Bem Estar – Alzheimer – 3º parte

Estamos na 3ª e penúltima parte da matéria sobre a Doença de Alzheimer. Nesta edição vamos falar dos tratamentos e cuidados iniciais. Agradecemos desde já, a colaboração dos médicos que com dedicação vêm contribuindo com nossa revista, nos dando informações tão valiosas sobre este tema, que em muito, podem nos ajudar em algum momento de nossas vidas. Fique atento ao que nos ensina a Drª Carolina Rouanet, que colaborou com esta edição.

 

Alzheimer – Tratamento Inicial
A demência, de qualquer etiologia, é rara abaixo dos 50 anos, entre os 60-65 anos tem prevalência em torno de 1,5% e, a partir dessa faixa etária, dobra a cada cinco anos, atingindo 50% aos 95 anos. Seguindo esse raciocínio, antes dos 105 anos chegaríamos a uma prevalência de 100%. Assim, surge a hipótese de que se vivermos tempo suficiente, todos seremos acometidos pela doença. Com o aumento da expectativa de vida e a população vivendo cada dia mais, esse tema torna-se fundamental.

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência neurodegenerativa. Sabe-se que seu início é insidioso e muitas vezes é difícil ter a certeza de quando exatamente começaram os sintomas. Atualmente sabe-se também que a doença inicia-se de fato cerca de 20 anos antes dos primeiros sintomas aparecerem, numa fase chamada pré clínica ou assintomática. Em seguida, inicia- se o que chamamos de comprometimento cognitivo leve (CCL), em que já existe alteração cognitiva ou comportamental, mas ainda não interfere na capacidade funcional da pessoa. Assim, o indivíduo já está com certo comprometimento, mas isso ainda não reflete de forma relevante na sua capacidade de continuar seu trabalho ou vida social.

Após tempo variável, o CCL evolui para a chamada demência leve, fase em que há um prejuízo funcional claro, mas a pessoa ainda mantém sua independência para a maior parte das atividades de vida diárias. Assim, ainda é capaz de realizar tarefas básicas como comer, tomar banho, vestir-se, e também ainda consegue fazer a maior parte das atividades ditas instrumentais como cozinhar, dirigir, usar telefone, cuidar de dinheiro…mas já o faz com dificuldade. Esse estágio é o que abordaremos com maior ênfase nesta edição.

A fase seguinte é a moderada, onde o doente precisa de ajuda para a maioria das atividades instrumentais, mas consegue realizar a maior parte das básicas. Assim, é apenas parcialmente independente. Já na grave, a dependência é quase que total para todo tipo de tarefas, necessitando de cuidados plenos e sendo incapaz de vida independente.

Há uma escala chamada Katz, que consiste em seis itens bastante simples que ganham 1 ou 0 como pontuação, sendo 1 se ele é independente e 0 se é dependente. Os itens são banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, fazer a transferência cama/cadeira, continência (poder sobre controle de vezes e urina) e alimentação. Caso pontue 6, significa independência; 4 dependência moderada; 2 ou menos, muito dependente.

Em relação ao tratamento, para o paciente e para seus cuidadores, advoga-se que devemos ter alguns preceitos em mente.  São eles: algo sempre pode ser feito; o diagnóstico é fundamental; a incapacidade do paciente é explicada por diversos fatores; as habilidades que ainda se mantém devem ser valorizadas; as emoções e necessidades do paciente são fundamentais e não devem ser desprezadas; o paciente e sua família devem ser vistos como uma unidade.

A estimulação dos doentes é fundamental, com estímulo ao lazer e hobbies, como filmes, televisão ou leitura, de acordo com gostos e estilo de vida prévios de cada um. Atividades individuais são as preferíveis, embora atividades em grupo como discussões, musicoterapia, atividade com animais sejam também bastante interessantes. Quando possível, deve-se tentar atividades ao ar livre. A mobilidade deve ser sempre estimulada já que facilita o contato social e o envolvimento nas atividades diárias. Se necessário, medidas que aumentem a segurança devem ser empregadas, com uso de bengalas e andadores. Retirada de tapetes e cuidado de não deixar objetos ao solo são medidas simples mas fundamentais para evitar quedas.

Um cuidado multidisciplinar desde o princípio é fundamental, com ações conjuntas com médico, seja ele geriatra ou neurologista, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, assistente social e psicólogo / psicoterapeuta.

A fisioterapia é fundamental para manter as amplitudes de movimento, fortalecer músculos, melhorar o caminhar e reduzir risco de quedas. Terapia ocupacional mantém os pacientes inseridos nas atividades, se valendo de várias estratégias como música e tarefas manuais. A psicoterapia e reabilitação cognitiva estimulam o conhecimento, o aprendizado sem erros, ensinam atividades simples de treinamento de memória, entre outros. Atividade física demostrou bons resultados tanto na cognição quanto no comportamento e sono, e assim deve ser incentivada. Fonoaudiologia treinará a questão da fala e avaliação de deglutição, que podem ser perdidas com o avançar da doença, e nutricionista cuidará do aporte calórico ideal e da melhor dieta para cada paciente.

Há produtos chamados nutracêuticos,que são combinações de vitaminas, minerais e outros e que, segundo alguns estudos, podem ser indicados para a fase leve da doença de Alzheimer. Seria uma forma de tratamento médico / nutricional. No Brasil dispomos apenas de um, cujo nome comercial é Souvenaid.

Em relação ao uso de medicamentos, vale enfatizar que não dispomos, infelizmente, de nenhum medicamento que trate o processo desencadeador da doença, e assim freie a sua progressão. Então, não há cura, apenas estratégias de melhora dos sintomas que a doença gera nos pacientes. Temos muitos produtos em fases de estudo e teste que podem ser terapias promissoras em um futuro. Mas no presente momento, usamos principalmente medicações que visam aumentar a acetilcolina, que é um neurotransmissor que fica reduzido no Alzheimer. Um neurotransmissor é, de forma resumida e simples, uma substância secretada pelos neurônios e que é responsável pela transmissão do impulso nervoso, pela “conexão” entre as células do sistema nervoso. Temos três remédios desta classe aprovados para uso e que são fornecidos pelo SUS. Estas drogas devem ser iniciadas o mais rápido possível, tão logo o paciente tenha o diagnóstico. Pacientes que usam tais drogas têm evolução mais lenta, principalmente aqueles com mais tempo de uso. Entretanto, infelizmente, pesquisas recentes mostram que a taxa de pacientes usando tais remédios é de apenas cerca de 20%.

Por vezes também torna- se necessário tratar alterações comportamentais, agressividade, agitação e alucinações, embora tais sintomas geralmente sejam mais tardios no decorrer da doença. Para tais, podemos dar medicações chamadas de anti psicóticos, que têm o poder de melhorar tais sintomas e consequentemente a qualidade de vida, a inserção social e o cuidado.

Dessa forma, percebe-se que a demência de Alzheimer, apesar de ainda sem cura, dispõe de estratégias tanto farmacológicas como não farmacológicas que permitem melhores condições de vida ao paciente e seus familiares. Estas devem ser empregadas utilizando-se uma estratégia multidisciplinar, e sempre buscando a melhor forma individual para cada paciente.

 

Carolina Rouanet

Médica Neurologista

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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