A
comunicação é um assunto antigo e novo. Tão
antigo quanto a palavra, característica do ser humano, tão
novo quanto os meios que nos surpreendem por sua incrível abrangência
e instantaneidade.
A origem da linguagem, do comportamento comunicativo humano, ainda
é objeto de árduas pesquisas.
Diversos campos da ciência e do conhecimento se empenham nesse
estudo.
Para alguns pesquisadores a faculdade da linguagem é uma adaptação
extremamente complexa servindo à função de comunicação
com grande eficiência. Por diversos mecanismos ao longo do tempo
formam-se traços exclusivos da nossa espécie.
Entre os meios de comunicação, a escrita guarda sua
importância. Desde tempos imemoriais a humanidade procurou registrar
pela escrita os acontecimentos, idéias, ensinamentos, experiências
e símbolos que marcam sua passagem e fazem-na transcender o
tempo. As civilizações extintas continuam a falar através
dos diversos tipos de escrita que deixaram: suas crenças, costumes,
a simplicidade do cotidiano se tornam claros depois de tanto tempo.
Ainda hoje nos debruçamos sobre obras de filósofos,
escritores e poetas redigidas antes de Cristo. Eles perpetuaram seu
pensamento e em cada leitor a emoção se renova, ultrapassando,
de certo modo, a transitoriedade da condição humana.
O próprio Deus quis deixar escritos na pedra os 10 mandamentos,
já gravados no coração humano no seu plano original
de amor.
"O Senhor disse a Moisés: "Sobe para mim sobre o
monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas
de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua
instrução." (Ex 24,12).
"Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o Monte
Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas
de pedras, escritas com o dedo de Deus" (Ex 31, 18).
Que imenso tesouro! Se a humanidade obedeceu a esses 10 Mandamentos
não haverá necessidade tantas leis.
A bondade de nosso Deus foi além de nos dar a Lei escrita na
pedra: na "plenitude do tempo" (GI 4, 4) "O Verbo se
fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14) "Deus amou
tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo
o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"
(Jo 3,16).
A escrita registrou os séculos de preparação
para vinda do Redentor, Sua vida e Seus ensinamentos bem como o início
da primeira Comunidade cristã, as cartas que acompanharam seu
crescimento e o Apocalipse, canto de esperança confiante na
vitória de Cristo.
Recentemente o Rio de Janeiro teve o privilégio de assistir
a exposição dos Pergaminhos do Mar Morto onde, por mais
de 2000 anos, estão conservados os textos bíblicos.
Desde a invenção da imprensa por Guttenberg em 1455,
ficou mais fácil a difusão da Palavra de Deus. Aliás,
a Bíblia Sagrada foi o primeiro livro a ser impresso, reconhecimento
de sua capital importância. Infelizmente nem todos têm
essa visão. Já dizia São Gregório Magno
(séc VI) "A Bíblia é a carta de amor de
nosso Pai e nós a deixamos fechada no envelope". Também
hoje essas palavras podem ser ditas embora haja um movimento constante
e um sério empenho na difusão da Bíblia.
Entre a diversidade crescente dos meios de comunicação,
a escrita continua a ter uma grande importância na transmissão
da Boa Nova. Temos mais facilidade na sua utilização
do que em épocas passadas, portanto maior responsabilidade.
Livros, revistas, jornais, boletins, mensagens ajudam a conhecer e
aprofundar os ensinamentos de Jesus, torná-los atuantes em
nossa vida e entrar em comunhão com os irmãos.
Nos momentos a sós com Deus uma palavra escrita muitas vezes
nos descortina horizontes novos de contemplação, auto-conhecimento
e fraternidade.
O discípulo de Cristo é aquele que primeiro escuta e
depois faz e fala. A escuta, o testemunho e a palavra são as
três pilastras do edifício espiritual, imprescindíveis
na Catequese, na comunicação da Boa Nova.
O mundo dissipado em que vivemos, com mil solicitações
dos sentidos, dificulta o trabalho árduo da atenção
e da concentração, tão importantes na vida espiritual,
na busca da Verdade.
Aprender a pensar, discernir, prestar atenção e orar
são requisitos permanentes para o progresso espiritual necessário
aos discípulos de Cristo.
Incentivemos o hábito da boa leitura nas novas gerações,
especialmente da leitura da Palavra de Deus e de obras que impulsionem
o progresso espiritual.
Parabéns à equipe do Mensageiro que há 20 anos
contribui para o crescimento da fé e do amor, ultrapassando
amplamente os limites da Paróquia de Nossa Senhora de Loreto.
Madre Maria Helena Cavalcanti - Fundadora e Superiora Geral da
Congregação de Nossa Senhora de Belém |