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Mais um ano se inicia e mais uma vez dentre todos os dons da nova
vida que recebemos em Jesus, está a habilidade de pensar
os pensamentos de Deus e de discernir a sua Vontade. Ouçamos
com muita atenção e zelo estas palavras dirigidas
por Deus durante o batismo de Jesus: "Tu és o meu Filho
bem amado; em Ti ponho minha afeição"(Lc 3, 22).
Era o momento que marcava o início do seu ministério
público e é possível que, de modo plangente,
tenham se repetido no encerramento da sua missão, quando
o Senhor expirou. O ponto que estamos examinando agora é
que, ao longo de sua vida, Jesus foi muito amado pelo Pai e agiu
de modo agradável a este Pai. Esta é a razão
pela qual, não só o Novo Testamento, mas também
o Antigo, apontam a direção de Jesus e servem a Ele.
Quando o apóstolo Pedro pregou pela primeira vez a Cornélio
este proclamou o domínio de Jesus sobre tudo, ungido pelo
Espírito Santo e com poder (At 10, 36). Mas muito antes de
Pedro, o profeta Isaías apontara, de modo eloqüente,
o Messias como o escolhido de Deus, em quem Ele tinha o prazer,
como podemos ver em Is 42, 1: "Eis meu Servo que eu amparo,
meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço
repousar sobre Ele o meu espírito, para que leve às
nações a verdadeira religião". Irmãos
muito amados, também nós, precisamos servir a Jesus
e colocá-lo no centro da nossa vida. Precisamos trazer todo
esse ensinamento para a nossa espiritualidade, buscando nos tornar
melhores, mais santos, mais felizes. A felicidade do Pai repousou
em Jesus e continua incessantemente querendo nos instruir sobre
Jesus, de que vale a pena ser como Jesus, dócil, obediente,
manso, humilde e aberto a Deus.
Irmãos, Jesus em sua humanidade é modelo daquilo que
deveríamos nos transformar, utilizando ao máximo o
nosso potencial como seres criados à imagem e semelhança
de Deus. João Batista sabia que Jesus era diferente. Mas
tomou-se do Espírito Santo para dizer: "Eis o Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo"(Jo 1, 29). Observemos
que os discípulos passaram anos com Ele, e apenas gradualmente
se davam conta daquilo que fazia Jesus tão diferente deles
em pensamentos, palavras e ações. Somente depois que
o Espírito Santo veio sobre eles em Pentecostes, é
que foram capazes de começar a pregar sobre quem era Ele
de verdade. Assim como o Espírito Santo desceu sobre Jesus
no seu batismo, vamos orar para que desça sobre nós
mais uma vez hoje, e que aprofunde a revelação de
Jesus como o bem-amado em que o Pai tanto se compráz. Procuremos
tomar posse durante as celebrações eucarísticas,
deste grande mistério, participando efusivamente da Liturgia,
procurando nos fazer ainda menores, para que o Senhor cresça
em nós; e quando o Pai lançar seu olhar sobre nós,
Ele possa ver um povo que se tornou semelhante a seu Filho, e se
declare deleitado com isto.
Convidamos a todos para participarem das Santas Missas, cantando,
orando, louvando, recebendo a Santa Eucaristia e agradecendo a Deus
por tantas e tantas graças recebidas. Voltemos para nossos
lares, para o seio dos nossos queridos, certos de que o sacrifício
de Jesus se renovou, para a nossa transformação e
para a transformação do mundo.
Ricardo Liturgia da Missa das 10:00h
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