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O HOMEM NO PLANO DE DEUS
Diante do pleno conteúdo da Revelação podemos
formular uma síntese teológica sobre o homem.
Deus que é a Bondade que sempre age no amor, de antemão
nos conheceu. Querendo o máximo do nosso bem, nos chamou
à existência para poder atuar em nós a divinização.
O fim da nossa vocação à vida, em primeiro
lugar, é o de nos tornar à imagem e semelhança
do Filho. Isto significa que a Encarnação, embora
considerada como condição necessária de salvação,
visa, sobretudo, a divinização do homem mediante a
união da Divindade com a humanidade, para que dessa condição
específica da Humanidade de Cristo, todos os homens participem
pela adoção filial, em virtude da comunicação
do Espírito. Sabendo Deus, de antemão, que o homem
não teria as mínimas condições morais
de viver a sua proposta, desde o princípio atua uma redenção,
em vista dos méritos do Cordeiro, contemplado imolado desde
a criação do mundo (1Pd 1,19s). De fato, Deus entende
agir sobre o homem com todo o poder da sua Santidade, porque é
próprio da sua natureza amar de forma ilimitada a sua criatura.
Tendo em si o homem a potencialidade de uma divinização,
Deus está disposto a atuá-la, embora isso implique
a própria Encarnação do Filho, enviado para
a Redenção da humanidade pela sua Morte de Cruz.
Através da Redenção Deus consegue revelar de
forma ainda mais profunda o amor da sua Bondade, enquanto o homem,
por ela descobre a total gratuidade da sua vocação
à divinização. Manifesta Deus, ao mesmo tempo,
toda a sua Glória porque alcança a salvação
do homem pela humilhação da Cruz. À luz da
ressurreição, o homem vê no Crucificado o caminho
da sua plena realização, condição máxima
de glorificação que a criatura pode prestar ao Criador.
A Morte de Cristo se torna então o Modelo de vida para o
cristão e, ao mesmo tempo, a fonte do Espírito que
torna possível, nele, a mesma imolação do Mestre.
Resulta, de tudo isso, que o homem descobre a sua verdadeira vocação.
A lei da vaidade é uma mera condição necessária
para viver a forma de vida terrena. O homem deve viver segundo as
leis do Espírito, porque o seu destino é a imortalidade
gloriosa em Deus. Com a Redenção, Cristo, Cabeça
da Igreja, lhe comunicou as primícias do Espírito
pelas quais o homem recebe uma condição definitiva
de nova criatura imortal, de condição divina, que
conhecerá a ressurreição da carne e se tornará
herdeira da vida eterna.
Todos os meios foram concedidos em Cristo. O cristão deve
desfrutar esses meios que se desdobram em Cristo Palavra e Sacramento.
A síntese de todos esses meios é a celebração
esclarecida da Eucaristia, momento em que a Igreja vive o Cristo
prometido pelos Profetas, enquanto lê as Escrituras, faz memória
daquele que, na sua vida histórica realizou a profecia atuando
a Redenção e se revelando na sua condição
divina. Na força do Espírito que a Palavra celebrada
comunica, dá testemunho com a sua vida enquanto espera a
manifestação gloriosa dos filhos de Deus, que dar-se-á
com a segunda vinda de Cristo, na glória.
Perguntas para uma reflexão:
1. Qual é o objetivo último da Encarnação?
2. Por que é que pela Cruz de Cristo temos o máximo
do resplendor da Glória de Deus?
3. De que forma a Missa resume em si todo o Plano de Deus?
Pe. Fernando Capra - CRSP
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