Ano da Fé

“Aumenta a nossa fé!” (cf. Lc 17,5). É o pedido dos Apóstolos ao Senhor Jesus ao perceberem que somente na fé, dom de Deus, podiam estabelecer uma relação pessoal com Ele e estar à altura da vocação de discípulos. O pedido foi motivado pela experiência dos seus limites. Não se sentiam suficientemente fortes para perdoar ao irmão. A fé é indispensável também para cumprir os sinais da presença do Reino de Deus no mundo. Jesus para encorajar os discípulos diz: “Tenham fé em Deus. Se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’. É por isso que eu digo a vocês: tudo o que vocês pedirem na oração, acreditem que já o receberam, e assim será” (cf. Mc 11,22-24).

Por vezes o Senhor Jesus advertia “os Doze” pela sua pouca fé. À pergunta por que é que não conseguem expulsar o demônio, o Mestre responde: “É porque vocês não têm bastante fé” (cf. Mt 17,20). No mar de Tiberíades, antes de acalmar a tempestade, Jesus disse aos discípulos: “Por que vocês têm medo, homens de pouca fé? E, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e tudo ficou calmo” (cf. Mt 8,26).

As breves reflexões bíblicas sobre a fé nos Evangelhos ajudam-nos a recordar as riquezas espirituais que foram adquiridas no decorrer do Ano da Fé, o qual chegará ao seu término no próximo dia 24 de novembro.

Como vivemos num mundo onde tudo se prova e se comprova, até mesmo violentamente; onde quem não tem um papel de identidade simplesmente não existe; onde velhinhos doentes são obrigados a sair de suas casas sob um sol causticante a fim de comprovar que estão vivos e receber uma magra aposentadoria; é importante viver a bem-aventurança de crer sem ver, se faz necessário o contínuo aprendizado sobre o que é e como se deve viver a fé. Pois, crer que – como dizia o grande escritor mineiro Guimarães Rosa – “quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo. Crer na palavra e no testemunho dos outros quando nos falam de Deus, de seu amor e sua bondade, embora não o estejamos experimentando a nível sensível. Crer que Deus está disposto a qualquer coisa, – mas qualquer coisa mesmo – para ir buscar-nos na distância mais longínqua onde nosso pecado e nossa soberba nos tenha colocado”.

A devoção da Igreja, sabiamente, nos oferece como possibilidade humilde e adorante repetir no momento da consagração, na santa missa, as palavras de Tomé.  Quando o sacerdote repete as palavras da instituição da Eucaristia: “Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue” somos carinhosamente convidados pela Mãe Igreja a dizer em nosso coração a oração de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”.  E esperar que a graça incomensurável do amor desse Deus que ressuscitou seu Filho da morte e que se dá em comida e bebida para nosso alimento comoverá nosso coração, curvará nossa dura cerviz e aumentará a nossa fé.

Neste sentido, oAno da Fé em nossa paróquia foi um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. Iniciado no dia 11 de outubro de 2012, coincidindo com o 50.º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, o mesmo terminará no próximo dia 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo.

Ao longo deste período, procuramos com esmero durante a realização das chamadas Terças de Estudos, as quais foram realizadas no plenário do CEPAR, redescobrir através do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, os quais se encontram no Catecismo da Igreja Católica e no Youcat (Catecismo da Igreja Católica para jovens) a sua síntese sistemática e orgânica. Foram momentos de “graça e de empenho para uma sempre mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé n’Ele e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo” (Papa Emérito Bento XVI).

Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O Papa Paulo VI, em 1967, proclamou um ano semelhante, para celebrar o 19.º centenário do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo.

O então Papa Bento XVI considerou que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, “não perdem o seu valor nem a sua beleza”.

A motivação que levou Bento XVI a promulgar o Ano da Fé foi a necessidade de redescobrir a fé para uma melhor evangelização nestes tempos que estamos vivendo.

Nos dias atuais, mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm de uma mentalidade que reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. “Mas a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas tendem, embora por caminhos diferentes, para a verdade” (Papa Emérito Bento XVI).

A fé deve ser sempre aprofundada pelos seus conteúdos. Assim “o Catecismo da Igreja Católica é um verdadeiro instrumento de apoio da fé. O professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um fato privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este ‘estar com Ele’ introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita” (Papa Emérito Bento XVI).

O Ano da Fé foi também uma ocasião propícia para intensificar o testemunho da caridade. “A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho” (Papa Emérito Bento XVI).

Também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor de uma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. “Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos fiéis, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar” (Papa Emérito Bento XVI).

Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

O Ano da Fé buscou promover um encontro pessoal com Jesus. Encontro este queocorre imediatamente na Eucaristia e no estudo e vivência das Sagradas Escrituras, pois,através do testemunho prestado pela vida dos fiéis, brilha no mundo, a Palavra de verdade que o próprio Cristo nos deixou.

Por isso que a logomarca que marcaram os eventos do Ano da Fé é representado por um barco, imagem da Igreja, navegando sobre as ondas. O mastro é uma cruz que iça as velas e que, com sinais dinâmicos, formam a trigrama do nome de Cristo (IHS). No fundo das velas é representado o sol associado a trigrama, que remete para a Eucaristia.

E no hino, o refrão “Creio, Senhor, aumenta a nossa fé” (cf. Lc 17,5) uma invocação a Deus para que em todos nós aumente a fé, sempre tão fraca e necessitada da Sua graça.

O Ano da Fé teve antes de tudo, uma pretensão de sustentar a fé de tantos fiéis que no cansaço quotidiano não cessam de confiar, com convicção e coragem, a própria existência ao Senhor Jesus.

A proposta do Ano da Fé encaixa-se num contexto amplo, marcado por uma crise generalizada que afeta também a fé. A crise de fé é expressão dramática de uma crise antropológica que deixou o homem a si mesmo; por isso se encontra hoje confuso, sozinho, à mercê de forças que nem sequer conhecem o rosto, e sem uma meta a qual direcionar sua existência.

Assim, o Ano da Fé procurou ser um percurso que a comunidade cristã ofereceu a tantos que vivem com saudade de Deus e com o desejo de encontrá-Lo de novo. Porém, é necessário que os fiéis sintam a responsabilidade de oferecer a companhia da fé e se tornem próximos àqueles que perguntam a razão da nossa crença.

Um dos objetivos do Ano da Fé, de fato, foi fazer do Credo a oração quotidiana, aprendida de cor, como era costume nos primeiros séculos do cristianismo. Segundo as palavras de Santo Agostinho: “Recebeste a fórmula da fé que é chamada Credo. E quando a receberem, imprimam-na no coração e repitam-na todos os dias interiormente. Antes de dormir, antes de sair, equipem-se deste vosso Símbolo. Ninguém escreve o Símbolo com o objetivo só de ser lido, mas para que seja meditado”.

Além dos 50 anos da convocação do Concílio Vaticano II, completados no dia 11 de outubro de 2012, também se comemorou os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo Beato Papa João Paulo II.

O Catecismo da Igreja Católica é sintetizado em quatro importantes assuntos: 1) Em que cremos; 2) Como celebrar os mistérios cristãos; 3) Como vive aquele que crê e 4) Como devemos rezar.

O estudo do mesmo é “um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural” (Papa Emérito Bento XVI).

Deus, bom e misericordioso, constantemente estende a sua mão ao homem e à Igreja, sempre disposto a fazer justiça aos seus eleitos. Eles, porém, são convidados a agarrar a sua mão e com fé pedir-Lhe ajuda. Tal condição não é óbvia, como se pode perceber pela densa pergunta de Jesus: “O Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar a fé sobre a terra?” (cf. Lc 18,8). Por esse motivo, também hoje a Igreja e os cristãos devem repetir assiduamente a súplica: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé” (cf. Mc 9,24).

Espero que este Ano da Fé tenha sido para os nossos paroquianos um momento de firme relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. Que tenha correspondido às expectativas e necessidades da Igreja de nosso tempo, invoquemos por intercessão de nossa Padroeira, Nossa Senhora de Loreto, a graça do Espírito Santo, que “Deus derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador” (cf. Tt 3,6), suplicando mais uma vez ao Senhor Jesus: “Aumenta a nossa fé!” (cf. Lc 17,5).

 

Pe. Francisco Aparecido da Silva, CRSP.

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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