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Vamos conhecer a Bíblia|DEZEMBRO


2ª Carta aos Coríntios (2)

Temas de Doutrina (continuação)

Uma só Igreja - Tratado sobre a esmola

Os capítulos 8 e 9 contêm um tratado completo sobre a esmola: descrevem-se as suas qualidades, objetivos, o espírito que deve animá-la, e até a correta administração. Tudo deve ser feito conforme o exemplo de Cristo, o qual por nós se fez pobre, embora fosse rico (8,9). Para o Apóstolo Paulo, os tempos messiânicos já começaram (cf, Is 60-62); por isso ele propõe uma coleta que alguns qualificaram de "ecumênica", visto destinar-se a valorizar o vínculo entre todas as Igrejas nascidas da missão e os santos de Jerusalém provados pela fome. Os coríntios se entusiasmam por essa coleta. São os primeiros a propor uma organização que se estenda às outras Igrejas. Para Paulo, o auxílio mútuo torna-se sinal de comunhão profunda: uma Igreja de Deus, que está em Corinto, como também em outros lugares. A coleta deve manifestar a comunhão através das diferenças e sublinhar a unidade do povo novo, constituído tanto de judeus como de gregos.

O ministério apostólico

Esta é uma das cartas em que Paulo se mostra mais eloqüente e emotivo, onde melhor nos revela a sua rica personalidade. Dadas as circunstâncias que a motivaram, o fio condutor de toda ela excetuando os capítulos 8 e 9 sobre a coleta- constitui a defesa do seu ministério apostólico, e junto com ele, o ensino talvez mais completo, no Novo Testamento, do que é o ofício de Apóstolo. Como em todas as cartas, começam logo na primeira linha por expressar a sua profunda convicção de ser "por vontade de Deus, Apóstolo de Cristo Jesus" (1,1), sabendo que esta escolha divina não é conseqüência de méritos precedentes, mas que foi pela misericórdia de Deus que recebeu este ministério (4,1). Deus, que o chamou, apesar da sua própria fraqueza, capacita-o também para levar a cabo esta tarefa (3,5-6). O apostolado cristão apresenta-se como participação na obra redentora de Cristo: o apóstolo é cooperador de Deus (6,1), embaixador de Cristo (5,20), ministro da reconciliação que Deus levou a cabo em Cristo (5,18-19). Por conseguinte, tem de pregar fielmente Cristo, em Quem se cumpriram as promessas de Deus (1,18-20) e difundir por toda a parte o bom odor de Cristo (2,14). Assim como a obra redentora de Cristo atingiu o cume com a Sua Paixão e Morte, assim também o apóstolo cristão participa de maneira especial nos sofrimentos de Cristo (1,5).

Esta era a convicção profunda de Paulo e a força motriz da sua vida. Daí que em várias ocasiões nos fale da sua própria experiência. Primeiro trata deste tema em termos gerais (cf. 4,7-12), pondo em destaque que Deus permite as tribulações dos Seus apóstolos "para que se reconheça que tão excelso poder vem de Deus e não de nós." Paulo soube encontrar a expressão exata para descrever a grandeza e a fragilidade do seu ministério: "carregar um tesouro em vasos de argila" (4,7). Um pouco mais adiante e falando já mais em concreto, enumera uma série de tribulações que sofreu para se mostrar em tudo como ministro de Deus (cf. 6,3-10). Finalmente, aduz uma lista longa e pormenorizada, embora seguramente não exaustiva, dos seus próprios trabalhos e sofrimentos por Cristo (cf 11,23-33). Tudo isso se pode condensar numa só frase: "A caridade de Cristo nos compele" (5,14s). No campo da teologia pastoral e ascética podemos definir a presente epístola como um verdadeiro tratado sobre o ministério apostólico e sobre a pratica da mais absoluta confiança em Deus malgrado a própria fraqueza. A doutrina do paradoxo da Cruz, mistério de fraqueza e força arrasadora, impregna toda a carta do princípio ao fim (1,3-11; 2,14ss; 4,7-15; 6,3-10; 11,30-33; 12,7-12; 13,3ss). Justamente por isto aí encontramos maiores referências, que em outras, à oração, tanto de ação de graças como de intercessão, como indispensável instrumento de força e de consolidação no amor (1,3-11; 2,14; 8,16; 9,15; 12,7ss; 13,7ss etc). Dificilmente se poderia exprimir de forma mais incisiva e sintética a incapacidade da natureza humana para realizar a salvação própria ou dos outros e a onipotência da Graça do que nessas frases flamejantes: pois a força se aperfeiçoa na fraqueza. Em suma, a mensagem da 2 Cor se compendia nas palavras de 12,9s: "É na fraqueza (do homem) que a força (de Deus) manifesta todo o seu poder...Por isto eu me comprazo nas fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando sou fraco, então é que sou forte"

Textos seletos

1,3-11 Hino de benção
3,4-18 Os Apóstolos, ministros idôneos do Novo Testamento
4,7-5,10 Paradoxo da vida apostólica e expectativa do juízo divino
5,18-21 O ministério da reconciliação
9,6-9 Benefícios que resultam da coleta
10,12-11,6 Autodefesa de Paulo
12,1-10 Miséria e grandeza do Apóstolo
Que ao exercermos o nosso apostolado lembremo-nos sempre que "Deus ama a quem dá com alegria" ( 9,7).

Continua no próximo número

Jane do Térsio

 
 
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