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O caráter de um adorador | AGOSTO

O Espírito Santo renova e santifica tudo, e a nova criação que surge da ação renovadora e santificadora do Espírito é a Igreja em sua realidade mais íntima. Não se pode separar a Igreja e o Espírito. É somente na Igreja que o homem pode ter a verdadeira e plena experiência do dom do Espírito Santo, e é este dom que abre ao homem o acesso ao mistério íntimo da Igreja, Esposa Imaculada de Cristo, seu Corpo e a Mãe Espiritual que regenera o homem nas águas do batismo. Como diz Santo Irineu: Onde está o Espírito, está a Igreja e onde está a Igreja, está o Espírito e toda a graça (Contra as Heresias, III, 24,1). Portanto, é pelo Espírito que a Igreja se torna verdadeiramente o Sacramento de Jesus Cristo, sua presença misteriosa entre os homens de todos os tempos, com Aquele que os salva e conduz ao Pai todos que nEle crêem como Caminho, Verdade e Vida. Amados, pelo Espírito a Igreja e seus membros se tornam o sacerdócio santo, o templo santo de Deus, conforme podemos ver em I Pd 2, 9 , que prestam o culto verdadeiro ao Pai, oferecendo-se com Cristo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12, 1), oferenda santificada pelo Espírito (Rm 15, 16b). Será que temos convicção deste processo na nossa vida pessoal? Ou será que muitas das vezes pensamos ser para alguns e não para nós? Santo Antonio Maria Zaccaria nos ensina e nos estimula à prática da Intercessão, do Louvor e da Adoração ao Santíssimo Sacramento para que nos aproximando mais do Senhor, tenhamos por Ele um amor incondicional, firmando no nosso coração a fé na presença real de nosso Salvador no mistério eucarístico. E qual deve ser o caráter de um adorador? Para que possamos compreender melhor, vamos rever a história e nos atermos ao Senhor Nosso Deus quando um dia disse a Abraão: "Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar" (Gn 22, 2). Esta foi a exigência de Deus a um servo como verdadeiro adorador, como sacerdote. Quanto custa isso a você? Em Jo 4, 23 está escrito: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai ...". Freqüentemente somos rondados pelo perigo de cairmos na banalização e de deixarmos para trás o que é realmente sagrado. Na história de Abraão não o vemos murmurando. Deus lhe pediu o que lhe era mais caro, mais precioso, porque Ele quer saber o que está em nosso coração e, com certeza, vai nos submeter à prova (Dt 8, 2.3). Abraão precisou escolher a quem ele amava. Certamente Abraão pensou: Ele me deu a vida! E partiu para obedecer, dizendo aos seus servos: "Eu e o menino, vamos até lá mais adiante para adorar, e depois voltaremos a vós" (Gn 22, 5). Como Abraão poderia afirmar se realmente Deus havia pedido o sacrifício de Isaque? Assim como ocorreu a ele, não podemos compartilhar determinadas coisas que Deus nos manda fazer. Mas antes de tudo devemos pedir a Deus que não estejamos apegados a nada.
Então, quanto custa para sermos adoradores? A maior necessidade da Igreja é que nela hajam sacerdotes, verdadeiros adoradores que obedeçam integralmente a Vontade de Deus. Se quisermos ser pessoas prósperas, bem sucedidas, precisamos entrar para esse caminho estreito e assimilar: "Nada temos, nada somos, mas Ele é tudo em mim". Deus está buscando homens com corações obedientes, como o de Abraão, que estejam dispostos a sacrificar qualquer coisa por Ele. Não esqueçamos este mandamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o seu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças" (Dt 6, 5). Mesmo após séculos e séculos, Abraão ainda nos fala através do seu testemunho de vida. O próprio apóstolo Paulo nomeia-se um dos menores apóstolos do seu tempo, mas a sua vida nos ensina até hoje. E nós, estamos dispostos a pagar o preço? Isso é possível se aprendermos a andar em total dependência da graça de Deus. Todas as vezes que formos submetidos a provas, não nos lamentemos, não murmuremos, entreguemos tudo a Deus e à Sua Vontade.

Queridos irmãos, o caminho é estreito, mas é compensador. A vitória prevalece sobre os fracassos e até mesmo nos fracassos somos vencedores, porque aprendemos a depender da graça de Deus e nos tornamos experientes testemunhas. O verdadeiro adorador amadurece na tribulação e se fortalece nas fornalhas da vida (Dn 3), porque o caráter de um verdadeiro adorador é forjado nas lutas. É preciso que aprendamos a viver contentes em toda e qualquer situação. Abraão mesmo disse: Vamos adorar e depois voltaremos, e conforme a Palavra de Deus, todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. O caráter de um adorador é composto de fé inabalável, humildade e obediência. Se alguém duvida do Amor de Deus é porque lhe falta a fé. A ausência da fé produz medo, insegurança, incerteza, preocupação. Nós precisamos ter uma fé adulta, madura, inabalável, à cerca do Deus a quem servimos. Abraão perguntou ao Senhor: Como posso saber isso? E Deus lhe respondeu: "Levanta os olhos para os céus, e conta as estrelas, se és capaz..." (Gn 15, 5). A nossa resistência às lutas depende de nossa raiz em Deus, porque se não tivermos uma raiz profunda logo secaremos. Devemos estar prontos para obedecer, sendo humildes de coração, mas a têmpera que precisamos, dada pelo Espírito Santo, só nos será possível através da fé e do nosso amor ao Crucificado Vivo.

Façamos a parte que nos cabe, exerçamos a nossa vocação, o nosso sacerdócio santo, sejamos adoradores verdadeiros, dispostos a tudo por amor ao Senhor. Adoremos, adoremos, adoremos de todo coração e de toda nossa alma, o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como também o lenho da sua santa cruz de onde pendeu a salvação do mundo e em particular a nossa salvação. Façamos da Adoração a Jesus Eucarístico a nossa luta permanente contra o pecado, para que Ele confirme os nossos corações e nos torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, na preparação da volta gloriosa, sua parusia.

Ricardo da Liturgia das 10h
 
 
VEJA NO MÊS DE AGOSTO/2002:

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