Círio de Nazaré

Por: Philipe Rabelo
Fotos: Vinícius Alves

A maior manifestação católica do Brasil, se não, do mundo, acontece no 2º final de semana de outubro, em Belém. O Círio de Nazaré, ocorreu pela 223º vez e, como sempre, contou com uma programação extensa que durou por todo mês. Nossa Senhora de Nazaré, conhecida como a Rainha da Amazônia é um grande ícone de fé para toda a região norte. Ao longo dos mais de 200 anos de festa, a santa começou a receber homenagens que iam além dos romeiros e fieis. Empresas, sindicatos e órgãos públicos, também prestam homenagens que, aos poucos, foram sendo incorporadas à programação oficial do Círio como a procissão fluvial, feita pela Marinha do Brasil, que inclusive, foi o primeiro evento que cobrimos para essa reportagem.

Chegamos a Belém na madrugada de sábado, dia 10. Só deu pra deixar as malas e seguir para a base Naval Val-de-Cães, onde embarcamos no Garnier Sampaio, Navio Hidroceanográfico da Marinha do Brasil, que até então, era para nós, mais um dos barcos que acompanharia o cortejo. No embarque, já dava pra notar uma grande seriedade dos tripulantes, também pudera, afinal o Garnier Sampaio era o palco da procissão, pois transportava Nossa Senhora de Nazaré desde o município de Icoaraci até a Estação das Docas, no centro de Belém. Em volta dele, cerca de 400 embarcações seguiram Nossa Senhora pela Baia do Guajará. A emoção de estar no barco com Maria de Nazaré, aquela da musiquinha, “fez mais forte a minha fé e por filho me adotou” é uma experiência que só vivendo para entender. Deve ser parecido com uma parte do céu, águas calmas, vento agradável, paisagens belíssimas, tanto da natureza, como da fé das pessoas nas embarcações no entorno. Tinham desde Jet-skis com crianças, canoas, até balsas para transporte de carros. Conversamos com o Vice-Almirante Alípio Jorge, Comandante do 4º Distrito Naval que, pela primeira vez, comandou a romaria fluvial em Belém: “é uma grande experiência de fé, a marinha está feliz e honrada em prestar esta homenagem a Nossa Senhora, mas sempre preocupada em orientar e zelar pela segurança de todas as embarcações”, disse. Para outro marinheiro, a procissão fluvial é um milagre de Nossa Senhora “são muitas embarcações próximas umas das outras e, graças a intercessão dela, nenhum acidente”.

Ainda na embarcação, conversamos com alguns convidados dentre eles, a cozinheira Nelma Vasconcelos, que foi a bordo do Garnier Sampaio a convite do patrão. “Eu nunca imaginei que um dia estaria no barco com Nossa Senhora”. Carmem Magaldi, voluntária da Marinha do Brasil, moradora do Lins, no Rio de Janeiro, já conhecia o Círio de Nazaré mas neste ano, pela primeira vez, acompanhou a procissão fluvial em agradecimento pela recuperação de sua filha que, há dez meses, sofreu um acidente no Rio de janeiro “já fiquei 22 anos sem vir, mas agora, não perco por nada nesse mundo, me programo para estar aqui”, revelou. Conversamos, também, com o Dom Alberto, arcebispo de Belém que nos contou que a estimativa é reunir cerca de 5 milhões de pessoas em todas as 12 grandes procissões do Círio de Nazaré. Ele também enviou a benção aos paroquianos do Loreto (exibida na missa do dia 11/10). O carinho e atenção com os loretanos vêm de longe: A Paróquia de Nossa Senhora de Nazeré foi fundada no século XIX, em 1861, e desde então é administrada pelos Barnabitas. A construção da Basílica Santuário de Nazaré se deu a partir de 1909.

No desembarque de Nossa Senhora, havia uma multidão que não dava pra ver o final, no horizonte. Ruas lotadas, pessoas em cima das arvores, varandas enfeitadas e cheias de gente, helicópteros, pessoas chorando e espremidas nas grades. A aglomeração se assemelha ao carnaval, no entanto com um público de cabelos mais brancos, no qual impera a sobriedade, devoção e Fé em Maria de Nazaré. A cidade estava reunida para receber uma grande celebridade, a Mãe de Cristo. Para os guardas do círio, Paulo Cardoso e Renato Marques, ser da guarda é uma forma diferente de ver o círio “estamos o tempo todo ao lado da imagem, dá pra ver a emoção nos rostos das pessoa que conseguem se aproximar”, afirmou Paulo. “Este é o nosso natal, ele começa com o Círio, no mês de outubro. As casas ficam cheias e as famílias se reúnem para viver o círio”, concluiu Renato.

Após a procissão fluvial, Nossa senhora seguiu em Moto Romaria até o colégio Gentil Bittencourt, onde ocorreu a missa que antecede a procissão da trasladação. Para acompanharmos, tivemos que nos deslocar de carro, decidimos pegar um taxi. Durante a conversa, descobrimos que o motorista Robson Peres, também era pastor. Ele nos contou que já foi católico e ia na multidão para pegar na corda do Círio. Perguntado sobre a festa representar o natal do paraense ele respondeu: “Eu já não enxergo desta forma, mas o círio é uma grande festa, passou da religião e se tornou cultural do povo paraense, a festa é tão grande que atrai gente de todo o mundo, muitos se encantam e ficam”. Robson completou com a música típica do compositor Pinduca “Chegou ao Pará, parou. Tomou açaí, ficou”.

Chegando ao local da missa, conversamos com a manauara, Katia Vasconcelos, que discorda da posição do taxista, para ela, o Círio é a maior procissão do mundo, e o que move as pessoas é a fé e não a cultura. Sua amiga, Vitória Skaf concorda com Katia, mas afirma que o círio é cultural, sim “quem nasce no Pará já cresce conhecendo Nossa Senhora e vendo como ela providencia as coisas na vida dos fiéis. Esta é a festa da Mãe de Jesus”.

Depois de muitas tentativas, encontramos com o Padre Francisco, conhecido como Chico Mineiro, que acompanhou o Círio de Nazaré pela primeira vez e, afirmou que uma das maiores riquezas do Pará são os romeiros e romeiras de nossa Senhora de Nazaré.

Durante a missa, nos posicionamos no entorno da Berlinda, que esperava ao lado de fora do colégio, cercada pela guarda do Círio e também por uma multidão de fiéis. Ao término da celebração, Nossa Senhora é levada até a Berlinda e inicia-se a procissão da trasladação que segue até a Igreja da Sé, no Bairro da Cidade Velha. Esta foi mais uma procissão lotada, que reuniu mais de 1 milhão de fiéis caminhando aproximadamente 3,5 km. Nesta procissão conseguimos acompanhar no meio da multidão, ao entorno da Berlinda. É incrível como apesar de lotado, o clima de oração se mantem e o objetivo de chegar na corda move as pessoas. Durante a caminhada, o que mais impressiona são os fiéis que, apesar de cansados e exaustos, vibram com as músicas que saem dos shows e palcos montados na frente dos prédios, casas e empresas. Muitos vizinhos se reúnem com as famílias em suas casas, ou descem para a rua e acompanham a passagem da Berlinda, alguns prestam homenagens jogando pétalas e enfeitando as varandas como uma grande comemoração de natal/reveillon para esperar a santa. Caminhando por uma rua transversal, vimos uma família reunida na varanda da casa e fomos conversar. Eles nos convidaram para entrar e nos receberam muito bem, a dona da casa, Lucia Cunha, nos contou que sempre viveu em Belém e que em todos os anos é assim, a família se reúne para comemorar o círio. Disse também, que no domingo do Círio, o almoço especial é tradição. “A única novidade desse ano, é presença de vocês na minha casa, mas fiquem a vontade” Brincou Lucia.

A procissão começou por volta das 17:30h e acabou às 23h com a imagem peregrina sendo recebida na Catedral Sé, onde passou a noite recebendo homenagens e orações dos fiéis. Às 5:50h da manhã ocorre a missa que abre o dia da Procissão do Círio de Nazaré, uma das mais aguardadas. Nesta procissão a Berlinda leva Nossa Senhora até a Praça Santuário, que fica em frente a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, esse trajeto percorre 3,6 Km e também outros 13 carros de promessas acompanham o cortejo. A imagem fica exposta na praça por 15 dias, durante a extensa programação do Círio. A procissão reuniu mais de 2 milhões de pessoas que viveram de perto esse grande dia do paraense. Muitos promesseiros fazem todo o trajeto de joelhos. Para isso, equipe dos socorristas e outros fiéis trabalham a fim de ajuda-los. Os que passam mal são socorridos e recebem cuidados, água e principalmente incentivo e orações, pois o objetivo é fazê-los chegar até o fim para cumprir a promessa, por isso, a equipe tem um instrumento de trabalho especial: Caixas de papelão, que são desmontadas e colocadas como uma espécie de tapete diante da rota dos promesseiros para que eles consigam seguir até o fim. Outros tantos romeiros e promesseiros seguem a pé, no entanto carregando na cabeça, tijolos, casinhas de isopor e madeira, barcos, livros, tudo isso para agradecer e pedir a benção a Nossa Senhora de Nazaré. É um mar de gente que movimenta e emociona as ruas de Belém. Conversamos com o Coronel do Exército, Rubens Leão, que coordenou pelo 3º ano os 1.400 homens que garantem a segurança da imagem e da população que acompanha o círio: “Participar do Círio é uma grande honra, neste ano a novidade foi participar da moto romaria, no sábado”, disse.

Depois de mais de 5 horas de procissão, enfim Nossa Senhora chega à praça santuário para a celebração da missa, após isso, as pessoas se dispersam rumos às suas casas e famílias para que todos tenham aquele almoço de domingo, o almoço do círio, repleto de comidas típicas como a Maniçoba, Caruru, Chibé e Pato no Tucupi. De acordo com a devota Simone Cruz, “No círio o paraense se congratula, se liga, compra roupa nova e reúne a família. O nosso natal é o Círio”

É uma experiência de fé que por mais que se fale em detalhes, não se é capaz de descrever. Realmente é um encontro com Cristo, vale a pena a viagem.

“Terá que vir, Pra ver com a alma o que o olhar não pode ver. O Círio ao coração do paraense

É coisa que não sei dizer… Deixa pra lá” (Fafá de Belém)

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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