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Temas Bíblicos | DEZEMBRO


O HOMEM NO PLANO DE DEUS

Diante do pleno conteúdo da Revelação podemos formular uma síntese teológica sobre o homem.

Deus que é a Bondade que sempre age no amor, de antemão nos conheceu. Querendo o máximo do nosso bem, nos chamou à existência para poder atuar em nós a divinização. O fim da nossa vocação à vida, em primeiro lugar, é o de nos tornar à imagem e semelhança do Filho. Isto significa que a Encarnação, embora considerada como condição necessária de salvação, visa, sobretudo, a divinização do homem mediante a união da Divindade com a humanidade, para que dessa condição específica da Humanidade de Cristo, todos os homens participem pela adoção filial, em virtude da comunicação do Espírito. Sabendo Deus, de antemão, que o homem não teria as mínimas condições morais de viver a sua proposta, desde o princípio atua uma redenção, em vista dos méritos do Cordeiro, contemplado imolado desde a criação do mundo (1Pd 1,19s). De fato, Deus entende agir sobre o homem com todo o poder da sua Santidade, porque é próprio da sua natureza amar de forma ilimitada a sua criatura. Tendo em si o homem a potencialidade de uma divinização, Deus está disposto a atuá-la, embora isso implique a própria Encarnação do Filho, enviado para a Redenção da humanidade pela sua Morte de Cruz.

Através da Redenção Deus consegue revelar de forma ainda mais profunda o amor da sua Bondade, enquanto o homem, por ela descobre a total gratuidade da sua vocação à divinização. Manifesta Deus, ao mesmo tempo, toda a sua Glória porque alcança a salvação do homem pela humilhação da Cruz. À luz da ressurreição, o homem vê no Crucificado o caminho da sua plena realização, condição máxima de glorificação que a criatura pode prestar ao Criador.

A Morte de Cristo se torna então o Modelo de vida para o cristão e, ao mesmo tempo, a fonte do Espírito que torna possível, nele, a mesma imolação do Mestre.

Resulta, de tudo isso, que o homem descobre a sua verdadeira vocação. A lei da vaidade é uma mera condição necessária para viver a forma de vida terrena. O homem deve viver segundo as leis do Espírito, porque o seu destino é a imortalidade gloriosa em Deus. Com a Redenção, Cristo, Cabeça da Igreja, lhe comunicou as primícias do Espírito pelas quais o homem recebe uma condição definitiva de nova criatura imortal, de condição divina, que conhecerá a ressurreição da carne e se tornará herdeira da vida eterna.

Todos os meios foram concedidos em Cristo. O cristão deve desfrutar esses meios que se desdobram em Cristo Palavra e Sacramento. A síntese de todos esses meios é a celebração esclarecida da Eucaristia, momento em que a Igreja vive o Cristo prometido pelos Profetas, enquanto lê as Escrituras, faz memória daquele que, na sua vida histórica realizou a profecia atuando a Redenção e se revelando na sua condição divina. Na força do Espírito que a Palavra celebrada comunica, dá testemunho com a sua vida enquanto espera a manifestação gloriosa dos filhos de Deus, que dar-se-á com a segunda vinda de Cristo, na glória.

Perguntas para uma reflexão:

1. Qual é o objetivo último da Encarnação?

2. Por que é que pela Cruz de Cristo temos o máximo do resplendor da Glória de Deus?

3. De que forma a Missa resume em si todo o Plano de Deus?



Pe. Fernando Capra - CRSP

 
 
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