Uma das grandes marcas do Cristianismo, se não a mais importante
de todas, é a generosidade. O cristianismo todo está
baseado nesta qualidade de fazer não somente aquilo que é
esperado, mas ultrapassar e em muito o mínimo que se espera
de nós.
A Bíblia é o livro da generosidade por excelência.
Ela fala da grande generosidade de Deus em nosso favor. E por esta
generosidade também chegamos ao 20.º ano da edição
do jornal "O Mensageiro", esta fonte de bênçãos
e graças que adentra mensalmente os nossos lares, escritórios,
escolas, hospitais, casas de recuperação, espaços
de convivência, entre outros, para levar a esperança
de dias melhores, a fé que remove montanhas e a alegria da
salvação a quem o lê. Desejo a todos que nele
labutam muita perseverança e determinação, assim
como a todos os colaboradores, muita inspiração de Deus,
tanto para o enriquecimento espiritual desta obra como para a edificação
de vossa vida como a de muitas outras. Sinceramente, meus parabéns,
muitas alegrias e a Paz do Senhor. Que nós encontremos tempo
em nossa vida para sermos vitoriosos no que concerne, em especial,
à generosidade.
Por outro lado, ninguém no Brasil pode afirmar que desconhece
a dor dos pobres e miseráveis. Os jornais e revistas apresentam
reportagens e fotografias da situação enfrentada pelos
pobres, os telejornais colocam dentro dos lares a condição
de extrema miséria em que se encontram crianças e idosos,
principalmente, mas também jovens e adultos.
Os pobres estão em toda parte. São crianças de
rua, mendigos, idosos desamparados, jovens adultos sem lar, sem emprego,
doentes sem alimentação. Completamente desassistidos
em todas as áreas da vida humana.
Qual a nossa responsabilidade diante desse quadro? Sabemos que Deus
não tolera a injustiça (Am 2, 6) e também o que
não socorre o necessitado (Mt 25, 41-46). A recomendação
expressa que Jesus nos faz é que tenhamos misericórdia
pelos que padecem, oferecendo-lhes assistência. Como Jesus,
a Igreja deve ter compaixão para com os que sofrem, os que
são marginalizados, os que são discriminados, os que
perecem, procurando acolhê-los, concedendo-lhes esperança
de uma vida melhor neste mundo e de plena felicidade na eternidade.
Amados, a Igreja tem que ser Comunidade do Amor e da Justiça
Integral. A Igreja fundada por Jesus Cristo tem como característica
distintiva a prática do amor. Os membros dessa Igreja serão
reconhecidos como tal pelo amor que reina entre si (Jo 13, 34.35).
O amor deve se evidenciar em todas as dimensões, como na ajuda
aos pobres. Deus nos motiva para esse trabalho, pois assim se manifestará
a justiça integral de Deus. É imperioso a consideração
dos seguintes textos, pois eles falam de nossa responsabilidade social
para com os pobres: Dt 15, 7; Pr 19, 17 e I Jo 3, 17.
Irmãos, precisamos ser a Igreja Comunidade da Ação.
Jesus Cristo veio ao mundo a trabalho. Em Jo 5, 17, disse Jesus: "Meu
Pai continua agindo até agora, e eu ajo também. Em Mc
6, 30-34 registra-se o trabalho intenso de Jesus e seus discípulos
a ponto de nem terem tempo para alimentar-se. Lucas ainda afirma em
At 10, 38 que Jesus "andou por toda a parte fazendo o bem".
O exemplo dos cristãos e da Igreja é Jesus Cristo e
o seu exemplo é trabalho, ação. Logo, como não
agiria sua Igreja de igual forma? Pedro, João, Tiago, Paulo,
outros apóstolos e discípulos e as Igrejas primitivas
trabalhavam com afinco para o crescimento do Reino de Deus e a promoção
da justiça. Onde a Igreja chegava, ela alterava comportamentos
e impunha, com amor, uma nova realidade. A Igreja hoje não
deve restringir sua ação maior ao culto comunitário.
A celebração do culto é uma atitude de adoração
a Deus, de comunhão com os irmãos, mas também
de capacitação espiritual e de desafio para o serviço
cristão. Vida cristã é trabalho, ação,
serviço. É preciso agir hoje para cumprir a vontade
de Deus. E há muito o que fazer. Sugerimos algumas atividades
que poderão ser desenvolvidas individualmente ou pela Igreja,
sob a direção da união de adultos, em cooperação
com a ação social. O objetivo é cooperar na promoção
de pessoas necessitadas, socorrendo, ensinando e capacitando-os a
uma atividade de auto-sustento. Fazendo tudo em amor, oração
e dependência de Deus, esta obra será maravilhosa de
ser feita e não um peso ou algo estressante. Caso não
venhamos a praticar a Palavra de Deus, ficando apenas no estudo dessa
matéria, cairemos no mesmo erro de um grupo de cristãos
a quem uma mulher desabrigada pediu ajuda. Um membro do grupo prometeu
orar por ela. Mas a ajuda concreta ele não ofereceu. Passado
algum tempo desse episódio, ela escreveu o seguinte poema e
o entregou a um dos membros daquele grupo da Igreja: "Eu tive
fome, e tu formaste um grupo humanitário para discutir minha
fome. Estive preso e tu te retiraste discretamente e oraste por minha
libertação. Estava nua e, na tua mente, questionaste
a moralidade da minha aparência. Estive enferma e tu te ajoelhaste
e agradeceste a Deus por tua saúde. Estava desabrigada e tu
me falaste do abrigo espiritual do amor de Deus. Estava solitária
e tu me deixaste sozinha a fim de orar por mim. Parecias tão
santo, tão próximo de Deus! Mas eu ainda estou com fome...
e sozinha e com frio". Dai-lhes vós de comer é
a ordem de Jesus que continua valendo. Até que tenhamos uma
realidade social mais justa.
Sejamos generosos, abramo-nos a esse apelo do Senhor e assim estaremos
com o nosso coração em Paz com Deus e poderemos viver
um Natal diferente de todos os outros já vividos.
Um beijo no coração de todos os meus queridos irmãos
e um Santo Natal!!!
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com |