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Voto de cabresto ou voto consciente: Qual o verdadeiro papel
do cristão?
Estamos mais uma vez nos aproximando de um pleito eleitoral e uma
velha questão surge novamente: A Igreja Católica deve
indicar candidatos para as eleições de 2004? Essa
discussão, que sempre animou os corredores das nossas paróquias,
volta agora à tona porém com bem menos força
do que em ocasiões anteriores. Um razoável grau de
conscientização parece predominar nas nossas comunidades
principalmente depois da eleição passada, onde boa
parte dos católicos escolheu livremente o seu candidato com
a Igreja se preocupando em formar o eleitorado e deixar que o senso
crítico de cada um amadurecesse à luz dos documentos,
reflexões, debates e discussões. Pelo menos é
isso que eu tenho percebido nas palestras que eu tive oportunidade
de proferir para alguns cursos de preparação para
a Crisma, Encontro de Jovens e grupos de Fé e Política
neste ano de 2003. Os verdadeiros Cristãos e os cidadãos
pensantes repudiam de forma veemente o que os espertalhões
da política em nosso estado tentam fazer: O Voto de cabresto
dentro da nossa própria Igreja.
Nas eleições passadas, mais especificamente aqui no
Rio de Janeiro, nossa arquidiocese seguiu à risca as orientações
da CNBB: Promoveu debates, reflexões e não indicou
um nome sequer para o pleito. Vale lembrar e destacar novamente
o documento 67 da CNBB, que em sua página 21, item 52 diz
que o papel da Igreja não é intervir diretamente no
processo eleitoral indicando candidatos, mas ajudar os eleitores
a decidir melhor em suas escolhas através de informações
e reflexões críticas. E o documento vai mais além:
"É preciso que o critério do bem comum esteja
sempre acima do mero critério da confessionalidade".
A posição da Igreja foi ao mesmo tempo firme, clara
e brilhante. E o resultado está aí: Velhos figurões
da política carioca que nunca souberam entender o papel de
um mandato público e sempre privilegiaram os seus interesses
particulares em detrimento do coletivo foram ceifados da vida pública.
Em seu lugar surgiram alguns novos nomes que demonstram um maior
comprometimento com o bem comum, com a sociedade e com a renovação
do princípio democrático da representatividade. E
o mais belo disso tudo é que em nenhum momento a Igreja indicou
algum nome. Esses nomes foram fruto desse belíssimo trabalho
de conscientização intensamente buscado pela CNBB
em parceria com as paróquias e Dioceses de nosso Estado.
Porém, ainda temos muito que melhorar. Ainda existe uma quantidade
considerável de mandatários pouco éticos que
não se cansam de utilizar políticas assistencialistas
que escravizam os mais pobres e enganam uma boa parte do eleitorado.
Isso sem falar nos escândalos e casos de corrupção
envolvendo nomes de ex-deputados que utilizaram a fé alheia
para benefício próprio em diversas oportunidades.
Precisamos trabalhar, e muito, para evitar que estes enganadores
se aproveitem da boa fé do nosso povo e voltem a cena trazendo
mais fome e miséria ao nosso tão sacrificado Estado.
Para isso, basta seguirmos à risca a mesma cartilha de 2002:
Conscientização e formação sim, mas
dos eleitores. E sem essa de indicação. Afinal de
contas, ser Cristão nunca foi e nunca será ser castrado
do senso crítico e da capacidade de pensar. Não deixemos,
jamais, que alguém exerça em nosso lugar o sagrado
direito de cidadania que nos é garantido na constituição:
O direito ao voto livre, pensado e democrático, como tem
que ser.
Um forte abraço a todos, um Natal abençoado e que
o Menino Jesus possa realmente nascer no coração das
nossas famílias neste novo ano que se inicia!
PS.: Gostaria de aproveitar a oportunidade e sugerir aos nossos
leitores um presente de Natal: Sabe aquele seu amigo e ex-paroquiano
que se afastou de nossa comunidade por questões de viagem,
mudanças, casamentos e etc? Que tal presenteá-lo com
uma assinatura do nosso jornal O Mensageiro? Seria uma excelente
oportunidade dele receber em casa as notícias de nossa paróquia
e, além disso, você ajuda ao nosso jornal a continuar
esse excelente trabalho de comunicação e evangelização.
Fica aí a sugestão. Quem sabe assim você não
consegue até trazê-lo de volta ao seio da nossa comunidade?
Robson Campos Leite (Email: feepolitica@terra.com.br)
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