Continuação
do número anterior
Um resumo da vida e obra de SANTO ANTONIO MARIA ZACCARIA, no ano em
que se comemora os seus 500 anos de nascimento...
O CHAMADO DE DEUS
A atividade apostólica absorve quase totalmente o médico
Antonio Maria que sustentado pela graça e confortado por seu
novo orientador, Frei Batista de Crema, se prepara para a sublime
responsabilidade do sacerdócio.
Finalmente em 1528, aos 26 anos, ele foi ordenado sacerdote.
Aí então, ele passa a dedicar-se exclusivamente a duas
preocupações que lhe consumiram a vida: a reforma dos
costumes e a reforma do clero.
Resolve ir para Milão, que era na época a cidade mais
corrompida e mais necessitada de grandes reformadores.
Chegando a Milão, Antonio Maria teve a sorte de encontrar dois
jovens, Bartolomeu Ferrari e Tiago Antonio Morigia, milaneses ilustres
e se tornaram muito amigos. Apresentando a eles seus planos, formam
o primeiro núcleo de uma nova congregação. Assim,
nasce em 1530, a ORDEM DOS CLÉRIGOS DE SÃO PAULO, chamados
popularmente de BARNABITAS, porque teve seu início na Igreja
de São Barnabé, em Milão. Esta nova ordem tem
por finalidade: catequizar os filhos do povo, assistir e confortar
os doentes nos hospitais, visitar os mais necessitados, confessar
e pregar o Evangelho.
OS TRÊS COLÉGIOS
Além dos BARNABITAS, o Padre Antonio Maria, ajudado pela Condessa
Torelli, outra sua grande amiga e colaboradora, cria uma nova Congregação
religiosa: AS IRMÃS ANGÉLICAS e em 1535, o Papa Paulo
III aprova a nova ordem e autoriza a sua fundação. Mais
uma vez, Antonio Maria é um inovador, pois naquela época,
todas as ordens femininas eram de clausura, isto é, quem nela
ingressava tinha que viver enclausurada, jamais se afastando de seus
conventos. Porém, estas novas religiosas, orientadas por ele,
podiam sair, ir as prisões e hospitais, andar no meio do povo,
fazer conferências, etc...Tanto se distinguiram que suas regras
e costumes foram apresentadas como modelo a outras congregações
religiosas daquele tempo.
O terceiro grupo criado por ele, são os CASADOS DE SÃO
PAULO (Leigos de São Paulo), que representa na História
da Igreja, as primeiras equipes de espiritualidade familiar (prenuncio
do ECC e MFC, etc...). Eles participam com os outros dois grupos das
missões junto ao povo e das obras pastorais para a santificação
da família.
O mais importante nisto tudo é que tanto as Congregações
Religiosas como as Associações dos Casados, tiveram
grande êxito e se espalharam por várias outras cidades.
A ESPIRITUALIDADE
Ele é um santo de carne e osso, viveu, em seu tempo o drama
e as preocupações dos homens de hoje. Era rico de família
nobre, mas escolheu a pobreza e as vestes da penitência para
servir melhor a Cristo e seus irmãos.
O tom seguro e vigoroso, a firmeza inabalável nas exigências,
a austeridade da formação nos faz ver que estamos diante
de um homem de envergadura não-comum que não nasceu
santo. FEZ-SE SANTO PORQUE SE ENCONTROU COM CRISTO.
SAMZ inspirou toda a sua vida e comportamento em São Paulo
com o ardor e a docilidade de um discípulo dedicado. Ele não
só fala a linguagem paulina para a sua gente, mas também
a aplicava, em primeiro lugar, a si mesmo, o que aos outros ensinava.
E tinha certeza absoluta, a mesma que tinha São Paulo... "de
que nem a morte, nem a vida, nem os anjos... podem nos separar do
amor de Deus manifestado em Jesus Cristo Nosso Senhor..."
Ele exortava a todos para irem às ruas, às praças,
como fazia Jesus, para levar o pão da verdade a este povo que
tem fome de Deus. Dizia ele: "Saiam todos, coloquem-se a serviço
dos mais pobres..."
Para sustentar o crescente fervor que invade a cidade e alimentar
a piedade e o amor para com Jesus presente no Sacrário, estabelece
e difunde com seus religiosos o culto das "QUARENTA HORAS"
de adoração à Santíssima Eucaristia. Com
grande respeito pelo sofrimento de Cristo na Cruz, ele também
inicia um hábito que existe até hoje, de tocar os sinos
das Igrejas, todas às sextas-feiras, às três da
tarde, hora em que Jesus expirou.
Durante a vida, sempre orientou que é a Bíblia o alimento
principal para quem quer uma vida espiritual de verdade, por isso,
incentivou a pratica da Leitura Orante da Bíblia dizendo sempre
que: "para amar a Deus, só amando o próximo".
Numa época em que os católicos praticantes se aproximavam
dos sacramentos quando muito uma ou duas vezes por ano, ele convida
a todos à confissão e à comunhão: "A
Eucaristia é a fonte de nossa vida, o centro de nossa fé
e do nosso amor".
Antonio Maria amava. Amava intensamente, amava como amam os santos,
isto é, com o mesmo amor de Deus. Depois de Deus, sua paixão
eram as almas, para elas ele estava sempre disponível, mesmo
que isto lhe custasse tempo e sono.
Tantas atividades, tantos trabalhos, tantos sacrifícios abalaram
a sua saúde, já bem delicada e sentindo que estava se
aproximando do fim e retornou a Cremona aonde veio a falecer, aos
36 anos de idade, no dia 05 de julho de 1539, nos braços de
sua mãe.
Em 27 de maio de 1897, foi proclamada oficialmente sua canonização,
pelo Papa Leão XIII no Vaticano, em Roma.
Numerosos milagres têm sido conseguido por sua intercessão,
sendo que na Basílica de São Pedro (Vaticano), em alto
nicho, destaca-se uma grande e bela imagem de SANTO ANTONIO MARIA
ZACCARIA. Ela está colocada num lugar muito adequado, especialmente
escolhido, bem em frente ao sacrário que abriga o Santíssimo
Sacramento que ele tanto soube honrar.
"Deus deu ao homem uma capacidade intelectual que não
tem fim e que nem pode acabar neste mundo; deu-lhe um desejo, que
também não se acaba, de saborear a Deus e de experimentar
a sua perfeição; deu-lhe uma insatisfação
permanente em relação às coisas deste mundo e
um desejo contínuo das coisas do céu" (SAMZ Sermão
6). |