Campanha da Fraternidade 2019

 

Fraternidade e Políticas Públicas

“Serás Libertado Pelo Direito e Pela Justiça” (Is 1,27)

               Foi em um sábado de chuva fina, que a Arquidiocese do Rio de Janeiro, reuniu padres, religiosos e leigos para um seminário de apresentação do tema da Campanha da Fraternidade 2019. A chuva deste dia 16/02, não atrapalhou nem um pouco, pois todos os vicariatos estavam bem representados e o auditório do Edifício São João Paulo II, ficou lotado.

O início se deu pontualmente às 9 horas, com a Santa Missa em Ação de Graças, presidida por D. Orani Tempesta, que foi transmitida pela Rede Vida, WebTV Redentor e Rádio Catedral.

Na homilia, D. Orani explicou que o seminário, que se daria logo após a Missa, foi organizado com o objetivo de nos fazer entender os nossos direitos e deveres como cidadãos e elevar a nossa compreensão à amplitude do tema e sua aplicação prática em nossa vida, tendo como ponto de partida, na nossa Arquidiocese, a questão da saúde pública.

D. Orani prosseguiu, dizendo que a Quaresma é o momento para vislumbrarmos uma sociedade mais justa e mais fraterna, pois ela nos convoca a reflexão das nossas próprias atitudes. Lembrou a primeira leitura, do livro do Gênesis 3,9-24, e ressaltou que o pecado é o responsável pelo fechamento da árvore da vida, por isso a nossa atitude de conversão deve vir ao encontro de uma sociedade plural, que necessita de leis justas que levem em consideração o bem comum. Lembrou a importância de cada um, em ser multiplicador, nas paróquias, nas famílias e em todos os grupos, dos caminhos que podem ser traçados para promovermos ações que levem a sociedade a descobrir o seu papel.

Logo após a Missa, deu-se inicio ao seminário com a apresentação da mesa, composta pelo bispo referencial para a Caridade Social, Dom Joel Portella Amado e os professores Fernando Tenório e Maria do Carmo Leal.

 

 O professor Fernando Tenório iniciou o debate, recomendando a todos a leitura do texto-base da CNBB sobre o tema da CF, dizendo que ele foi feito com muito esmero e que aponta às questões do nosso cotidiano brasileiro que nunca vamos encontrar em meios de comunicação, chamada de grande imprensa.

Em seguida explicou a diferença entre políticas pública de estado e políticas pública de governo, dizendo que o Brasil é uma República Federativa, ou seja, o Brasil é um Estado formado por outros estados. Por isso, muitas vezes as políticas públicas de Estado, que são decididas na esfera federal, não tem o mesmo significado nos estados e municípios. As políticas publicas de Estado são as ações permanentes, que vêm ao encontro do cumprimento constitucional a moradia, educação e saúde, por exemplo.  Essas políticas são implementadas e recebem o investimento financeiro para que se cumpram e devem visar principalmente às pessoas que vivem às margens da sociedade ou mesmo excluídas. Já as políticas públicas de governo são aquelas ligadas a um determinado executor, como prefeitos e governadores e seguem por base as suas plataformas de ação partidária e programas de governo, que vão acontecer pelo tempo determinado de cada mandato. Ressaltou ainda que seja qual for à origem do planejamento da política pública, ela deve sempre ter o bem comum como base e meta. Insistiu que é indispensável separarmos a ideia de política partidária ou de políticos, do que se pretende alcançar com o tema da CF, que está além e aquém deles, pois visa o interesse coletivo, da prática do bem comum, já que vivemos em uma República e queremos exercer a política como expressão da caridade. (ler sobre o Ser e Agir como Republicanos, em O Mensageiro, Ed. Nov/2018).

Dessa forma, levantou os pontos de ação que podem ser exercidos pelos cidadãos, garantidos pela Constituição de 1988, que prevê a participação do cidadão, não só com o voto, mas de forma direta, utilizando-se, como por exemplo, dos conselhos gestores municipais, para a saúde, educação, segurança pública, etc. Disse que infelizmente esses conselhos são compostos por pessoas indicadas, mas lembrou de que isso ocorre pela nossa ausência e desinteresse em participar e lembrou que ser patriota é mais que vestir a camisa da seleção brasileira de futebol, mas se preocupar se as políticas publicas estão indo ao encontro do bem comum, como já foi dito.

Em seguida, a professora Maria do Carmo Leal, servidora da Fio Cruz, convidada a falar sobre a saúde, dentro das políticas públicas, introduziu sua explanação falando do importante papel da pastoral da saúde. Em seguida explicou que o SUS – Sistema Único de Saúde é um órgão que reúne a implementação de toda política publica de saúde do Brasil. O SUS é o maior sistema de saúde do mundo e também o mais complexo. É responsável desde o acompanhamento de uma pressão arterial, até um transplante de órgãos. Por ser tão grande, do tamanho do Brasil, embora tenha as responsabilidades divididas com os estados e municípios, tem enorme dificuldade de acompanhar o que acontece em cada recanto do país e garantir a qualidade desse atendimento dentro de um mesmo padrão.

O SUS, disse ela, é responsável pela assistência integral à saúde, que significa cuidar do brasileiro desde a gestação até o fim da sua vida, mas também dos mecanismos de prevenção de doenças e promoção da saúde, que representa a melhoria da qualidade de vida. A promoção da saúde está interligada a outras políticas, pois o bem estar do cidadão depende de fatores como renda e emprego, educação etc. Dessa forma a promoção da saúde é intersetorial, ou seja, que se relaciona com outras políticas publicas.

Continuou dizendo que a constituição cidadã de 1988, determina a saúde como direito de todos, porém o Brasil é um país desigual com diferenças estruturais sérias, também do ponto de vista ao acesso a saúde. Então no conceito de saúde e de constituição do SUS, nós temos o que chamamos de equidade, que visa tratar desigualmente os desiguais, investido mais onde a carência é maior, por isso o programa saúde da família que estruturou a atenção básica da saúde no Brasil nos últimos anos, foi implantado prioritariamente no norte e nordeste do país, que são as regiões mais pobres. A ideia da igualdade, não é fazer igual para todos, mas fazer mais para quem precisa mais.

Em seguida explicou sobre a divisão das responsabilidades na execução das políticas publicas dentro da federação, exemplificando o papel do ministério da saúde, dos estados e municípios, frisando, no entanto, que o município é o executor de todo o processo, pois é lá onde moram as pessoas que vão utilizar o sistema e é lá onde as pessoas podem participar do conselho de saúde, é lá que ele vai reclamar e exigir que o sistema atenda de forma adequada às necessidades daquela região.

Denunciou que o SUS vem sendo desmontado: Hoje o SUS atende 80% da população, em torno de 180 milhões de brasileiros, e recebe 45% das verbas destinadas a saúde, quando o sistema privado, que atende 20%, recebe 55% das verbas em investimentos indiretos, citando como exemplo os programas de vacinação, que é todo garantido pelo SUS, o atendimento a acidentados pelo SAMU e muitos outros exemplos. Com esse “desfinanciamento”, é óbvio que apresentará problemas, pontuou.

Falou em seguida dos programas de prevenção e mostrou um gráfico indicando de que quando as políticas publicas foram usadas de forma correta, houve retorno positivo, como por exemplo, a diminuição de traumas e mortes em acidentes de trânsito com a campanha do uso do cinto de segurança, a proibição do uso de álcool com direção e a campanha para a diminuição dos casos de câncer e doenças do coração causadas pelo tabagismo, além de uma série de outros programas que foram realizados e resultaram em grande melhora da condição de saúde e perspectiva de vida saudável dos cidadãos.

Apresentou um vídeo sobre o SUS, que deu aos presentes uma enorme clareza da dimensão desse patrimônio nacional, que deve ser cuidado e defendido pelos cidadãos, mas exaltou a necessidade da população exercer o seu papel de protagonista nas políticas publicas para a saúde, como propõe a nossa arquidiocese, dentro do tema da CF de 2019.

Passando a palavra para D. Joel Portella, para as considerações finais, que agradeceu a presença dos acadêmicos, elogiando a atuação deles para a melhora da vida das pessoas. Em seguida, ele chamou a atenção dos presentes para o grande desafio de não esquecermos o tema da CF logo após a quaresma, pois é assim que vem ocorrendo.

Colocou pontos relacionados às Campanhas da Fraternidade:

1- Não perder a ligação entre quaresma e campanha da fraternidade: Proposta de transformação. Tomar consciência dos dados, e usá-los como base para transformar a realidade constatada.

2- Característica da CF: Integra a fé com a vida através de uma pedagogia própria, que interpela o conjunto de corações, sociedade e relação com meio ambiente a partir de uma questão concreta. Escolhe um assunto, um tema, mas na verdade a cada ano a pergunta permanece: que sociedade nós estamos construindo?

3- Os temas têm tido conexão entre o ano anterior com o ano seguinte. Percebeu-se que os temas precisam de desdobramento. O deste ano vem complementar o de 2018 que falava sobre a superação da violência, que nos ensinou que a violência não pode ser apenas identificada com criminalidade, mas que tudo aquilo que agride a dignidade da pessoa é violência, e quando ao final nos perguntamos como agir concretamente, o tema desse ano, vem nos responder.

4- O tema desse ano precisa ser bem trabalhado, pois não é percebido de imediato. É um tema urgente, mas requer que ouçamos especialistas para aprender e entender os níveis de responsabilidades, as engrenagens etc.

5- O que a Igreja entende por políticas publicas: Está no texto básico da CNBB. O lema é muito interessante, fala do direito e da justiça, que é eminentemente evangélico. O julgar no texto-base nos apresenta essa temática fundamentalmente cristã. O desafio é para que as comunidades se debrucem sobre o texto.

6- Não é um tema para resultados imediatos, mas precisamos dá os primeiros passos.

7- O que cabe às comunidades (paróquias, movimentos, grupos): transmitir o que aprendeu aqui hoje, evitar o preconceito sobre a CF, buscar especialistas para oferecer formação, chamar representantes para conversar sobre as necessidades do bairro. A CF é um local de diálogo, que chama o leigo a responsabilidade de batizado à construção do reino de Deus.

8- A CF é indutiva. Quando recebemos o tema, o governo da Arquidiocese passou a conversar e pensar por qual política publica devíamos propor o aprofundamento e exercício do tema. Discutimos entre educação e saúde, qual apresentava problemas mais graves. Escolhemos a saúde.

Devemos avaliar a situação da saúde, no nosso bairro, no nosso município, identificar as soluções possíveis, chamar a atenção dos gestores públicos para essas soluções, enfim são metas a serem cumpridas, não até a Páscoa, mas como desafio para alcançarmos a longo prazo, o direito e a justiça, concluiu.

               Em seguida os palestrantes responderam a perguntas e o encontro foi finalizado, em um clima de muito otimismo entre os presentes.

 

Reportagem: Ana Clébia

Fotos: João Medronho

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quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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