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A Importância da Comunicação Escrita na Evangelização | DEZEMBRO

A comunicação é um assunto antigo e novo. Tão antigo quanto a palavra, característica do ser humano, tão novo quanto os meios que nos surpreendem por sua incrível abrangência e instantaneidade.

A origem da linguagem, do comportamento comunicativo humano, ainda é objeto de árduas pesquisas.

Diversos campos da ciência e do conhecimento se empenham nesse estudo.

Para alguns pesquisadores a faculdade da linguagem é uma adaptação extremamente complexa servindo à função de comunicação com grande eficiência. Por diversos mecanismos ao longo do tempo formam-se traços exclusivos da nossa espécie.

Entre os meios de comunicação, a escrita guarda sua importância. Desde tempos imemoriais a humanidade procurou registrar pela escrita os acontecimentos, idéias, ensinamentos, experiências e símbolos que marcam sua passagem e fazem-na transcender o tempo. As civilizações extintas continuam a falar através dos diversos tipos de escrita que deixaram: suas crenças, costumes, a simplicidade do cotidiano se tornam claros depois de tanto tempo.

Ainda hoje nos debruçamos sobre obras de filósofos, escritores e poetas redigidas antes de Cristo. Eles perpetuaram seu pensamento e em cada leitor a emoção se renova, ultrapassando, de certo modo, a transitoriedade da condição humana.

O próprio Deus quis deixar escritos na pedra os 10 mandamentos, já gravados no coração humano no seu plano original de amor.
"O Senhor disse a Moisés: "Sobe para mim sobre o monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua instrução." (Ex 24,12).

"Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o Monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedras, escritas com o dedo de Deus" (Ex 31, 18).

Que imenso tesouro! Se a humanidade obedeceu a esses 10 Mandamentos não haverá necessidade tantas leis.

A bondade de nosso Deus foi além de nos dar a Lei escrita na pedra: na "plenitude do tempo" (GI 4, 4) "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14) "Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).

A escrita registrou os séculos de preparação para vinda do Redentor, Sua vida e Seus ensinamentos bem como o início da primeira Comunidade cristã, as cartas que acompanharam seu crescimento e o Apocalipse, canto de esperança confiante na vitória de Cristo.

Recentemente o Rio de Janeiro teve o privilégio de assistir a exposição dos Pergaminhos do Mar Morto onde, por mais de 2000 anos, estão conservados os textos bíblicos.

Desde a invenção da imprensa por Guttenberg em 1455, ficou mais fácil a difusão da Palavra de Deus. Aliás, a Bíblia Sagrada foi o primeiro livro a ser impresso, reconhecimento de sua capital importância. Infelizmente nem todos têm essa visão. Já dizia São Gregório Magno (séc VI) "A Bíblia é a carta de amor de nosso Pai e nós a deixamos fechada no envelope". Também hoje essas palavras podem ser ditas embora haja um movimento constante e um sério empenho na difusão da Bíblia.

Entre a diversidade crescente dos meios de comunicação, a escrita continua a ter uma grande importância na transmissão da Boa Nova. Temos mais facilidade na sua utilização do que em épocas passadas, portanto maior responsabilidade. Livros, revistas, jornais, boletins, mensagens ajudam a conhecer e aprofundar os ensinamentos de Jesus, torná-los atuantes em nossa vida e entrar em comunhão com os irmãos.

Nos momentos a sós com Deus uma palavra escrita muitas vezes nos descortina horizontes novos de contemplação, auto-conhecimento e fraternidade.

O discípulo de Cristo é aquele que primeiro escuta e depois faz e fala. A escuta, o testemunho e a palavra são as três pilastras do edifício espiritual, imprescindíveis na Catequese, na comunicação da Boa Nova.

O mundo dissipado em que vivemos, com mil solicitações dos sentidos, dificulta o trabalho árduo da atenção e da concentração, tão importantes na vida espiritual, na busca da Verdade.

Aprender a pensar, discernir, prestar atenção e orar são requisitos permanentes para o progresso espiritual necessário aos discípulos de Cristo.

Incentivemos o hábito da boa leitura nas novas gerações, especialmente da leitura da Palavra de Deus e de obras que impulsionem o progresso espiritual.

Parabéns à equipe do Mensageiro que há 20 anos contribui para o crescimento da fé e do amor, ultrapassando amplamente os limites da Paróquia de Nossa Senhora de Loreto.

Madre Maria Helena Cavalcanti - Fundadora e Superiora Geral da Congregação de Nossa Senhora de Belém
 
 
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