Cidadania Ativa: Um dos caminhos para uma sociedade mais
humana e cristã
A definição do que é cidadania abrange uma série
de conceitos sobre as relações humanas que poderíamos
até escrever um livro. Em geral, todas as definições
de cidadania se delineiam sobre a aplicação e o correto
equilíbrio entre os direitos e deveres de homens e mulheres
que são membros de uma determinada sociedade. É exatamente
sobre isso que eu gostaria de refletir na coluna deste mês.
Ao analisarmos a sociedade brasileira, encontraremos três tipos
de cidadãos. Vamos analisar cada um deles.
Em primeiro lugar, temos aqueles que, em função da situação
excludente em que vivem, têm os seus direitos básicos
de cidadãos (moradia, emprego com salário justo, alimentação,
educação de qualidade, saúde e etc) inteiramente
desrespeitados e, para piorar ainda mais, nem possuem consciência
da existência desses direitos. São os chamados "meio-cidadãos".
Segundo o último CENSO do IBGE, cerca de dois terços
da população brasileira vive nesta situação.
Normalmente carentes socialmente, eles compõem essa camada
de pessoas que desconhecem completamente quais são os seus
direitos e deveres em uma sociedade.
Em segundo lugar, temos aqueles que até conhecem bem os seus
direitos e deveres, mas não se importam em lutar por eles.
Possuem um razoável, e em até alguns casos, bom nível
educacional, porém estão muito pouco preocupados com
o que acontece a sua volta. São os chamados "cidadãos
passivos". Os motivos de sua passividade são os mais variados
possíveis: Vão desde o egoísmo daqueles que se
preocupam apenas com o seu umbigo até aqueles que têm
medo, receio ou mesmo preguiça de lutar por seus direitos.
Em terceiro lugar, temos aqueles que lutam e se organizam para exercer
a cidadania de maneira plena: São os chamados "cidadãos
ativos". Estes cidadãos, apesar de ser o menor grupo entre
os citados anteriormente, são extremamente atuantes e plenamente
responsáveis pela organização e participação
popular nas mais relevantes causas de suas cidades. É este
tipo de exercício de cidadania a cidadania ativa que precisamos
urgentemente desenvolver no Brasil.
Os grupos de cidadania ativa são os responsáveis por
alguns importantes avanços em nossa sociedade. A Lei 9.840
de combate à corrupção eleitoral e criada através
da iniciativa popular é um exemplo concreto disso. Outro belíssimo
exemplo de cidadania ativa são os grupos de Fé e Política
que se reúnem para acompanhar a atuação parlamentar,
principalmente nas câmaras municipais por estarem na base da
pirâmide política brasileira e conseqüentemente
mais próximas do cidadão comum. Esses grupos nada mais
são do que pessoas que lutam para que os direitos e deveres
dos cidadãos sejam plenamente respeitados.
O mais importante disso tudo é que os "cidadãos
ativos" não nascem em árvores. Eles surgem do processo
de conscientização e formação política
do cidadão comum. Nós, cristãos, jamais poderemos
pertencer ao grupo dos "cidadãos passivos". Isso
vai de encontro ao que vemos no Evangelho. Basta ver, por exemplo,
Mt 25, 31-46. O preceito evangélico de "dar de comer a
quem tem fome, vestir o nu, visitar o doente e o prisioneiro"
são pistas de ações claras deixadas pelo Cristo
para as nossas vidas. E, agir segundo este Evangelho, não é
reduzir a nossa ação à prática assistencialista.
É resgatar o excluído. A caridade evangélica
é fundamento do agir cristão e requer a promoção
humana e a libertação integral. Caso contrário,
a nossa boa intenção acaba escravizando e perpetuando
o pobre à sua condição sub-humana de dependência.
"Libertar é dar o peixe para matar a fome ao mesmo tempo
em que se dá a vara e o anzol e se ensina a pescar". Precisamos
formar "cidadãos ativos" conscientizando e fomentando
dentro da nossa Igreja o sentimento solidário da participação
e da verdadeira partilha.
Somente assim é que conseguiremos vencer as amarras da corrupção,
da miséria, da fome, da violência e da falta de oportunidades
que estão cada vez mais intrínsecas em nossa sociedade.
*****
Gostaria de aproveitar a oportunidade e parabenizar o nosso jornal
pela passagem dos 20 anos de existência. Ele, "O mensageiro",
é sem sombra de dúvidas um exemplo claro de "cidadania
ativa". Precisamos incentivar os nossos paroquianos a utilizar
esse belo instrumento de evangelização e conscientização
em nossas atividades pastorais. O jornal não funcionará
sem a nossa contribuição. Quem sabe não é
o momento de presentear aquele paroquiano que anda meio sumido com
uma assinatura do nosso jornal? Seria um belo presente não
somente para ele como também para o próprio Mensageiro.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br
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