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Critérios e orientações para as Eleições 2002 | AGOSTO


A Arquidiocese do Rio de Janeiro neste ano eleitoral, como nas passadas ocasiões, apresenta critérios e orientações, retomando as palavras do documento da CNBB "Eleições 2002. Propostas para reflexão":

"A Igreja Católica no Brasil, como já é tradição, considera seu dever oferecer critérios e orientações que possam ajudar os cristãos a cumprir seu dever eleitoral, com consciência e responsabilidade. A política é forma sublime de exercer a caridade" (n. 2).

"No ano 2002, as eleições serão de grande importância para a definição de um futuro próximo, em que a sorte de todos os brasileiros e brasileiras estará em jogo. A Igreja faz um forte apelo à consciência dos cidadãos, para afirmar as bases de uma sociedade verdadeiramente democrática" (n. 4).

"Este documento pretende ser um instrumento de trabalho, para que nossas dioceses, paróquias, comunidades, movimentos e pastorais reflitam sobre a presença e a atuação dos católicos na política. Propomos que, a partir dele, sejam elaborados subsídios ou cartilhas, com feições locais, que orientem as eleições de 2002" (n. 5).

A partir desta proposta apresentamos os seguintes critérios e orientações para os fiéis da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

ANTES DE TUDO, COMO PREMISSA, convidamos a "VALORIZAR O SEU VOTO" que, somado aos demais, decidirá o destino do País e do seu Estado nos próximos anos.

É inaceitável toda forma de indução, "compra de voto", corrupção eleitoral ou uso indevido da máquina administrativa, segundo quanto afirma a Lei de iniciativa popular 9840/99.

Para votar bem é necessário conhecer e avaliar os candidatos aos cargos eletivos; se são pessoas DECENTES, COMPETENTES E EMPREENDEDORAS; SE SUAS PROPOSTAS DE GOVERNO NÃO COLIDEM COM OS ENSINAMENTOS DA IGREJA.

Procurem, portanto, votar nos candidatos que:
1.Defendem a DIGNIDADE DA PESSOA E DA VIDA em todas as suas manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural, a morte. E inaceitável toda forma de violência como o aborto, exploração de menores, discriminação de raça e credo, eutanásia e toda forma de manipulação genética. E também deplorável o comércio e o uso das drogas e a distribuição gratuita de seringas.

2.Defendem a FAMÍLIA, na qual a pessoa nasce, cresce e se realiza. Combatem a pornografia e toda forma de cinismo e degeneração moral que contrariam o ideal da família, seguindo a visão cristã de vida, e se opõem aos programas de controle da natalidade contrários à lei natural.

3.Defendem A LIBERDADE DE EDUCAÇÃO pela qual os pais têm o direito de escolher onde e como educar seus filhos. Promovem a qualidade da escola pública e defendem a escola particular católica, sem fins lucrativos, como também o ensino religioso confessional.

4.Promovem a JUSTIÇA E A SOLIDARIEDADE em favor de todos, máxime, dos excluídos. Propugnam para que o poder público assuma eficazmente a causa dos menos favorecidos: moradia, emprego, saúde e educação e combatem a corrupçao.

5.Favorecem os ESPAÇOS DE LIBERDADE para que as entidades beneficentes e organizações de tradição na sociedade possam coadjuvar; com ou sem parceria com o poder público, na construção do bem comum.

6.Segundo a orientação da CNBB devem ser respeitadas TRÊS PRIORIDADES que decorrem do primado da VIDA e DA PESSOA. "Ao assumir compromissos políticos a Igreja Católica o faz a partir do imperativo ético da defesa da vida, em cada momento de seu desenvolvimento terreno. Este é o critério máximo de julgamento de qualquer sistema político, dos modelos econômicos e das soluções técnicas. Esse imperativo ético se concretiza, em cada momento e lugar; em metas políticas. Diante da atual realidade brasileira, três grandes metas ganham prioridade: a erradicação da fome; o efetivo respeito dos direitos humanos para todos; o desenvolvimento sustentável, que garanta qualidade de vida à população e respeite a ecologia" (n. 35). Acrescentamos ainda: a erradicação da miséria.
Observe-se, também o seguinte:

7. A Igreja NÃO TEM PARTIDO NEM CANDIDATOS OFICIAIS; não deixa de manifestar; entretanto, sua esperança que sejam valorizados os candidatos que se comprometem a respeitar os seus princípios éticos e sua doutrina social.

8.As paróquias, associações e movimentos estão autorizados a favorecer amplos debates entre candidatosde diferentes partidos, desde que não se favoreçam uns mais que outros e que não ofendam os princípios básicos da religião católica. Os candidatos católicos, no exercício de suas campanhas eleitorais, NÃO PODEM SE APRESENTAR EM NOME DAS PARÓQUIAS, MOVIMENTOS E PASTORAIS.

9. Nas adjacências das paróquias e capelas, assim como durante os eventos promovidos por estas, NUNCA DEVEM CONSTAR SINAIS, FAIXAS OU CARTAZES que identifiquem os candidatos. Não é oportuna a utilização de imagens ou objetos sagrados como veículos de campanha eleitoral.

10. "A Igreja poderá divulgar informações sobre os candidatos, cuidando da exatidão das informações e de fazê-lo rigorosamente dentro das exigências da Lei" (n.55). Recomenda-se por isso vivamente aos fiéis tomarem conhecimento das informações, sob o título "ACOMPANHAMENTO DA ATUAÇÃO DE POLÍTICOS", elaboradas desde o ano de 1999 para serem afixadas nos quadros de avisos das mesmas. Nessas informações, a Arquidiocese oferece aos católicos uma visão real dos políticos na sua atuação favorável ou contrária aos ensinamentos da fé católica.

D.Eusébio Oscar Scheid, SCJ
Arcebispo do Rio de Janeiro Julho/2002

 
 
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