôneos
do Novo Testamento 4,7-5,10 Paradoxo da vida apostólica e expectativa
do juízo divino 5,18-21 O ministério da reconciliação 9,6-9
Benefícios que resultam da coleta 10,12-11,6 Autodefesa de Paulo 12,1-10
Miséria e grandeza do Apóstolo Que ao exercermos o nosso apostolado
lembremo-nos sempre que "Deus ama a quem dá com alegria" ( 9,7).
Continua no próximo número
Jane do Térsio
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