Seis
horas da tarde em qualquer grande cidade brasileira. Em meio ao barulho
e à confusão de gente que vai e vem; carros e ônibus
que passam sem parar; barulho insuportável, muito acima da
tolerância de nossos ouvidos; ali adiante, um pequeno acidente
torna as coisas ainda mais difíceis. No ponto de ônibus,
lotado de gente impaciente pelo cansaço, um jovem contínuo
parece não estar nem um pouco atento ao que se passa ao seu
redor: é que ele está ligado nas músicas transmitidas
pelas ondas de seu rádio, que ninguém mais escuta, por
causa do fone de ouvido usado pelo jovem.
Fico imaginando comigo mesmo: Como rezar na confusão da metrópole
que corre sem parar? Como é grande a dificuldade de fazer oração,
quando não se tem nem um pouco de tempo para nós mesmos.
Imaginem, se teremos tempo para Deus!
Vamos pedir, de novo, ajuda a Santo Antônio Maria Zaccaria.
Ele escreveu, há quase 500 anos atrás, uma carta a um
amigo, magistrado e comerciante que queria saber como um homem muito
ocupado pode rezar. Creio que o que o santo fala para seu amigo, sirva
também para nós.
Qualquer hora é boa para rezar, diz Sto. Antônio Maria
Zaccaria na sua terceira carta. Não importa, também,
a posição do corpo. O importante é estar sintonizado
com Deus, ligado nas "ondas de Deus". Mesmo que você
não tenha muito tempo, ainda que a vida que você leva
seja muito exigente, mesmo assim é possível rezar sempre.
Leia o que o santo ensina sobre como fazer oração em
tempos agitados: "Se nós quisermos estar com Deus e, ao
mesmo tempo, agir, falar, pensar, ler ou resolver problemas, o jeito
é elevar, muitas vezes a nossa mente a Deus, por pouco ou por
muito tempo, tal como faríamos com um nosso amigo". O
santo continua comparando a oração ao relacionamento
com um amigo e afirma que, se as nossas ocupações são
tão importantes e demoradas, não custa nada dizer para
este amigo que aguarde só um instante, antes de lhe dar atenção.
Outra estratégia é entreter o amigo, enquanto se desenvolve
uma tarefa importante, que não podemos deixar. Com Deus, na
oração, se faz o mesmo. Como? É claro que não
é possível ficar rezando o dia inteiro, sem parar. Por
isso, você que é metalúrgico, estudante, profissional
liberal, dona de casa, vovó que toma conta de netos o dia inteiro,
motorista, digitador, enfermeira, ou que tem qualquer outra profissão,
tente fazer o seguinte: durante as suas ocupações diárias,
que você não pode deixar de jeito nenhum, de tanto em
tanto, interrompa o que você está fazendo e eleve seu
pensamento a Deus, conversando com Ele sobre o que está acontecendo,
nem que seja pelo tempo que dura uma Ave Maria, como afirma o santo.
Em qualquer situação, é possível conversar
com Deus, enquanto estamos desenvolvendo as atividades do dia a dia.
Anos atrás, tive uma aluna com quem eu não me simpatizava
de jeito nenhum. Ela se comportava para que eu notasse que ela estava
ali. Muitas vezes, confesso que tinha vontade de "torcer o pescoço"
da menina! No entanto, durante a própria aula, conversava com
Deus a respeito desse meu sentimento violento e vingativo e pedia
por ela. Isso, sem interromper a aula; ninguém percebia que
eu estava rezando!
Certamente, meu amigo, minha amiga, que você encontrará
as condições para estar sempre "nas ondas de Deus".
Para refletir:
1. Como você reza? Consegue rezar em meio à agitação
da grande cidade?
2. Você acha possível seguir o método que Santo
Antônio Maria Zaccaria propõe? Que tal fazer a experiência?
Pe. Luiz Antônio do Nascimento Pereira
Pároco da Paróquia Cristo Crucificado, nos bairros Alvorada
e Goiânia, em Belo Horizonte MG e membro do Conselho Diretor
do Colégio Padre Machado, também em Belo Horizonte.
(e-mail: crucific@pucminas.br)
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