CRISTO REDENTOR (6)
A Descendência
A grandeza de Deus resplandece no máximo do seu fulgor a partir
do momento em que, aquele que é a Bondade que sempre age no
amor, se revela Misericórdia. Não obstante o fracasso
da criatura, por si chamada a corresponder ao Plano de Deus mediante
um crescimento na louvação e na obediência, que
o levariam a reinar, Deus persegue o seu Plano tomando a iniciativa
de resgatar o homem da sua miséria e fazê-lo reinar por
meio de um Cabeça que surge no meio da própria estirpe
humana, em condições, contudo de vencer a Serpente que
tinha enganado o homem. Para isso envia o seu Filho, o qual, ao assumir
a condição humana, restabelece as condições
ideais (Cl 3,10), até criando em si as condições
de uma aliança que nunca será rompida, porque terá
estabelecido uma união inquebrantável entre a divindade
e a humanidade. Quando a criatura, não obstante a sua regeneração
em Cristo pelo batismo, voltar a pecar, poderá sempre lembrar
que em Jesus pode ser novamente perdoada (1Jo 2,1s). Tudo isso é
profeticamente anunciado em Gn 3,15. A forma é misteriosa porque,
humanamente, é impossível pensar como poderia acontecer
que o homem volte a uma condição de hostilidade com
a Serpente, uma vez que escutou e implementou o plano de se rebelar
ao seu Criador, para ser igual a ele, e toda a história subseqüente,
a partir de Caim, ilustra um enredamento no pecado sempre mais profundo
e grave. Somente com Cristo tudo se torna explicável a partir
do momento em que os Apóstolos vêem, na sua ressurreição,
a prova de sua condição divina. Somente um homem que
fosse Deus poderia realizar em si a promessa de Deus.
Dessa forma Jesus se torna a Revelação do desígnio
do Pai que "por livre vontade, quis, em Cristo, recapitular todas
as coisas" (Ef 1,10) para que "nos tornássemos seus
filhos no Amado" (v.6)
"Aquele que não tinha pecado, Deus o tornou pecado para
nós" (2Cor 5, 21). É importante notar que é
na profecia de Gn 3,15 que encontramos o fundamento da função
co-Redentora de Maria porque é nela que o Verbo assume a carne
humana. Trata-se de uma contribuição pequeníssima
e que é, ao mesmo tempo, uma altíssima dignificação
da criatura por parte de Deus. Contudo, enquanto Maria é chamada
a ser cooperadora no plano sapientíssimo do Pai, ela contribui,
de fato, para que a Encarnação se atue. São Paulo
proclama: "Há um único Mediador entre Deus e os
homens, o Homem Cristo Jesus, que deu a sua vida em resgate de muitos"
(1Tm 2,5). Mas isto aconteceu querendo o Filho de Deus nascer, na
plenitude dos tempos, da Mulher" (Gl 4,4). Sabendo nós
que, em última análise, Maria nos representa, porque,
de fato, a Mulher de Gn 3,15 é a humanidade, descobrimos, pela
co-redenção de Maria que o nosso Redentor chama todo
e cada fiel a completar em si "o que falta à paixão
de Cristo" (Cl 1,24). Jesus é a Descendência que,
pelo mistério da Encarnação, se integra à
nossa condição humana, enquanto nos revela, por Maria,
que entende associar-nos, como membros da sua Igreja, à obra
da Redenção.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) O que á a misericórdia de Deus?
2ª) De que forma Jesus atua a nossa Redenção?
3ª) Qual é o sentido de Maria na obra da Redenção?
Pe. Fernando Capra/CRSP |