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Fé e Política | DEZEMBRO

“Cidadania Ativa: Um dos caminhos para uma sociedade mais humana e cristã”

A definição do que é cidadania abrange uma série de conceitos sobre as relações humanas que poderíamos até escrever um livro. Em geral, todas as definições de cidadania se delineiam sobre a aplicação e o correto equilíbrio entre os direitos e deveres de homens e mulheres que são membros de uma determinada sociedade. É exatamente sobre isso que eu gostaria de refletir na coluna deste mês.

Ao analisarmos a sociedade brasileira, encontraremos três tipos de cidadãos. Vamos analisar cada um deles.

Em primeiro lugar, temos aqueles que, em função da situação excludente em que vivem, têm os seus direitos básicos de cidadãos (moradia, emprego com salário justo, alimentação, educação de qualidade, saúde e etc) inteiramente desrespeitados e, para piorar ainda mais, nem possuem consciência da existência desses direitos. São os chamados "meio-cidadãos". Segundo o último CENSO do IBGE, cerca de dois terços da população brasileira vive nesta situação. Normalmente carentes socialmente, eles compõem essa camada de pessoas que desconhecem completamente quais são os seus direitos e deveres em uma sociedade.

Em segundo lugar, temos aqueles que até conhecem bem os seus direitos e deveres, mas não se importam em lutar por eles. Possuem um razoável, e em até alguns casos, bom nível educacional, porém estão muito pouco preocupados com o que acontece a sua volta. São os chamados "cidadãos passivos". Os motivos de sua passividade são os mais variados possíveis: Vão desde o egoísmo daqueles que se preocupam apenas com o seu umbigo até aqueles que têm medo, receio ou mesmo preguiça de lutar por seus direitos.

Em terceiro lugar, temos aqueles que lutam e se organizam para exercer a cidadania de maneira plena: São os chamados "cidadãos ativos". Estes cidadãos, apesar de ser o menor grupo entre os citados anteriormente, são extremamente atuantes e plenamente responsáveis pela organização e participação popular nas mais relevantes causas de suas cidades. É este tipo de exercício de cidadania a cidadania ativa que precisamos urgentemente desenvolver no Brasil.

Os grupos de cidadania ativa são os responsáveis por alguns importantes avanços em nossa sociedade. A Lei 9.840 de combate à corrupção eleitoral e criada através da iniciativa popular é um exemplo concreto disso. Outro belíssimo exemplo de cidadania ativa são os grupos de Fé e Política que se reúnem para acompanhar a atuação parlamentar, principalmente nas câmaras municipais por estarem na base da pirâmide política brasileira e conseqüentemente mais próximas do cidadão comum. Esses grupos nada mais são do que pessoas que lutam para que os direitos e deveres dos cidadãos sejam plenamente respeitados.

O mais importante disso tudo é que os "cidadãos ativos" não nascem em árvores. Eles surgem do processo de conscientização e formação política do cidadão comum. Nós, cristãos, jamais poderemos pertencer ao grupo dos "cidadãos passivos". Isso vai de encontro ao que vemos no Evangelho. Basta ver, por exemplo, Mt 25, 31-46. O preceito evangélico de "dar de comer a quem tem fome, vestir o nu, visitar o doente e o prisioneiro" são pistas de ações claras deixadas pelo Cristo para as nossas vidas. E, agir segundo este Evangelho, não é reduzir a nossa ação à prática assistencialista. É resgatar o excluído. A caridade evangélica é fundamento do agir cristão e requer a promoção humana e a libertação integral. Caso contrário, a nossa boa intenção acaba escravizando e perpetuando o pobre à sua condição sub-humana de dependência. "Libertar é dar o peixe para matar a fome ao mesmo tempo em que se dá a vara e o anzol e se ensina a pescar". Precisamos formar "cidadãos ativos" conscientizando e fomentando dentro da nossa Igreja o sentimento solidário da participação e da verdadeira partilha.

Somente assim é que conseguiremos vencer as amarras da corrupção, da miséria, da fome, da violência e da falta de oportunidades que estão cada vez mais intrínsecas em nossa sociedade.

*****

Gostaria de aproveitar a oportunidade e parabenizar o nosso jornal pela passagem dos 20 anos de existência. Ele, "O mensageiro", é sem sombra de dúvidas um exemplo claro de "cidadania ativa". Precisamos incentivar os nossos paroquianos a utilizar esse belo instrumento de evangelização e conscientização em nossas atividades pastorais. O jornal não funcionará sem a nossa contribuição. Quem sabe não é o momento de presentear aquele paroquiano que anda meio sumido com uma assinatura do nosso jornal? Seria um belo presente não somente para ele como também para o próprio Mensageiro.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br


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